The Troops Of Doom – Sesc Belenzinho, São Paulo/SP (12/07/2025)
Texto e fotos por Lucca Ferreira
Que o cenário do metal brasileiro é um terreno fértil para bandas de vertentes extremas todos nós já sabemos. Desde os anos 80, o nosso país se destaca globalmente pelos mais diversos nomes surgidos por aqui, como Krisiun, Sarcófago, Torture Squad, Claustrofobia e, claro, o Sepultura.
Felizmente, essa veia pulsante parece estar longe de acabar — ou sequer enfraquecer. Prova disso é o surgimento, em 2020, do The Troops Of Doom, banda liderada por Jairo Guedz, o primeiro guitarrista do Sepultura.
A julgar pelo nome da banda e pela presença do já conhecido “Tormentor”, sabemos exatamente o que esperar em termos de som — e foi isso que a cidade de São Paulo presenciou no último sábado (12), no Sesc Belenzinho: uma verdadeira aula de metal extremo nos puros moldes dos anos 80.
Às vésperas do chamado “Dia Mundial do Rock”, todo fã do estilo tinha um compromisso: comparecer ao show da banda. E o compromisso foi devidamente cumprido, com ingressos totalmente esgotados.
Para contextualizar brevemente, o The Troops Of Doom está atualmente em turnê de divulgação do seu segundo álbum A Mass To Grotesque, lançado em maio do ano passado. Além dele, o quarteto possui outro álbum completo (Antichrist Reborn, de 2022) e três EPs — The Rise Of Heresy, Absence Of Light e Prelude To Blasphemy, lançados respectivamente em 2020, 2021 e 2023.
O relógio marcava 20h30, horário previsto para a apresentação, quando a banda subiu ao palco sob os gritos do público. Alex Kafer (vocal e baixo), Jairo Guedz e Marcelo Vasco (guitarras) e Alexandre Oliveira (bateria) iniciaram o show com a música que abre o EP Absence Of Light, a pesadíssima “Act I – The Devil’s Tail”, seguida pelas igualmente brutais “Chapels Of The Unholy” e “Far From Your God”. Nesse ponto, já era evidente que, apesar do foco no álbum mais recente, a banda estava comprometida em revisitar todo o seu repertório. E, como mencionado anteriormente, o nome da banda e a presença de Jairo já indicam que teríamos uma dose de Sepultura no setlist.
Pois bem, após a trinca inicial, as luzes se apagaram e começou a lendária introdução de “The Curse”, faixa que abre o primeiro EP do Sepultura, Bestial Devastation. A própria faixa-título veio na sequência, levando o público ao delírio, com direito a “moshs” em plena comedoria do Sesc.
Na sequência, tivemos mais uma trinca de peso que percorreu todo o repertório da banda: “Act II – The Monarch” (originalmente gravada com o vocalista Jeff Becerra, do Possessed), “The Rise Of Heresy” e “Denied Divinity” mantiveram o clima de verdadeiro pandemônio mais vivo do que nunca — tudo amplificado pela presença de palco e interação intensa de Alex Kafer com o público.
Logo após uma breve e bem-humorada interação com a plateia, Jairo anunciou outra música do Sepultura: “Morbid Visions”. Nem precisa comentar como o público reagiu, certo?
Engana-se quem pensava que a apresentação já se aproximava do fim. Após essa brilhante homenagem aos tempos de Sepultura com Jairo na formação, vieram mais duas músicas do álbum Antichrist Reborn e uma do EP The Rise Of Heresy: “Dethroned Messiah”, “A Queda” (originalmente gravada com vocais de João Gordo) e “The Confessional”. Em uma performance intensa, interativa e praticamente sem pausas — exceto pelas introduções de algumas faixas — o The Troops Of Doom demonstrava toda sua energia, vitalidade e espírito old school. A química entre os quatro integrantes é evidente e extremamente entrosada.
Caminhando para a reta final, “Altar Of Delusion” e “Dawn Of Mephisto” foram as certeiras escolhas do quarteto para encerrar a apresentação… ou quase isso.
O que poderia ser mais justo do que fechar com a faixa do Sepultura que inspirou o nome da banda? E assim foi. O maior mosh pit da noite se formou ao som de “Troops Of Doom”, executada com absoluta maestria.
Dessa forma, o show chegou ao fim após mais de uma hora seguida do mais puro e intenso death metal. Para o público presente, uma verdadeira aula de como se fazer som de maneira orgânica e genuína; para a banda, uma noite de casa cheia, ingressos esgotados e uma plateia enlouquecida — perfeita para aquecer o frio que anda tomando conta da cidade nas últimas semanas.
Vale ressaltar que, após o show, toda a banda desceu e fez questão de tirar fotos e dar autógrafos a todos os presentes na casa, reforçando ainda mais a conexão entre músicos e fãs.
Setlist:
Act I – The Devil’s Tail
Chapels Of The Unholy
Far From Your God
The Curse + Bestial Devastation
Act II – The Monarch
The Rise Of Heresy
Denied Divinity
Morbid Visions
Dethroned Messiah
A Queda
The Confessional
Altar Of Delusion
Dawn Of Mephisto
Troops Of Doom














