Evento: Cultura Underground #4
Bandas: 3D, Losna e Nervosa
Local: Teatro do SESC, Canoas/RS (04/03/2017)
A parceria entre o Coletivo Bil Bandas Independentes Locais, que desde 2005 produz shows, festivais e outras atrações de fomento à música na cidade de Canoas, mantendo um intercâmbio com músicos e bandas de todos os lugares, e o Sesc Canoas, com o apoio do Estúdio Navarro, possibilitou na noite do dia 04/03, três grandes shows, tendo como protagonistas, a presença feminina. As bandas 3D, Losna e Nervosa Thrash, não apenas fizeram grandes apresentações, como provaram (se é que isso ainda se faz necessário), a força das mulheres dentro do cenário Rock/Metal.
Com uma bela estrutura e excelente atendimento por parte da organização, o evento teve início pontualmente ás 20:00, com a 3D, a primeira banda punk gaúcha formada apenas por mulheres. Surgida em meio a efervescência da cena rockeira do bairro Bom Fim em Porto Alegre, o grupo liderado pela vocalista Ana Paula Rocha (única remanescente da formação original), mostrou toda a garra e fúria do punk/hardcore num setlist curto, porém extremamente eficiente! Uma pena que durante a apresentação das garotas, o público ainda era pequeno… Azar de quem não estava lá, pois perderam uma ótima apresentação da banda que hoje é formada pela vocalista Ana paula, pela guitarrista Mary O., pela baixista Liege Milk e pela baterista Letícia Rodrigues. Tendo como destaque a performance de Ana Paula Rocha, o grupo executou um total de 13 faixas, onde podemos destacar “Terceiro Mundo”, “Mal Educada”, “Eu Quero Ser Burguês”, “Nova Ordem”, “Mama Mas Não Mima” e o cover de “Star Bellied Boy” (cover do grupo Bikini Kill, o qual fará parte de um tributo onde banda gaúcha participará), que encerrou o show. parabéns ao grupo que honrou com muita garra e energia a bandeira do punk rock!
Na sequência, após um curto intervalo, subiu ao palco a experiente banda Losna. Formado em 2004 e contando com 4 álbuns em sua discografia, o trio formado por Fernanda Gomes (baixo e vocal), Débora Gomes (guitarra e backing vocal) e Marcelo Pedroso (bateria) pratica um thrash metal violento, com influências bastante intensas de death metal, criando uma espécie de crossover entre os dois estilos. O peso que a guitarrista Débora imprime chega a ser absurdo e recebe da cozinha formada por sua irmã Fernanda e pelo batera Marcelo um complemento na mesma intensidade. Porradas como as excelentes “Animal Instinct”, “Amaro Sapore” (um dos grandes destaques do mais recente trabalho do trio, o ótimo “Another Ophidian Extravaganza”, de 2015), “Back to The Grotto”, “Room 55″,” Mesmerized By Rotten Meat”, mostraram o poderio do grupo. Uma pena que no meio da apresentação aconteceu um problema com o baixo de Fernanda. Obviamente que isso é normal, mas acabou por quebrar um pouco o clima destruidor da apresentação. Mas isso não causou nenhum tipo de demérito, uma vez que logo após a solução do problema, a banda parece ter injetado uma dose extra de energia e adrenalina. O encerramento se deu com Serpent Egg, outra faixa pesada, veloz e muito brutal!
Logo após mais um rápido intervalo, era chegada a hora da grande atração da noite! A Nervosa estava de volta ao RS! Voltando de uma bem sucedida turnê no exterior ao lado do Destruction, o grupo formado por Fernanda Lira (baixo e vocal), Prika Amaral (guitarra) e pela “nova” baterista Luana Dametto, esbanjou simpatia e muita, mas muita pegada thrash em sua apresentação. Os palcos internacionais fizeram muito bem à banda. Basta perceber a presença de palco de Fernanda, que parece triplicar de tamanho na hora do show, tamanha a intensidade de sua performance. Divulgando o excelente “Agony”, o grupo apresentou 11 faixas, presentes em seus dois trabalhos (fazem parte da discografia do grupo o EP “Nervosa” de 2012 e o álbum “Victim Yourself”, lançado em 2014). Desde a abertura com Hypocrisy, passando por “Arrogance”, “Death”, “Intolerance Means War”, “Failed System”, “Masked Betrayer”,
“Hostages”, a porradaria insana de “Guerra Santa” (a preferida da baixista, presente neste setlist,com a qual sou “obrigado” a concordar”, “Theory of Conspiracy”, até o encerramento com o hino “Into Mosh Pit”, o trio mostrou o porquê de ser considerado uma das melhores bandas ao vivo da atualidade. Os riffs insanos de Prika, a pegada brutal e agressiva de Luana aliadas à já citada performance e técnica de Fernanda comprovam isso. Após o término do show, o grupo atendeu aos fãs durante um bom tempo, mostrando respeito e consideração áqueles que admiram seu trabalho.
Quero deixar registrado aqui, mais uma vez, um agradecimento ao Coletivo Bil Bandas Independentes Locais pelo atendimento. Também salientar a excelente localização do Sesc Canoas, pois fica próxima à Estação Canoas (Trensurb), além de possuir uma excelente estrutura. Outro ponto que é importante ressaltar foi o respeito aos horários marcados, o que facilita também o acesso ao transporte público. Que essa parceria permaneça firme e que renda ainda muitos frutos em prol do underground!
Texto e fotos por Sergiomar Menezes
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