Bizarrekult – “Alt Som Finnes” (2026)
Season of Mist
#BlackMetal #PostMetal #PostBlackMetal
Para fãs de: Enslaved, Deafheaven, Der Weg einer Freiheit
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
Com uma essência musical firmemente enraizada no Black Metal norueguês e pincelada com toques de post-metal, o Bizarrekult conquistou uma legião de fãs com sua música extrema — especialmente após o lançamento de Den tapte krigen (2023), que colocou o projeto no radar dos apreciadores do gênero. Desde então, novas camadas foram incorporadas à sonoridade, culminando em Alt Som Finnes, seu trabalho mais recente. Aqui, Roman V. entrega um álbum envolvente e eletrizante, com vocais ásperos, blast beats estrondosos e guitarras cortantes.
O disco abre com “Hun”, uma faixa curta, porém devastadora, que desencadeia uma fúria gélida com ataques de bateria e riffs sombrios, incendiando o álbum logo de cara. A partir desse início intenso, o som se desdobra em diversas camadas que fluem de maneira coesa ao longo dos cerca de 40 minutos de duração.
“Blikket Hennes” surge na sequência como um ótimo exemplo dessa dinâmica, explodindo em blast beats e atmosferas sinistras, mas também abrindo espaço para solos marcantes e a participação especial de Yusaf Parvez (Dødheimsgard), que entrega vocais poderosos. O andamento e as melodias remetem facilmente ao que se espera de um disco do Enslaved, com linhas vocais hipnotizantes.
“Avmakt” retoma o ataque selvagem, com destaque para a performance incansável de Alexander P. na bateria. Os riffs de Ignat P. são impressionantes e conduzem o ouvinte por uma jornada apocalíptica repleta de escuridão e desespero, enquanto os vocais evocam o melhor que o Black Metal pode oferecer.
“Håp” adiciona uma carga mais melancólica e atmosférica, conduzindo o ouvinte por uma experiência quase hipnótica, com leves traços de DSBM, sem abrir mão do peso — especialmente em seu encerramento explosivo. Já “Tomhet” (a primeira faixa da banda cantada em inglês) fecha o disco de forma violenta e sufocante. Aqui, o grupo atinge seu ápice, equilibrando brutalidade e beleza melódica, com a participação de Kim Song Sternkopf, do Møl.
Mesmo explorando novos elementos musicais, o Bizarrekult permanece fiel às suas raízes mais sombrias, ligadas à tradicional cena do Black Metal. Com isso, constrói uma trajetória sólida e consistente a cada lançamento. Alt Som Finnes evidencia que o futuro do projeto — e do próprio gênero — segue forte e promissor, resultando em um álbum primoroso, instigante e altamente envolvente de uma banda em constante evolução.





