Chakal – “Abominable Anno Domini” (1987)
Cogumelo Records
#ThrashMetal #DeathMetal #ExtremeMetal
Para fãs de: Sepultura, Slayer, Sodom
Texto por Thiago Silva
Nota: 10
É uma honra saber que uma banda desse calibre surgiu em nosso país, mais precisamente em Belo Horizonte — capital mineira também conhecida como a capital do Metal nacional. Além de ter reconhecimento internacional, a cidade é um verdadeiro celeiro de bandas fundamentais como Sarcófago, Sepultura, Holocausto, Overdose e, claro, o Chakal, que lançou um álbum de estreia simplesmente avassalador.
O Chakal foi formado em 1985 por William Wiz (bateria), Sérgio “Destroyer” (baixo), Mark (guitarra) e Sgôto (vocal). Essa formação original se apresentou no Festival Metal BH e logo assinou contrato com a Cogumelo Records, saindo em turnê já com Korg nos vocais. A banda rapidamente se consolidou como uma das pioneiras do metal extremo no Brasil. Sua primeira demo, Children Sacrifice, trouxe a nova formação com Korg (vocais) e Necromancer (guitarra), que se uniu a Mark, criando uma dupla matadora.
A notoriedade, no entanto, veio ainda em 1986 com o icônico Warfare Noise, split lançado pela Cogumelo que reuniu várias bandas da cena mineira. As duas primeiras faixas do registro eram do Chakal: “Cursed Cross” e “Mr. Jesus Christ”, sendo esta última incluída no debut que viria em seguida.
No ano seguinte, a banda gravaria seu primeiro disco completo: Abominable Anno Domini. Trata-se de uma verdadeira obra de sangue, morte e destruição — um prato cheio para fãs do metal extremo.
O álbum conta com 9 faixas e 41 minutos de caos absoluto. Já na abertura, “May Not the Mankind Suffer”, a banda denuncia a hipocrisia dos poderosos e o sofrimento imposto à humanidade. Em “Planet Is Dead”, o ataque é direto à política, ao militarismo e às religiões, enquanto “Terminal Brain” mergulha o ouvinte em um turbilhão psicológico, retratando a necessidade de crença misturada a pensamentos psicopatas — com direito a um solo memorável de Mark.
“Children of the Cemetery” é uma porrada lírica e sonora, denunciando crianças mortas pela negligência de políticos e religiosos. Em seguida, “Jason Lives” presta homenagem ao ícone do terror, trazendo insanidade, velocidade e brutalidade dignas de um verdadeiro massacre sonoro.
Na poderosa “Warriors of Disgrace”, o ouvinte é levado a um mundo dominado pelo Rei Satanás, onde a humanidade paga por seus pecados. Já “The Dead Walk” faz referência ao clássico cinematográfico A Volta dos Mortos Vivos, descrevendo cadáveres que retornam para vagar pela Terra.
“Children Sacrifice” mergulha em um ritual profano, onde a religião é mostrada como encarnação do mal, responsável por assassinatos em massa de crianças. O álbum se encerra com a polêmica “Mr. Jesus Christ”, um questionamento direto a Cristo e à promessa nunca cumprida de sua volta, desmascarando a manipulação do Cristianismo.
Abominable Anno Domini é um marco do metal nacional. Com letras polêmicas, críticas contundentes à religião, política e militarismo, e uma sonoridade marcada por riffs espetaculares, bateria incessante e vocais avassaladores, o álbum se consolida como uma verdadeira obra-prima — brutal, intensa e atemporal.





