Symphony X – Tokio Marine Hall, São Paulo/SP (20/03/2026)

Symphony-X-Tour-Top-Link-Music
Compartilhe

Symphony X – Tokio Marine Hall, São Paulo/SP (20/03/2026)

Produção e Assessoria: Top Link Music
Abertura: Andy Addams

Texto por Mauro Antunes
Fotos por Alessandra Rosato

Sexta-feira à noite, o trânsito em São Paulo é sempre intenso, e, neste dia, parece que a situação foi ainda pior. Para quem mora na Zona Oeste da cidade, como é o meu caso, enfrentar a Marginal Pinheiros quase de ponta a ponta é tarefa para os mais bravos. Obviamente, poderia ter usado o trem, mas o receio de que o show acabasse após a meia-noite falou mais alto e, portanto, tive que ir de carro. Foram mais de uma hora e meia parado, e quase perdi o início da banda de abertura, o trio instrumental capitaneado pelo guitarrista colombiano Andy Addams.

Confesso que não o conhecia e entendo que a produção do show acertou ao colocá-lo como abertura do Symphony X, devido à similaridade das propostas musicais. A técnica de Andy realmente é de “encher os ouvidos”. No setlist, não poderia faltar sua principal faixa, “Everlasting Faith”, além de um poderoso medley instrumental contendo clássicos de Journey e Dream Theater, por exemplo. Acompanhado da baixista/guitarrista Elizabeth Schembri e do baterista mexicano Chucho Romus, o trio cumpriu sua missão de aquecer o público para o show principal. Quem gosta de Symphony X não tem como, ao menos, não apreciar o power trio.

Foram pouco mais de 40 minutos de apresentação e, após o término, a pista do Tokio Marine Hall começou a encher de verdade. Impressionou a quantidade de jovens na faixa dos 18, 19 anos presentes ao show. Todos (ou quase!) usando camiseta da banda, o que soou bastante interessante de observar — algo não muito comum em grupos com uma pegada mais técnica e progressiva, como foi o caso aqui.

Pontualmente às 22h, o show começou com a cavalaria entrando em cena. Russell Allen entrou com tudo no clássico “Of Sins and Shadows”, uma das composições mais rápidas e pesadas da carreira do Symphony X. O setlist seguiu com mais três faixas de The Divine Wings of Tragedy (1997). “Sea of Lies” manteve a fórmula de peso e velocidade característica do início de carreira. Michael Romeo (guitarra) e Michael LePond (baixo) juntaram forças e a transformaram em quase uma batalha de cordas. Que espetáculo!

“Out of the Ashes” manteve o pique nas alturas, e a longa e cheia de nuances “The Accolade” foi um dos pontos altos da apresentação. Michael Pinnella (teclados) foi quem mais se sobressaiu, reproduzindo ao vivo, com fidelidade, o que ouvimos na versão original. Esse foi um dos momentos em que o fã mais dedicado enlouqueceu, com olhos e ouvidos grudados no palco. Mas, até então, apenas um terço do setlist havia sido executado.

Ainda nos anos 90, fomos presenteados com “Smoke and Mirrors”, outro hino pesado e com elevada dose de virtuosismo (quem nunca ouviu essa expressão quando o assunto são bandas de prog metal?). Seguindo a ordem cronológica, a banda avançou para os anos 2000 com “Evolution (The Grand Design)” e a quase balada “Communion and the Oracle”, que, para mim, foi a melhor do show, momento em que a banda explicitou diversas influências além do heavy metal. Repleta de melodia, é daquelas músicas ideais para relaxar, tomar uma cerveja e apreciar.

“Inferno (Unleash the Fire)” mostra o lado mais técnico (se é que ainda é possível ir além!) e versátil, soando como uma espécie de Rush do heavy metal. Aqui, ouve-se de tudo em pouco tempo. Fechando o set principal, “Nevermore”, faixa do trabalho mais recente da banda, Underworld (2015), surge como forte candidata a música mais pesada do Symphony X. Um riff matador, executado com precisão ao vivo — e que ganha ainda mais força no palco. Soberba!

Mas ainda havia o bis. “Without You” veio após uma breve interação de Russell Allen com o público, reforçando também o lado mais melódico da banda, sem perder a criatividade característica — em especial de Michael Romeo, que nos brindou com um belo solo. “Dehumanized” e “Set the World on Fire (The Lie of Lies)” foram um deleite para quem aprecia solos alucinantes de todos os integrantes do quinteto. Tem quem ame, tem quem odeie, mas aqui, sem exageros típicos de músicos experientes, conseguiram agradar — até porque todos sabiam que era o encerramento, e a ideia era curtir como se não houvesse amanhã.

Apesar de um show relativamente curto (encerrado pontualmente às 23h37) para uma banda com tantas músicas longas, os fãs não tiveram do que reclamar. Como de costume, a banda interagiu pouco com o público, o que acaba sendo um ponto negativo na avaliação geral.

E, quando a casa foi esvaziando, ainda foi possível acompanhar um set de covers que animava o ambiente. Por volta de meia-noite e meia, a noite chegou definitivamente ao fim.

Deixamos aqui nosso agradecimento à toda equipe da produtora Top Link Music pelo credenciamento e respeito ao nosso trabalho.

Setlist:

Of Sins and Shadows
Sea of Lies
Out of the Ashes
The Accolade
Smoke and Mirrors
Evolution (The Grand Design)
Communion and the Oracle
Inferno (Unleash the Fire)
Nevermore
Without You
Dehumanized
Set the World on Fire (The Lie of Lies)

Compartilhe
Assuntos

Veja também