Doro – “Raise Your Fist” (2012)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#HeavyMetal
Para fãs de: Judas Priest, Warlock, Saxon, Accept
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,0
Com décadas de estrada desde os tempos do Warlock, Doro sempre fez questão de manter intacto seu espírito guerreiro e sua devoção inabalável aos fãs — e isso transparece em cada faixa deste trabalho. Logo na abertura, a faixa-título “Raise Your Fist in the Air” dá o tom com um refrão poderoso, daqueles feitos sob medida para ser entoado com garra nos shows e literalmente punhos erguidos. Essa música é praticamente uma declaração de princípios: uma celebração da união da comunidade metal e da força interior que todos carregam. É impressionante como ela ainda consegue transmitir tanta energia e frescor em uma fórmula que, na mão de outros artistas, poderia soar apenas nostálgica. Só analisar que, em todo show de Doro você JAMAIS a verá cabisbaixa ou insossa, pelo contrário, SEMPRE é pura energia, risos de orelha a orelha e 100% de energia/sinergia com o público.
O disco todo transita entre hinos cheios de energia e momentos mais emotivos. Doro, como sempre, alterna o vocal rasgado com passagens melódicas carregadas de paixão. Em faixas como “Revenge” e “Rock Till Death”, fica evidente aquela atmosfera tradicional de heavy metal alemão, com riffs simples e diretos, refrões grudentos e um espírito quase juvenil de celebração do rock. Uma coisa que me chamou atenção é como tudo soa espontâneo, sem a obrigação de parecer moderno a qualquer custo e sempre preferindo ser fiel à sua essência a embarcar em tendências passageiras.
Entre os pontos mais fortes do disco está a balada “Hero”, uma homenagem sincera e emocionante ao saudoso Ronnie James Dio, falecido em 2010. Nela, Doro soa vulnerável e, ao mesmo tempo, orgulhosa de carregar esse legado. É uma faixa que tem um lirismo muito bonito e chega a lembrar a maneira como Dio também fazia de suas músicas pequenos manifestos de coragem. Da mesma forma, “Engel” surpreende ao trazer versos em alemão e uma carga emotiva intensa, mostrando que, mesmo nos momentos mais suaves, ela mantém a integridade artística.
Outro destaque que faz este álbum ter um brilho especial são as participações (do hoje também saudoso) Lemmy Kilmister, que divide os vocais com Doro em “It Still Hurts”, criando uma balada delicada e cheia de melancolia, praticamente um diálogo entre duas lendas que sempre se respeitaram muito. Essa faixa, na minha opinião, é um dos grandes momentos de todo o repertório de Doro, pois emociona pela sinceridade e pelo peso simbólico. Já Gus G., conhecido por seu trabalho com o Firewind e Ozzy Osbourne, aparece em “Grab the Bull (Last Man Standing)” como convidado entregando solos cheios de personalidade e um tempero extra de virtuosismo e técnica apurada.
A produção de Raise Your Fist é outro ponto que me agradou muito. O disco soa polido, mas sem perder a pegada orgânica que sempre caracterizou o trabalho da Doro. Há uma preocupação evidente em dar espaço aos instrumentos e valorizar a força da voz, criando uma sonoridade ao mesmo tempo moderna e fiel ao espírito do metal clássico. Conheço bem a carreira de Doro, e sem dúvidas é um dos álbuns com melhor equilíbrio entre peso e melodia na discografia dela — e, de fato, fica essa sensação ao longo da audição.
No fim das contas, este álbum de 13 faixas funciona como um presente para quem sempre acompanhou sua trajetória. Não é uma obra revolucionária, mas é um registro honesto e apaixonado, que evidencia a força de Doro como artista e como símbolo de perseverança. Raise Your Fist soa como um abraço caloroso nos fãs, lembrando que, mesmo após tantos anos na estrada, ainda é possível cantar sobre união, coragem e esperança com sinceridade e entrega, sem transformar em clichê (o som é bom? quem liga para isso?). Para quem busca heavy metal tradicional bem executado, com refrões épicos e aquele carisma que só Doro tem, este disco é praticamente obrigatório.





