Boys From Heaven– “The Great Discovery” (2020)

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Boys From Heaven“The Great Discovery” (2020)
Mighty Music
#AOR#YachtRock

Para fãs de: Phil Collins, Michael Bolton, Toto

Nota: 9,0

“Nome de merda, banda de merda”, afirma Mick Mars. Por mais que saibamos que não é bem assim – vide roxo profundo e zepelim de chumbo, entre outros –, há de se convir que Boys from Heaven não é lá o nome mais rock ‘n’ roll que existe. Fã dos AOR/Yacht Rock/Westcoast de outros tempos, o septeto (!) surgiu em 2017 e em três anos de atividades, parcialmente interrompidas pela covid-19, azeitou bem a máquina e estabeleceu-se como boa atração ao vivo em festivais de pequeno e médio porte na Europa antes de assinar com a mesma Mighty Music de nomes como Mike Tramp e Tygers of Pan Tang para lançar seu disco de estreia, “The Great Discovery”.

Capitaneando o barco temos o vocalista Chris Catton – timbre às vezes parecidíssimo com o de Phil Collins, mas com um acento soul que denuncia uma vasta gama de influências –, espécie de “joga nas onze” que também assina a produção. O esqueleto do repertório, herdado de Foreigner, Journey, Toto e de uns ‘poucos-hit wonder’ que davam as caras em filmes da Sessão da Tarde ou novelas da Rede Globo, adquire musculatura através de uma pegada que promete agradar tanto à velha guarda das frases feitas, do “não se faz música como antigamente”, quanto à molecada que acha que é onda reverberar esse discurso fundamentalista e sem o menor cabimento.
Quer entender na prática? Ouça “Sunshine Soul” (prima distante de “Kiss from a Rose” do Seal), “A Fool’s Hope” (seu refrão é total Karatê Kid), “Old Days” (final feliz de longa do Adam Sandler), “Don’t You Cry” (vibe Bad Company, uma intrusa no tracklist) e “Worlds Apart” (direto para o top músicas lançadas em 2020), as preferidas deste resenhista. Mas o disco inteiro é muito bom; apesar de tocarem leve como uma pluma, os garotos do paraíso não são bobos nem soam inofensivos e têm potencial de sobra para fazerem jus à alcunha de promessa do AOR que lhes foi conferida pela gravadora. Em poucas palavras: nome de merda, mas banda do caralho. Chupa, Mick Mars.
 
Marcelo Vieira

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