Beyond Creation – Burning House, São Paulo/SP (23/04/2026)
Produção: Caveira Velha Produções e Chamuco Produções
Abertura: Fallujah
Texto por Matheus “Mu” Silva
Fotos por Rodrigo Faustino
Quase três anos após sua última passagem pelo Brasil — e pela terceira vez em território nacional — o Beyond Creation retornou com uma apresentação única em São Paulo, na última quinta-feira (23). Considerado um dos principais nomes do Technical Death Metal da atualidade, o grupo canadense trouxe ao país a turnê comemorativa de seu álbum de estreia, “The Aura” (2011). Além disso, a noite contou com a estreia sul-americana do Fallujah, banda norte-americana que abriu o evento com grande expectativa por parte do público.
Abrindo os trabalhos pontualmente às 19h45, o Fallujah chamou atenção logo de início por um detalhe incomum: a ausência de um baixista no palco. Ainda assim, para quem já acompanha a banda, isso não chega a ser uma surpresa. Logo na sequência, o grupo iniciou seu set com “Kaleidoscopic Waves”, do álbum “Xenotaph” (2025), apresentando um Death Metal moderno, repleto de dissonâncias e texturas atmosféricas.
Em seguida, “Radiant Ascension” (“Empyrean”, 2022) manteve o nível elevado, enquanto “Amber Gaze” (“Dreamless”, 2016) foi especialmente celebrada pelos fãs presentes. Nesse sentido, o repertório transitou principalmente entre os trabalhos mais recentes da banda, já com o vocalista Kyle Schaefer, cuja postura mais introspectiva contrastava com a intensidade sonora — embora, ainda assim, demonstrasse esforço constante para interagir com o público.
Por outro lado, a resposta da plateia foi imediata: rodas de mosh começaram a surgir, acompanhando a brutalidade e complexidade da execução. O ápice da apresentação veio com “Sapphire” (“The Flesh Prevails”, 2014), quando o guitarrista Scott Carstairs impressionou ao executar solos sem o uso de palheta, evidenciando técnica apurada e forte senso melódico.
Por fim, encerrando o set com a faixa-título “Xenotaph”, a banda concluiu sua apresentação de aproximadamente 40 minutos deixando uma impressão bastante positiva. Dessa forma, mesmo não sendo tão conhecida no Brasil, o Fallujah certamente conquistou novos fãs nessa noite.

























Na sequência, às 21h em ponto, foi a vez do Beyond Creation subir ao palco. Sem introduções longas, a banda iniciou com “No Request for The Corrupted”, já estabelecendo o tom mais agressivo e visceral que marcaria toda a apresentação. Diferentemente da banda de abertura, aqui o peso soava mais direto e cortante, agradando imediatamente os fãs mais extremos.
Como proposta central do show, o grupo executou o álbum “The Aura” na íntegra e na ordem original. Até então, em passagens anteriores pelo Brasil, apenas os singles “Coexistence” e “Omnipresent Perception” haviam sido apresentados ao vivo — sendo este último, inclusive, um dos momentos mais aguardados da noite. Naturalmente, ambas foram recebidas com entusiasmo, com o público cantando em uníssono enquanto o mosh tomava conta do espaço.
A partir desse ponto, no entanto, grande parte do repertório foi novidade para os brasileiros. Nesse contexto, a instrumental “Chromatic Horizon” se destacou ao preparar o terreno para momentos ainda mais intensos. Além disso, o nível técnico apresentado pelo Beyond Creation impressionou profundamente: execuções extremamente complexas eram realizadas com aparente facilidade, muitas vezes sem que os músicos sequer olhassem para seus instrumentos.
Em seguida, “Injustice Revealed” — primeira composição da banda — ganhou uma execução impecável, com seus trechos mais grooveados ainda mais pesados ao vivo. Como resultado, o público reagiu intensamente, alternando entre headbanging e expressões de impacto diante dos riffs esmagadores.
Dando continuidade, faixas como “Le Détenteur”, “The Aura” e a avassaladora “Social Disability” elevaram ainda mais a intensidade do show. Consequentemente, o encerramento da primeira parte veio com “The Deported”, uma das mais pedidas da noite, consolidando um momento de grande catarse coletiva.
Após uma breve pausa, a banda retornou para o bis em clima descontraído, interagindo com o público — inclusive com brincadeiras em francês e referências como “A Tout Le Monde”, do Megadeth, entoadas pelos fãs. Em seguida, apresentaram a inédita “Reverence”, faixa que integrará o próximo álbum do grupo, ainda sem título. A recepção, por sua vez, foi extremamente positiva.
Para finalizar, “In Adversity” (“Algorythm”, 2018) encerrou a apresentação de forma devastadora, levando o público a abrir uma enorme roda no Burning House. Assim, o Beyond Creation concluiu seu set de aproximadamente 70 minutos sendo ovacionado, em um encerramento à altura da intensidade apresentada desde o início.
Em resumo, embora Beyond Creation e Fallujah atuem dentro de uma mesma vertente do metal extremo, suas abordagens são bastante distintas. Ainda assim, ambas demonstraram altíssimo nível técnico e criatividade. Portanto, o resultado foi uma noite marcada por complexidade, peso e uma verdadeira overdose de notas por segundo — que, ao mesmo tempo, confundiu, hipnotizou e conquistou o público presente. Sem dúvida, um dos eventos mais impressionantes de 2026





































