Diatribes – “Degenerate” (2026)
Brutal Records | True Metal Records
#DeathMetal #ThrashMetal #GrooveMetal
Para fãs de: Vader, Legion Of The Damned, At The Gates, Malevolent Creation, Kataklysm, Lamb Of God, Slayer
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,5
O metal brasileiro sempre encontrou em São Paulo um terreno fértil para novas manifestações de brutalidade sonora, talvez por conta da vida intensa e insana que nós paulistanos enfrentamos diariamente, entre caos, violência e a famigerada correria. Tudo vira influência (risos). É justamente desse ambiente que surge a banda Diatribes, que estreia com Degenerate, um trabalho que combina tradição e modernidade dentro do espectro do Death/Thrash Metal, incorporando ainda elementos de groove que ampliam a intensidade rítmica e a pegada contemporânea da proposta.
Logo de início, o álbum deixa claro que sua base estética está firmemente ancorada no peso e na agressividade. A abertura, com “Death’s Echo Chants”, funciona como uma preparação atmosférica para o que vem a seguir, criando uma ambientação sombria antes da explosão de riffs e velocidade. A partir daí, a banda passa a explorar diferentes nuances dentro do metal extremo, alternando momentos de velocidade cortante com passagens mais cadenciadas e opressivas.
“The Witch” apresenta um ataque direto de guitarras afiadas, sustentadas por uma condução vocal agressiva que alterna entre registros guturais e linhas rasgadas muito bem sustentadas por Danilo Luna. O resultado é uma faixa que sintetiza bem a proposta do grupo: brutalidade sem perder definição e se autoplagiar. Já “Hostility Within” destaca uma base rítmica sólida, na qual baixo e bateria estabelecem um groove pesado que dá sustentação aos riffs pesadíssimos de guitarras, criando uma dinâmica pulsante e dilacerante.
O álbum também mostra que a banda sabe trabalhar variações de andamento. “My Own Hell” aposta em um ritmo mais arrastado e sufocante, reforçando a atmosfera densa do álbum, enquanto “Masquerade” acelera drasticamente, mergulhando em uma abordagem thrash direta e agressiva, com riffs rápidos e cortantes que remetem diretamente ao Slayer. Quem no metal pesado não se influenciou por esses caras? Impossível dizer o contrário (risos).
Entre os momentos de respiro, estão as passagens instrumentais, como “Lost Soul”, que traz uma abordagem melódica melancólica e ajuda a reorganizar o fluxo do álbum, antes que a banda volte ao ataque com os dois pés na porta. Não sou muito fã desses interlúdios, eu geralmente escuto uma vez e pulo nas audições seguintes, mas tenho que dar a mão a palmatória: aqui funcionam como pausas estratégicas dentro de uma obra que, em sua essência, é marcada por intensidade constante como um rolo compressor descendo ladeiro abaixo!
A sequência central do disco mantém o nível elevado. “Vicious Circle” destaca o peso do baixo, que aparece com presença marcante na mixagem, reforçando um dos pontos altos: a densidade sonora do todo. A mixagem deixa todos os instrumentos pulsantes e cheio de ‘pressão no peito’. Já “Last Enemy” retorna à velocidade extrema, com uma execução precisa e agressiva que evidencia a técnica dos músicos, leia-se: arrasa-quarteirão.
Em “Three Down”, o groove assume protagonismo, trazendo riffs que priorizam impacto e peso, enquanto “Brutal Sarcasm” mergulha em estruturas mais complexas, explorando mudanças de tempo e arranjos mais elaborados. Quem disse que músico de Death Metal não tem noção disso está redondamente errado! Esse contraste entre simplicidade brutal e momentos técnicos contribui para manter o álbum interessante ao longo de suas treze faixas.
O clímax surge com “Empire of Hate”, uma das composições mais grandiosas do disco, onde todos os elementos da banda convergem em uma avalanche sonora intensa. A faixa-título, “Degenerate”, encerra o trabalho sintetizando bem a identidade criada pela Diatribes: riffs pesados, vocais agressivos, peso descomunal e uma construção musical que equilibra violência sonora e precisão técnica para fã nenhum botar defeito.
A produção é um dos pontos fortes do álbum. Gravado, mixado e masterizado brilhantemente por Niko Teixeira no Audiolab Extreme Studio, o disco evita a artificialidade excessiva que domina parte das produções modernas de metal. O som mantém uma sensação orgânica, forte, especialmente na bateria — primorosamente gravada também por Niko —, que soa poderosa e natural, sem depender de exageros digitais ou outros artifícios.
As guitarras são como um coice de mamute na cara e ocupam espaços bem definidos na mixagem, permitindo que cada riff seja percebido com clareza, enquanto o baixo aparece com presença marcante para reforçar o peso geral do material. A masterização também respeita a dinâmica do álbum, evitando o excesso de compressão e permitindo que as mudanças de intensidade realmente tenham impacto.
Em termos temáticos, Degenerate traz reflexões sobre conflitos internos, decadência social, hipocrisia coletiva e o colapso de estruturas humanas. As letras exploram esses elementos dentro de uma perspectiva sombria, alinhando-se perfeitamente com a atmosfera sonora densa que permeia o disco.
Como estreia, Degenerate se mostra um trabalho sólido e convincente dentro do metal extremo brasileiro. O Diatribes demonstra domínio técnico, identidade musical e uma produção que valoriza a força real dos instrumentos. É um álbum que dialoga com a tradição do gênero, mas também aponta para uma abordagem contemporânea do peso. Com certeza, o Diatribes estará no pódio dos melhores lançamentos do ano.





