Edu Falaschi – Carioca Club, São Paulo/SP (21/01/2018)

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Edu Falaschi (Rebirth Of Shadows Tour)
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 21/01/2018

Texto: William Ribas
Vídeos: Alexandra Moraes

Em 13 de julho de 2002, eu tive a chance de assistir ao show da turnê do álbum “Rebirth” do Angra. Lembro-me muito bem do finado Victoria Hall, em São Caetano do Sul/SP, lotado, e uma banda entrosada mostrando que as nuvens negras cheias de desconfianças que pairavam pela banda eram coisa do passado. Logo veio o que para mim é um clássico do Metal Brasileiro devido o tamanho de sua perfeição, “Temple Of Shadows”. Então foi justamente querendo reviver esse passado que estive presente nesta noite na tão falada, aclamada e, porquê não, polêmica, Rebirth Of Shadows Tour.

Coube ao power trio Acid Tree fazer as honras da noite. Contando com uma boa parte do público já dentro da casa, a banda pode mostrar o seu som carregado, denso e hipnótico, que traz uma certa nostalgia direto dos anos 60 e 70. Ed Marsen (vocal/guitarra), Ivo Fantini (Baixo) e Giorgio Pedro Karatchuk (bateria) mandaram músicas do seu EP de estreia, “Arkan”. Riffs sombrios, arrastados e com peso de mil toneladas, baixo forte, presente e cheios de nuances casando perfeitamente com a bateria coesa. Mesmo não sendo do mesmo estilo da atração principal, faixas como “Barren Lands”, “Sweet Insanity” e “Caged Sun”, deixaram o Carioca Club pegando fogo e gritando o nome a banda. Ponto para o trio que soube deixar todos numa adrenalina que poucas vezes se consegue sendo uma banda de abertura. Deram muito bem o seu recado.

Setlist Acid Tree:

1- Arkan
2- Barren Lands
3- Sweet Insanity
4- Adrift
5- Caged Sun

Quase 20h30, com o público devidamente dentro da casa, era chegada a hora de todos presentes fazer parte da história. Após a introdução, o Carioca Club veio praticamente abaixo com a trinca de tirar folego, “Nova Era”, “Acid Rain” e “Eyes Of The Christ”. Já assisti alguns shows na casa, mas nunca, NUNCA, senti as estruturas balançarem como aconteceu nesse show, e o mais louco e incrível, não foi em apenas numa música ou outra, foram em várias! Era impressionante! Eu olhava ao redor e via todo público pulando. Por muitas vezes me lembrei da forma em que as estruturas do Morumbi balançava em jogos clássicos, e foi ai que os “jogadores” Edu Falaschi (Vocal), Aquiles Priester (Bateria), Fábio Laguna (Teclado), Diogo Mafra (Guitarra), Raphael Dafras (Baixo), Roberto Barros (Guitarra), perceberam que era dia de golear e sair para o abraço.

É desnecessário falar dos problemas vocais que infelizmente Falaschi foi acometido, mas por muitas vezes, a simpatia ou jogar para o público cantar aquela parte mais”complicada” valeu muito mais do que mascarar e iludir os fãs. E convenhamos, pouquíssimos vocalistas após quase 30 anos de carreira estão ali ainda no auge, então chega de babaquice e reclamação, aproveite enquanto podemos ver e assistir nossos heróis.

Show seguiu com a maravilhosa e pesada “Running Alone” e a bela e clássica balada, “Wishing Well”, que com sua linda harmonia e refrão grudento fez todos novamente saberem que sonhar é acreditar! E o que estava sendo vivido era a mais pura realidade.

A primeira participação especial veio em dose dupla, com os companheiros de Aquiles, Thiago Bianchi (Vocal) e Junior Carelli (Teclado), ambos do Noturnall, em “Angels And Demons”, que antecedeu uma daquelas que com toda certeza ficará na memória de todos, “Late Redemption”, gravada originalmente no álbum “Temple Of Shadows” tendo a participação mais do que especial do incrível Milton Nascimento, que aqui teve o público fazendo sua parte num dueto com Edu deixando a coisa toda ainda mais especial.

Mais clássicos vieram. “Millennium Sun”, “Arising Thunder”, “Bleeding Heart”, essa última com a participação especial de Alírio Netto (chega a dar espanto como canta essa rapaz! Voz suave, limpa de tons naturais impecável).

“The Shadow Hunter” não só serviu como ponte para mais uma participação especial, como fez bonito no set! Poucas vezes vi o público aplaudir com tanta eloquência e êxtase uma música antes do seu termino como aconteceu aqui! O esforço, interpretação e um agudo perfeito de Falaschi na parte final, certamente levaram todos presentes as lágrimas e se você aí que estava no show e não sentiu nada nessa hora, me desculpe, mas você já não tem mais alma e nem salvação.

Enfim, era chegada a vez do mestre, o pai do Power Metal, Kai Hansen!!! Até o mais fanático ficou sem acreditar no que estava presenciando. “The Temple Of Hate, “Rebellion In Dreamland” (Gamma Ray) que contou com as participações de Bruno Sutter e de Tonka Raven (Baixo), e o hino do Metal melódico, “I Want Out” (Helloween) vieram para derrubar os alicerces do Carioca Club! Você consegue imaginar o que foi aquilo? Caos total sem precedentes na região de Pinheiros tamanho foi a agitação.

Após a histórica participação de Hansen poderia ser encerrado o show que não teria problema, mas a banda tinha mais duas cartas na manga, dois zaps para ser mais cirúrgico: “Rebirth”, que contou com a participação de Rodrigo Tito Vasconcellos, irmão de Edu, e “Spread Your Fire”, fechando da mesma forma que tudo começou, com todos cantando junto.

Saldo final extremamente positivo, daqueles que todos os presentes levarão por toda vida e passarão de geração em geração.

Setlist Edu Falaschi:

1 – In Excelsis
2 – Nova Era
3 – Acid Rain
4 – Eyes of Christ
5 – Running Alone
6 – Wishing Well
7 – Angels and Demons (Thiago Bianchi e Junior Carelli)
8 – Heroes of Sand
9 – Late Redemption
10 – Unholy Wars
11 – Viderunt te Aquae
12 – Arising Thunder
13 – Millennium Sun
14 – Bleeding Heart (Alirio Netto)
15 – The Shadow Hunter
16 – Live and Learn
17 – The Temple of Hate (Kai Hansen)
18 – Rebellion In Dreamland (Gamma Ray) (Bruno Sutter e Tonka Raven)
19 – I Want Out (Helloween) (Kai Hansen e Tonka Raven)
20 – Rebirth (Tito Falaschi)
21 – Spread Your Fire

“Nova Era e Acid Rain”

“Late Redemption”

“The Temple Of Hate”

FOTOS:

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