Death Angel – “Relentless Retribution” (2010) (Relançamento 2025)

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Death Angel – “Relentless Retribution” (2010)
(Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ThrashMetal

Para fãs de: Forbidden, Anthrax, Exodus, Testament

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Lançado em setembro de 2010, Relentless Retribution marcou um novo capítulo na trajetória do Death Angel. Gravado nos estúdios Audio Hammer, na Flórida, com produção de Jason Suecof e Rob Cavestany, o álbum trouxe mudanças significativas na formação, sendo o primeiro trabalho com Damien Sisson no baixo e Will Carroll na bateria. Essas alterações parecem ter dado um fôlego diferente à sonoridade, que mescla o thrash visceral que consagrou a banda com nuances mais modernas e até ousadas para os ouvidos dos fãs mais tradicionais — os famosos “tr00zões” (risos).

A faixa de abertura, “Relentless Revolution”, já chega como um soco: rápida, agressiva e deixando claro que a banda não está para brincadeira. “Claws in So Deep” é um dos pontos altos, uma viagem de mais de sete minutos que combina peso, refrão melódico e uma participação acústica surpreendente da dupla Rodrigo y Gabriela, acrescentando uma camada inesperada ao disco. Ao longo do trabalho, músicas como “River of Rapture”, a cacetada “Truce”, “Into the Arms of Righteous Anger” (uma verdadeira rifferama) e as pancadas “This Hate” reforçam a veia clássica do Death Angel, repleta de riffs cortantes, boas mudanças de andamento e a energia que se espera de um thrash de respeito. Vale destacar também a aposta em algo mais “groovado”, com riffs abafados que aproximam o som da banda de nomes como Exodus e Testament.

Um dos grandes destaques do álbum são os vocais impressionantes do monstro Mark Osegueda, que demonstra incrível capacidade de equilibrar agressividade e melodia, adaptando-se ao estilo mais moderno da banda; com uma voz forte, ele transita com perfeição entre o canto cru e o mais melódico (ainda que cru), evidenciando uma clara evolução em sua técnica vocal.

O interessante é que o álbum não se limita apenas à velocidade e agressividade. Há espaço para atmosferas mais sombrias e até para momentos cadenciados, como em “Volcanic” e “Opponents at Side”, que dividem opiniões. A primeira, ao meu ver, não chega a ser ruim, mas é arrastada e pouco acrescenta, trazendo apenas uns dedilhados de violão clássico que não agradam quem busca pancadaria. Já a segunda é pesada e consistente, mas soa como algo que caberia melhor em um trabalho do The Organization (banda de Cavestany após o hiato do Death Angel).

Para alguns, essas passagens representam respiros criativos; para outros, quebras bruscas de ritmo que tiram o peso da obra. E talvez aí esteja a maior controvérsia de Relentless Retribution: a busca por variedade gera um resultado que nem sempre soa coeso, alternando entre momentos inspirados e tentativas menos convincentes. A produção extremamente polida, destacando bem cada instrumento, também divide opiniões. Por um lado, rejuvenescem o som do Death Angel, deixando-o mais robusto e impactante; por outro, afastam aquela sujeira característica do thrash mais cru. Mas sejamos honestos: quem acha que thrash precisa ser sujo o tempo todo está apenas perdendo a chance de ouvir algo mais bem lapidado (risos).

No saldo final, o disco é extremamente positivo. A arte de Brent Elliot White, inspirada em metáforas de traição e vingança, traduz bem o espírito do álbum: agressivo, mas com camadas e significados. Com pouco mais de 56 minutos de duração, é para muitos o trabalho mais forte da fase pós-reunião da banda. Não supera os clássicos dos anos 80, como The Ultra-Violence ou Act III, mas entrega frescor e peso em um registro ambicioso, que mostra um Death Angel disposto a arriscar e a atualizar sua fórmula sem abandonar suas raízes.

Para mim, Relentless Retribution é justamente isso: um álbum que exige audições repetidas, já que alterna entre momentos grandiosos e algumas escorregadas. Mas quando acerta — e na maior parte do tempo acerta em cheio — mostra um Death Angel vibrante, relevante e ainda faminto para provar ao mundo que segue na linha de frente do thrash metal.

Como curiosidade, foi com este álbum que a banda veio pela primeira vez ao Brasil, e quem vos escreve esteve presente nos dois shows, ficando grudado na grade a ponto de as cordas da guitarra de Cavestany esbarrarem no nariz e os dreadlocks de Osegueda se enroscarem nos óculos e jogá-los longe (risos). Sem contar o passeio pela Galeria do Rock que eu, Cavestany e Osegueda demos no dia seguinte. Inesquecível. Sim, eu sou um die hard fã do Death Angel, assumo, e nas outras vezes que vieram para São Paulo foi só alegria (risos).

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