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Discos que destacam o baixo, capítulo 3

Discos que destacam o baixo, capítulo 3

Dentre os instrumentos de corda presentes no Rock/Metal, a relevância do baixo sempre foi menor que a da guitarra. Ainda assim, são muitos os apaixonados por esse som que é o elemento que serve de ligação entre o ritmo e a harmonia musical. Essa paixão é plenamente justificável, já que há alguns discos históricos nos quais o baixo ganhou pleno destaque.

Seja por causa da criatividade, capacidade técnica do baixista ou pela capacidade do produtor musical, há álbuns que produziram sons de baixo que estão além do limite da perfeição. Ou seja, seus timbres beiram o inalcançável.

O terceiro capítulo traz discos de diversos estilos e época, mas que destacam a sonoridade do baixo em seu contexto musical.

Deep Purple – “Machine Head” (1972)

Texto por Cristiano Ruiz

Já fiz vários artigos contando várias histórias sobre o sexto full lenght do Deep Purple, “Machine Head”, no entanto, nunca destaquei o trabalho de baixo de Roger Glover como deveria. Lançado em 25/03/1972, “Machine Head” é o álbum mais relevante da carreira do Deep Purple, assim como o registro de maior sucesso comercial. Embora tenhamos, originalmente, sete canções perfeitas, em especial, “Highway Star”, “Pictures Of Home”, “Smoke On The Water”, “Lazy” e “Space Truckin´” endossam a afirmação da frase anterior.

Ao propósito de reverenciar o destaque do baixo desse disco fantástico, duas citações especiais devem estar aqui: em primeiro lugar, o trabalho de produção de Martin Birch que, mesmo em condições adversas, conseguiu produzir um dos magnum opus de seu portfólio; em segudo lugar, a precisão ténica da gravação e os arranjos perfeitos de Glover, principalmente no solo que ele executou em “Pictures Of Home” ou nas linhas de baixos perfeitas de “Highway Star”, “Maybe I’m Leo” e “Lazy”.

Tente ouvir esse clássico por “um ângulo” dessa vez, com atenção totalmente voltada a perfomence de Roger Glover.

Faith No More – “Angel Dust” (1992)

Texto por Johnny Z.

“Angel Dust” – Quando o baixo virou alma e veneno do Faith No More

Lançado em 1992, “Angel Dust” não é só um dos discos mais ousados da década de 90 — ele é um verdadeiro campo de batalha sonoro, onde gêneros se chocam, estruturas se desmancham e tudo parece caminhar para o caos. E é justamente nesse caos que o Faith No More encontrou sua identidade definitiva. Se “The Real Thing” colocou a banda no mapa, “Angel Dust” foi o momento em que eles rasgaram esse mapa e criaram um novo mundo.

No centro dessa revolução está o baixo de Billy Gould — não apenas um instrumento de apoio, mas uma força motriz, um narrador oculto da insanidade que o álbum propõe. Gould não se contenta em fazer a base: ele guia, provoca, distorce, sustenta e, muitas vezes, leva as músicas ao colapso necessário para renascerem diferentes.

Basta ouvir a faixa de abertura, “Land of Sunshine”, para entender o recado. O baixo entra como uma locomotiva, seco e sincopado, costurando os sintetizadores psicodélicos e a bateria cravada com uma segurança que beira a arrogância. É ele quem dita o groove, mas com uma sujeira proposital, como se dissesse: “isso aqui não é pra ser limpo, é pra ser sentido”.

Em “Caffeine” e “Everything’s Ruined”, Gould usa o baixo quase como um elemento percussivo, alternando entre linhas melódicas inventivas e ataques mais crus. É uma aula de dinâmica e de como usar o silêncio e o espaço a seu favor. Já em “Midlife Crisis” — o hit mais conhecido do disco —, o baixo pulsa hipnótico e sensual, como uma espinha dorsal funky que sustenta os vocais camaleônicos de Mike Patton. Sem o groove minimalista de Gould, a faixa perderia completamente o impacto.

O álbum também brilha nas experimentações. “RV” tem um clima de música de elevador que desanda num redemoinho emocional, e ali está o baixo novamente, discreto, quase zombando de quem tenta entender o que está acontecendo. Em “Malpractice”, o baixo assume uma postura mais industrial, reforçando o clima sombrio e agressivo que a faixa propõe. Não é exagero dizer que o som de “Angel Dust” seria irreconhecível sem a presença constante, quase obsessiva, de Billy Gould.

O baixo é destaque em todos os momentos do álbum. O mais interessante é que, mesmo com guitarras pesadas, teclados excêntricos e vocais teatrais, o baixo nunca é ofuscado. Ele está presente em todas as camadas — às vezes sutil, às vezes gritando, mas sempre essencial. E não é só técnica: é personalidade. Gould imprime no instrumento a alma contestadora do disco. Ele não quer agradar. Ele quer provocar.

“Angel Dust” é em muitos casos desconfortável para ouvidos sensíveis, irônico, imprevisível. Um álbum que exige do ouvinte e que recompensa cada nova audição com descobertas. E no meio de tudo isso, o baixo é a voz que cochicha no seu ouvido, rindo enquanto o mundo pega fogo.

Iron Maiden – “Killers” (1981)

Texto por Cristiano Ruiz

Em 2/2/1981, a banda britânica de Heavy Metal, Iron Maiden, lançou o seu segundo full lenght, “Killers”. Esse disco não é tão somente o primeiro registro multi premiado da Donzela de Ferro, como também representa várias transições, pois é o último trabalho de estúdio a contar com a voz de Paul Di’anno, o primeiro do guitarrista Adrian Smith (que substituiu Dennis Stratton) e a estreia de Martin Birch (Deep Purple, Rainbow, Black Sabbath, Blue Oÿester Cult, etc) como produtor do então quinteto. Aliás, o saudoso Birch permaneceu até o álbum “Fear Of The Dark”, quando anunciou sua aposentadoria definitiva.

O baixista e compositor Steve Harris, que sempre foi o “chefão” do pedaço, já havia se destacado no debut homônimo, contudo, não tão veementemente como em “Killers”. “Wrathchild”, “Killers” e “Prodigal Son” seriam os melhores exemplos dessa competência de Harris, não fosse a maravilhosa linha de baixo da introdução de “Murders in the Rue Morgue”, uma das faixas mais supremas dessa obra de arte. Ainda que essas quatro músicas sirvam de exemplo para o destaque do trabalho de Harris em “Killers”, não há uma única canção desse disco que não contenha um linha de baixo trabalhada e cheia de detalhes melódicos. Além disso, “Killers” faz parte de lançamentos que definem o mais puro Heavy Metal.

Rush – “Moving Pictures” (1981)

Texto por Cristiano Ruiz

“Moving Pictures”, oitavo álbum completo do Rush, chegou ao mundo em 12/2/1981. Na verdade, qualquer um dos discos do Rush poderia estar aqui, já que o baixo de Geddy Lee, que também é vocalista, sempre se destacou nos trabalhos do Power Trio canadense de Toronto. Entretanto, “Moving Pictures” está entre os discos de maior destaque do Rush, então sua escolha é justificável.

As faixas “Tom Sawyer”, “Limelight”, “Vital Signs” e, principalmente, o tema instrumental “YYZ” mostram explicitamente o porquê de considerarem Geddy Lee um dos melhores baixistas de Rock de todos os tempos. Detalhe, ele executa todas essas linhas ao vivo com total precisão, cantando ao mesmo tempo. Particularmente, creio que os arranjos de baixo de “Tom Sawyer” e “YYZ” estão entre os mais incríveis que já foram gravados no que se diz respeito a Prog Rock, pois não se trata apenas de técnica, mas sim une técnica a beleza musical e ao sentido da melodia.

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