Destruction – Espaço 555, São Paulo/SP (23/09/2018)

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Banda principal: Destruction
Banda de abertura: Nervosa
Local: Espaço 555, São Paulo/SP
Data: 23/09/2018
Produção: TC7 Produções | Live Co.
Assessoria: LP Metal Press

Texto e vídeo por Mauro Antunes
Fotos por Luciano Piantonni

Em pleno domingão de muito sol em São Paulo, e com outros shows acontecendo na cidade para o público do Heavy Metal (Shaman e Killing Joke), era de se esperar uma presença de público que não fosse de acordo com o tamanho das duas bandas que iriam se apresentar, o que felizmente não ocorreu, já que o público presente lotou as dependências do Espaço 555, casa situada no centro de São Paulo ao lado da Galeria do Rock.

A demora para abertura dos portões começou a gerar certo desconforto no público e a fila já estava realmente grande e ninguém responsável pela casa estava disposto a dar qualquer explicação do porquê o atraso. Ficar na fila aquele tempo só me fez ver e refletir sobre como está a situação lastimável do centro de São Paulo, sendo que estávamos a pouco metros de um dos cruzamentos mais famosos da cidade, o da Avenida São João com a Avenida Ipiranga, imortalizado em uma canção de Caetano Veloso, porém isso não é nosso assunto aqui.

Ao entramos na casa, fomos finalmente informados do cancelamento do voo que saiu de Manaus e traria a São Paulo as duas bandas, ou seja ambas chegaram para a passagem do som por volta das 18hs. A casa só foi aberta pouco antes das 20hs, e de cara pudemos notar as barracas de merchandise com bons produtos das duas bandas que iriam se apresentar: camisetas, CDs, vinis e vários outros itens que fizeram a alegria dos fãs.

As 20:35hs as thrashers da Nervosa subiram ao palco e nem pareciam se importar com o cansaço físico que era nítido entre as meninas. Infelizmente, devido ao atraso para o início do show, algumas faixas do setlist tiveram que ser limadas, como “Arrogance”, “Justice Be Done”, “Bleeding” e “Raise Your Fist”. Durante umas das rápidas pausas no show, Fernanda Lira (vocal/baixo) contou sobre a experiência de ficarem sem dormir na viagem Manaus-São Paulo, mas não dava para esconder a emoção de tocarem em casa. Os principais hits da banda foram executados, como a já clássica “Masked Betrayer”, as pesadíssimas “Hostages” e “Never Forget, Never Repeat” onde pudemos sentir a pegada Death Metal que ficou mais evidente após a entrada da baterista Luana Dametto, e a cheia de groove “Vultures”, sendo essas as que mais cativaram o público até o encerramento com “Into Moshpit”, quando a roda abriu-se na pista do Espaço 555 encerrando o show que teve quase 50 minutos de duração. Realmente impressiona a maturidade das meninas e que a experiência de tantas turnês internacionais feitas pela banda nestes últimos anos levou-as a um patamar que poucas bandas brasileiras alcançaram.

Setlist Nervosa:

Horrordome
Death!
Enslave
Hostages
Masked Betrayer
Never Forget, Never Repeat
Vultures
Kill the Silence
Fear, Violence and Massacre
Intolerance Means War
Into Moshpit

Pouco mais de 20 minutos de intervalo e os carniceiros alemães do Destruction subiram ao palco sem demonstrar um pingo de cansaço e prontos para sacudir o Espaço 555. Logo de cara “Curse the Gods”, um de seus principais hinos, quase colocou abaixo a casa. Não demorou muito para Schmier (vocal/baixo) dar ao público o seu relato sobre os problemas com a companhia aérea que cancelou o voo deles à São Paulo, inclusive citando o nome da empresa e dando aquele famoso “vão se foder” a eles. Um breve momento de descontração que rapidamente foi superando com mais clássicos do Thrash Metal, como “Tormentor”, “Mad Butcher”, ”Eternal Ban” e “Total Disaster”, sem espaço para firulas.

Outro momento descontraído do show foi quando Schmier pediu ao seu roadie uma cerveja. Após receber, ele sorriu e disse que aquela marca de cerveja (aquela do rótulo vermelho), não era cerveja de verdade e jogou com cuidado na pista sobre a cabeça do público que se deliciou com o banho que levaram. Outro grande momento do show foi “Black Mass”, faixa esta que foi tocada pela primeira vez no nosso país, e na sequência a ótima instrumental “Thrash Attack”, mostrando que não só de clássicos dos anos 80 vive a carreira do Destrtuction.

Após o hino “Thrash ‘Till Death”,  do álbum “The AntiChrist” (2001), Schmier propôs uma votação para que o público decidisse qual seria a próxima faixa: “Fuckin’ USA” (cover do The Exploited) ou a clássica “Invincible Force”, e que para aqueles fãs de carteirinha como este redator, nenhuma surpresa em saber que a segunda música foi a mais votada pelo público. Recomeçaram a porradaria recomeçou até o fim do setlist com “Bestial Invasion”, onde Schmier deu uma leve provocada nos brasileiros após o famoso 7×1 da seleção de futebol alemã sobre a brasileira em 2014. Um show irrepreensível, com uma participação do público que poucas vezes vi em um show na cidade de São Paulo, sem contar o grau de loucura ensandecida todo o tempo com rodas violentas na pista em quase todas as músicas. Apesar do horário bem adiantado, por volta de 23:20hs, valeu muito a pena cada minuto do show.

Pontos negativos apenas para a casa: não havia ninguém na porta da casa para informar ao público o motivo do atraso para a abertura dos portões e a fila, que não parava de aumentar, trazia no rosto dos fãs a insatisfação com a situação. Outro ponto foi ver diversas pessoas fumando dentro da casa, e não ver nenhuma ação da segurança local contra isso, desobedecendo a lei de proibição ao fumo em locais fechados. Uma lástima, mas que em nada podemos apontar como falha da produção que fez o seu papel corretamente levando dois grandes shows aos presentes.

Nunca é demais ver um dos maiores ícones da história da música pesada em ação. O Destruction já virou figurinha carimbada em nosso país, o que nos torna um público extremamente abençoado por tê-los sempre por aqui. Que continuem sua saga e nunca deixem de vir ao Brasil! Showzaço!!

Setlist Destruction:

Curse the Gods
Armageddonizer
Tormentor
Nailed to the Cross
Mad Butcher
Dethroned
Life without Sense
Release from Agony
The Ritual
Eternal Ban
Total Disaster
Drum Solo
Antichrist
Black Mass
Thrash Attack
The Butcher Strikes Back
Thrash ‘Till Death
Invincible Force
Bestial Invasion

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