Charnel Winds – “Verschränkung” (2017)

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Charnel Winds“Verschränkung” (2017)
Feuer Publications

Nota: 7,0

Já ouviu um Blues/Black Metal?

Se não, pode pular para a segunda faixa deste álbum, “Avitchi Blues”, pois sua geometria é a mesma do Blues, nas linhas de guitarra e ritmo, mas construída pela estética Black Metal.

Sem dúvidas, é uma composição que reflete uma banda extremamente ousada e livre, que mistura vocais limpos, elementos mais intrincados e modernos, e até mesmo atonais, dentro dos tradicionalismos mais rotos do Black Metal, manufaturados sobre uma produção perfeita para a proposta, onde são contextualizáveis até mesmo os cortes abruptos ao fim das faixas.

“Verschränkung” é o segundo álbum da banda finlandesa Charnel Winds, que pratica um Black Metal experimental, indo muito além do simples adjetivo interessante, extrapolando as fronteiras do Black Metal, por vias progressivas, cadenciadas e depressivas.

Segundo a própria banda, “são uma oração silenciosa para chuva impetuosa e dissolutiva, uma canção de sirene bêbada acenando o mundo para o seio da morte”. Definitivamente, mais poético que a sua libertina execução musical, e também evidenciando um desnorteamento dentro da exploração que a banda se propõe.

Lançando mão do direito de exagerar, acabam com um resultado heterogêneo, onde algumas faixas ficam no limite de não serem bem vindas, mas, quando acertam a mão, como em “Atmâsphere”, “Rebellion”, “The Abyss Gazes Also” e “Beyond Null Reality”, o resultado é glorioso.

Dentre os destaques individuais, palmas para os guitarristas Shoo e Termuthis, que conseguem sacar os momentos musicalmente mais brilhantes do trabalho, unindo o requinte corrupto com o feeling ultrajante.

Além disso, os vocais de Shoo são um detalhe à parte, lembrando uma versão infernal de Frank Zappa, abusando dos trejeitos e afetamentos vocais, sejam eles, limpos, épicos, ou vomitados.

É apocalíptico, infernal, mas também tragicômico, épico, frenético. Ou seja, heterodoxo até mesmo para os ouvidos mais acostumados às transgressões musicais do Black Metal.

Confira, por sua conta e risco!

Marcelo Lopes Vieira

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