Angra Reunion – Espaço Unimed, São Paulo/SP (29/04/2026)
Produção: Honoursounds e Bangers Open Air
Texto por Marcello Rocha
Fotos por Marcos Oliveira (@marcosoliveirapht) | Espaço Unimed (@espacounimed)
O dia 29 de abril ficará marcado na história do metal nacional e, sem dúvida, na memória dos fãs do Angra que puderam prestigiar esse momento histórico. Trata-se, afinal, de um dos reencontros mais aguardados dos últimos anos. Poder ver no mesmo palco Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Aquiles Priester, ao lado de Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, é um acontecimento praticamente inexplicável. Ainda mais quando essa reunião envolve a execução do aclamado álbum Rebirth, responsável por consagrar essa formação.
Além disso, o disco foi executado na íntegra em comemoração aos seus 25 anos de lançamento, marcando também a estreia da nova fase do Angra, agora com Marcelo Barbosa, Bruno Valverde, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, contando ainda com o talentoso vocalista Alírio Netto — conhecido por seus trabalhos com o Age of Artemis e a lendária Shaman.
O show foi dividido em três atos. O primeiro celebrou os 35 anos do Angra, passeando por diferentes fases da banda. Logo de cara, o set foi aberto com as clássicas “Nothing to Say” e “Angels Cry”, evidenciando o porquê da escolha de Alírio Netto como novo vocalista. Em seguida, houve uma passagem pela fase com Fabio Lione, com “Tide of Changes – Part I” e “Tide of Changes – Part II”.
Na sequência, vieram “Lisbon” e “Vida Seca”, esta última evidenciando a já conhecida capacidade do Angra de mesclar metal com elementos da música brasileira. Logo depois, uma homenagem ao saudoso André Matos (1971–2019) emocionou o público com “Wuthering Heights”, clássico cover de Kate Bush, já incorporado à identidade da banda. Nesse momento, Alírio demonstrou, mais uma vez, sua potência e técnica vocal.
Mantendo o clima nostálgico, o set seguiu com “Carolina IV”, onde foi possível destacar a precisão de Bruno Valverde na bateria — não à toa considerado um dos melhores da América Latina. Em seguida, ele engatou um solo de bateria intenso, técnico e pesado. Na mesma energia, “Make Believe” levou o público a cantar em uníssono. Por fim, “Waiting Silence” encerrou o primeiro ato, comprovando tanto a versatilidade de Alírio quanto a competência de Bruno como substituto de Aquiles Priester nesta nova fase.
Chegando ao segundo ato, para delírio dos fãs, sobem ao palco Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Aquiles Priester, reunidos a Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli. Ao som da intro “In Excelsis”, a clássica “Nova Era” deu início à celebração dos 25 anos de Rebirth. Em seguida, “Millennium Sun” destacou sua introdução marcante de voz e teclado — este executado por Kiko — e um refrão envolvente, onde Edu Falaschi provou que segue como um dos maiores vocalistas do metal nacional e internacional.
O set avançou com “Acid Rain”, “Heroes of Sand” e “Unholy Wars”, esta última trazendo sua já característica introdução abrasileirada, combinada com velocidade e peso na medida certa. Então, chegou o momento de “Rebirth”, faixa que sintetiza a importância do álbum e que levou muitos fãs à emoção — tanto os que viveram essa fase quanto os que a presenciavam ao vivo pela primeira vez.
Na sequência, veio o aguardado “PsychOctopus Solo” de Aquiles Priester, uma verdadeira demonstração de técnica e intensidade. Não por acaso, o baterista é reconhecido mundialmente e já tocou com nomes como W.A.S.P., Primal Fear, DragonForce, Paul Di’Anno e Tony MacAlpine.
Dando continuidade, vieram “Judgement Day”, “Running Alone” e “Bleeding Heart”, cujo refrão foi cantado também na versão popularizada pelo grupo Calcinha Preta, conhecida como “Agora Estou Sofrendo”. Surpreendendo o público, o set ainda contou com “Ego Painted Grey”, do álbum Aurora Consurgens, além da clássica “Spread Your Fire”, do aclamado Temple of Shadows, encerrando assim o segundo ato.
Por fim, o terceiro e último ato teve início com “Reaching Horizons” e “Silence and Distance”, esta última trazendo a voz de André Matos em sua introdução, seguida pelos vocais compartilhados entre Alírio Netto e Edu Falaschi — um momento de forte carga emocional, conectando passado, presente e futuro da banda. Em seguida, “Late Redemption” foi executada com três guitarras (Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa), enquanto os vocais foram divididos entre Alírio e Edu.
Já nos momentos finais, o set caminhou para seu encerramento com a intro “Unfinished Allegro”, que desembocou em “Carry On”, um dos maiores hinos do Angra, executado por todos os músicos presentes — incluindo duas baterias, com Aquiles Priester e Bruno Valverde. Por fim, ao som de “Visions Prelude”, a noite se encerrou de forma majestosa e histórica, consolidando um espetáculo inesquecível para o metal nacional





































