Despised Icon – “Shadow Work” (2025)
Nuclear Blast Records
#Deathcore #Hardcore #DeathMetal #Grindcore
Para fãs de: Carnifex, Suicide Silence, All Shall Perish
Texto por Lucas David
Nota: 10
Considerados um dos criadores do Deathcore e uma das bandas mais influentes do metal extremo, o Despised Icon poderia simplesmente viver de suas glórias passadas, já que seus primeiros discos figuram entre os melhores do gênero e sua influência se estende desde 2002. Porém, o sexteto de Montreal manteve o foco e o fôlego ao longo dos anos, continuando a entregar trabalhos sólidos como “Beast” (2016) e “Purgatory” (2019). Indo na contramão daqueles que buscam apenas reconhecimento, o grupo segue fiel à sua essência, sem se preocupar em agradar ou buscar o mainstream.
Com isso em mente, Alex Erian (vocal), Éric Jarrin (guitarra), Steve Marois (vocal), Sebastien Piché (baixo), Alex Grind (bateria) e Ben Landreville (guitarra) lançaram “Shadow Work”, seu sétimo álbum — um trabalho feito para os puristas, para os fãs de longa data e para quem quer apreciar o metal extremo em seu estado mais puro e genuíno.
O disco abre com a faixa-título, uma avalanche de selvageria marcada por blast beats frenéticos e riffs cortantes. Os vocais alternados de Erian e Marois funcionam de forma única, equilibrando a brutalidade do Hardcore e os pig squeals característicos do Death Metal/Deathcore. A cozinha é absurdamente pesada e cria a base ideal para um solo de guitarra devastador. “Over My Dead Body”, primeiro single lançado, continua entre os grandes destaques do álbum. Os vocais exalam raiva e energia, impulsionados pela participação de Matthew Honeycutt (Kublai Khan TX), que adiciona ainda mais peso e agressividade Hardcore à faixa.
“Death Of An Artist” acelera o ritmo com uma sucessão de blast beats e solos marcantes, acompanhada de um videoclipe à altura. “Corpse Pose” adiciona mais violência à mistura, adotando uma pegada Old School e encerrando com um breakdown sinistro e uma performance vocal monstruosa de Marois. “The Apparition” traz nuances de Black Metal em algumas passagens de guitarra e nos vocais rasgados e sombrios de Marois.
Em “Reaper”, temos um verdadeiro “dream team” de vocalistas, com as participações de Scott Lewis (Carnifex) e Tom Barber (Chelsea Grin, Darko US), criando um ataque vocal quase intransponível. O resultado é uma das faixas mais pesadas do álbum, com andamento mais lento e um breakdown demolidor. “Obsessive Compulsive Disaster” promete incendiar os shows com seu ritmo veloz, refrão grudento e peso colossal. A bateria de Grind é um espetáculo à parte — viradas rápidas, precisão cirúrgica e explosões rítmicas que conduzem grooves irresistíveis, daqueles que fazem qualquer um bater cabeça sem pensar duas vezes.
Ainda há espaço para “ContreCoeur”, cantada em francês, que adiciona uma pegada Grindcore e despeja pura fúria em apenas um minuto e meio.
Mesmo após tantos anos de carreira e entre diversas turnês, o Despised Icon mostra que não perdeu o vigor criativo. “Shadow Work” é a prova viva da força e da determinação de um grupo que não teme ser extremo — e que continua a reinar em um gênero que ele próprio ajudou a moldar. Trust the process, pain is progress!





