
Carttada – “Recharged” (2022)
RTR Records
#HeavyMetal, #RockNRoll
Para fãs de: Motörhead, Chrome Division, Venom, Angel Witch
Nota: 8,5
Só pelo “para fãs de” aí acima, essa resenha não precisaria de muito lero-lero, ou seja, Rock N’ Roll puro, simples e rápido e com uma BAITA energia digna para chamarmos de herdeiros do trono inabalável do saudoso Motörhead. É similar? É! Soam praticamente como eles? Sim! É bom? É! Então qual o problema cara pálida? Vai soltar as famosas balbúrdias como “é cópia descarada”, “é muito clichê” e blá blá blá chato pra cacete num mundo que nada mais se cria? Vai fazer melhor então! Qual é o problema de se fazer um som autoral próprio, mas calcado fielmente nas suas influências como uma espécie de homenagem? Porra! O prazer pessoal conta muito, sabia??? Vai criar algo realmente inovador que aí eu tiro meu chapéu para você, seu chato de galocha! (risos)
Pois bem, sabendo-se isso, temos aqui uma belíssima homenagem aos mestres, sem por nem tirar, pois esse trio curitibano que atendia desde 2009 pela alcunha de Motörbastards (tcharan!) fazia literalmente um tributo aos ingleses, chegando a gravar o álbum autoral chamado “Divisão Rock N’ Roll”, em 2015.
Em 2020, após fecharem com a gravadora internacional RTR Records, mudaram o nome para Carttada! Ah, Carttada, nos remete ao que? Cartada! Ás de Paus! Dãããã! Adivinha porquê? (risos). E após isso, em plena pandemia, caíram de cabeça no estúdio e saíram de lá com o novo trabalho com título sugestivo de “Recharged”, para mostrar uma nova fase na carreira incorporando sonoridades mais pesadas, mais sujas e viscerais que seus mestres. Não sei se estou maluco, mas senti uma espécie de cruzamento de Motörhead (ah vá, jura?) mais recente e pós-álbum “Snake Bite Love” (1998), onde a ótima produção (aqui também se faz presente) já começou a ficar cada vez mais cristalina, pesada e alta, com Venom e um boas doses de Angel Witch.
Todas as nove faixas se parecem entre si, com energia, velocidade e um peso até que mais evidente que seus mestres. Como um bom fã que se preze de Lemmy e cia, isso é um elogio, certo? Aliás, tem muitas horas que você jura ouvir Lemmy cantando (duvida? escute “Bad Reputation”).
“When The Devil Comes”, The Dance”, “Look Twiced”, “We Are Bastards” e “Bad Reputation” parecem que foram tiradas de álbuns como “Inferno” (2004) e “Kiss Of Death” (2006), por exemplo. Já as faixas em português “A Mina de Tamandaré” e “Espelho Quebrado” me lembraram aquele humor ácido, sarcástico e cheio de malandragem do AC/DC na fase Bon Scott, mais ‘de boa’, mais Bluesy e Rock N’ Roll! Tem como não amar?
Meus destaques vão para a trinca inicial com “When The Devil Comes”, “The Dance ” e “Look Twice” que você não conseguirá nem abrir sua latinha de cerveja sem se molhar todo, “Nightmare” – a mais ‘escarradamente’ (sim, pois ‘descaradamente’ poderia soar negativo) Motörhead de todas – e a cereja do bolo “We Are Bastards”, simplesmente um arregaço e matadora!!!
Esqueça inovação, modernidade ou invencionismos, aqui a parada é ‘roots’ pra cacete, sujeira, peso, adrenalina e muito, mas muito Rock N’ Roll (com bastante Metal!) para literalmente se acabar bêbado e todo cheio de hematomas! Tem gente que está feliz onde quer que esteja!
Johnny Z.







