Metal na Lata

Chris Cornell – “A Biografia” (Livro) (2021)

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Título: “Chris Cornell – A Biografia”
Autor: Corbin Reiff
Tradução: Marcelo Vieira
Formato: Capa Dura

Páginas: 432
Editora: Estética Torta
Ano: 2021

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Quer queira você ou não, o Grunge no final dos anos 80 e início dos 90 foi um estilo que transcendeu a música. Para o bem ou para o mal exerceu uma influência enorme em muitos de nós. Quando falamos em Grunge, ou Seattle, não é só de Nirvana e o (hoje) chatíssimo Pearl Jam, mas sim bandas muito boas como por exemplo o grande Alice In Chains (se bem que essa eu não consigo enxergar como 100% Grunge, pois tem E MUITO Metal em sua sonoridade), Screaming Trees e a mais ‘sabbathica’ de todas, o Soundgarden, cujo maior impacto se devia, além dos riffs de guitarra de Kim Thayil inspiradíssimos em Tony Iommi – ao exímio vocalista Chris Cornell.

Chris nasceu no mesmo dia que eu, 20 de julho, mas 13 anos antes em 1964, então como bom canceriano provavelmente sei o que passou na vida. Nesta biografia, temos a narração de muitas dificuldades desde sua infância conturbada, como se tornou um fã e cantor de Rock após ter abandonado os estudos, assuntos polêmicos de sua vida pessoal e como vivia aquela geração – ou movimento, escolha a vontade – grunge numa espécie de imersão contextualizada e camuflada de biografia do próprio Soundgarden. Histórias de bastidores entre as bandas daquela cena, detalhes sobre o excelente projeto Temple Of The Dog, agonias pessoais, vícios, ascensões, tragédias, quedas, prêmios, hiatos e subidas na carreira, reunião do Soundgarden, até seu desfecho trágico de suicídio, em maio de 2017, que poderia SIM ter sido evitado com tratamento e maiores percepções de quem convivia com ele, tudo presente!

Logicamente que, todo o período após o hiato da banda, início de sua carreira solo, entrada no Audioslave,  etc, foram abordadas de forma que tudo se encaixasse. Seu alcance e técnica vocal eram incrível de 4 oitavas,o um barítono que esbanjava também alcances mais baixos, emoção, clima e as vezes até ternura, ou desespero sabendo depois de sua morte que sofria de grave depressão nesse que foi um dos músicos e artistas mais completos que o Rock já teve o prazer de ter.

Tudo isso é abordado em forma de narrativa de fácil compreensão, bem escrito e traduzido, cheio de detalhes, desenvolvido de forma linear e cronológica com total apoio da família de Chris, através de depoimentos de pessoas próximas ao músico, mesclado com entrevistas que o próprio Chris deu ao longo de sua carreira por todo o mundo. Uma coisa que reparei é que da metade para frente da história tudo foi meio contado de forma rápida em relação a primeira parte, mas nada que prejudique o andamento.

Confesso a você, caro leitor, que eu não era um grande fã de sua diversificada carreira solo, e até hoje não sei ao certo o real motivo que me fez deixar de apreciar sua arte, mas com o Soundgarden, Temple Of The Dog e Audioslave acompanhei todos os detalhes do início ao fim, e era/sou um grande fã.

Como apreciador de Rock e música em geral, todos devemos agradecer por ter nascido na mesma época desses grandes artistas que influenciaram gerações e gerações. O que me chateia um pouco, mesmo sendo um GRANDE fã de Nirvana é quando o assunto sobre Grunge e Seattle vem a tona em alguma conversa, as primeiras coisas que falam são: Kurt Cobain, Nirvana, Eddie Vedder, Pearl Jam, e Chris acaba vindo somente depois. Chris faz uma falta muito grande.

Esse livro não é só para quem é fã da banda e/ou do estilo/movimento, mas serve também para mostrar aos incrédulos que mesmo com sucesso, grana e luxo existe muita tristeza, decepção e amargura. Depressão não é frescura!!! Vício em drogas é uma doença! Ajude quem precisa!

Para encerrar essa resenha, lembro que na época da morte de Chris o seu empresário – que não lembro o nome agora – disse consternado que “não sabia que ele sofria de depressão, ele não demonstrava nada”. Vocês contam ou eu conto? Esse infeliz não enxergava e nem devia ler nenhuma letra de seu amigo, ops, apenas cliente.

Outro detalhe sórdido e macabro é que de todas as bandas daquela época, TODOS seus vocalistas não estão mais entre nós, exceto Eddie Vedder (Pearl Jam) e Mark Lanegan (Screaming Trees)!

Parabéns Estética Torta e todos os profissionais envolvidos nessa obra de EXTREMO bom gosto, pena que o final que todos conhecem da história não é o que gostaríamos que tivesse acontecido.

Johnny Z.

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