Unverkalt – “Héréditaire” (2026)
Season of Mist
#BlackMetal #PostMetal #DoomMetal
Para fãs de: Cult of Luna, Myrkur, Gaerea
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
A Grécia é conhecida por exportar o melhor do metal para o mundo, com grandes nomes do primeiro escalão do gênero, como Rotting Christ, Varathron e Septicflesh, e segue surpreendendo a cada novo grupo que surge. Um desses nomes é o Unverkalt, quinteto de Atenas que chega ao seu terceiro disco, Héréditaire, uma obra impressionante e potente que consolida a força da banda no cenário.
Com cerca de 50 minutos de duração, Héréditaire revela uma vasta gama de sonoridades, alternando entre momentos de peso explosivo e serenidade imersiva. O álbum segue por um caminho mais pesado que o antecessor, expandindo as bases do post-metal e mergulhando em territórios ainda mais sombrios.
O disco abre com “Die Auslöschung”, que surge lentamente, construindo uma atmosfera assombrosa antes de explodir em um ataque repleto de blast beats e vocais guturais insanos. Esse contraste dá ainda mais vida ao trabalho, e o duelo vocal entre Dimitra Kalavrezou e o guitarrista Eli Mavrychev funciona como o grande motor criativo do álbum. “Oath Ov Prometheus” incorpora elementos de Blackened Death Metal e cresce de forma colossal, com uma avalanche de blast beats, gritos penetrantes de Kalavrezou e o uso estratégico de vocais limpos em meio ao caos, conquistando o ouvinte de imediato.
“Ænæ Lithi” segue na direção oposta, trazendo leveza e passagens mais atmosféricas, com destaque para os vocais limpos e o peso surgindo em momentos-chave — um contraste que acerta em cheio. Já “Penumbrian Lament” retoma o ataque do Black Metal com guitarras cortantes e vocais agressivos, evocando o espírito do “True Norwegian Black Metal”, enquanto suas partes mais cadenciadas remetem ao peso ritualístico de Behemoth.
Próximo do desfecho, “I, The Deceit” conta com a participação de Sakis Tolis, do lendário Rotting Christ. A faixa apresenta diversas mudanças de andamento, alternando entre momentos intensos de blast beats — onde os vocais de Tolis dominam com agressividade — e passagens em que Kalavrezou assume com vocais limpos, angelicais e hipnotizantes. Uma combinação que poderia soar caótica, mas que o Unverkalt executa com precisão e identidade.
Com este trabalho, o Unverkalt mostra que está à frente do próprio jogo, entregando um álbum bem elaborado, inteligente e profundo. Mesmo nas passagens mais extremas, o disco é repleto de melodias e nuances, raramente se tornando cansativo. Héréditaire é uma obra feita para ser absorvida em sua totalidade, revelando suas camadas aos poucos e se firmando como uma das audições mais recompensadoras do ano.





