Edu Falaschi – “Vera Cruz” (2021)

veracruz
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Edu Falaschi“Vera Cruz” (2021)
MS Metal Records
#PowerMetal, #SymphonicMetal, #ProgMetal

Para fãs de: Angra, Rhapsody of Fire, Almah

Nota: 7,0

Edu Falaschi é um cara controverso, conhecido por ter uma opinião forte e por suas declarações que são no mínimo discutíveis. Mas o cara também é parte importante do metal nacional, seja com seu trabalho no Symbols, na sua época do Angra ou até mesmo no seu projeto pós-Angra, que acabou virando banda, Almah.

Agora, se aventurando na carreira solo, após algumas coletâneas completamente descartáveis e caça-níquel de baladas e canções da sua carreira em versões “diferenciadas”, Edu nos entrega “Vera Cruz”, um álbum pensado para ser grandioso, tamanho investimento e cuidado com tudo, desde a arte gráfica até a produção, o time de músicos, convidados etc.

Será que ele conseguiu? Como diria Jack o estripador, vamos por partes.

Começando pelas artes de capa e todo o conceito envolvendo o lirismo do disco logicamente que impressiona tamanho esmero e capricho. É realmente de cair o queixo! O CD vem com um livro em português e a versão brasileira ainda vem com um DVD extra. Tudo extremamente bem feito e caprichado nos mínimos detalhes! Sinceramente acredito ser o lançamento de um artista de metal nacional mais bem elaborado que já vi.

O time que Edu juntou para gravar esse álbum – que foi produzido pelo velho conhecido Dennis Ward (Angra, Helloween) – também é mais um ingrediente para a grandiosidade, pois aqui ele reuniu os ex-Angra Aquiles Priester (bateria) e Fábio Laguna (teclados). Se juntam ao time Raphael Dafras (baixo), Roberto Barro e Diogo Mafra (guitarristas), que já acompanham Edu em sua carreira solo há um tempo.

Então, após toda essa belíssima apresentação, apertamos o play.

“Burden” é a famosa introdução clássica de um a dois minutos que permeia as aberturas dos discos do famigerado “power metal melódico”. Aqui também temos diálogos e som de espadas e tal, nada absolutamente fora do usual, mas como é apenas uma introdução você meio que faz vista grossa. Quando “The Ancestry” começa com seus arpejos à velocidade da luz e os bumbos duplos insanos de Aquiles, você olha para ver se não colocou um CD do Angra ou Rhapsody (Of Fire) por engano, mas não. Parece que o Edu pegou a “Nova Era” ou “Spread Your Fire”, ambas do seu tempo de Angra, e mudou algumas coisas aqui e ali relançando-a com outro nome. A música é boa, típica ao extremo porém competente.

A reciclagem de canções antigas continua em “Sea of Uncertainties” que também lembra à exaustão outras canções do Angra ou Almah, como “Angels and Demons”, por exemplo. Curiosidade que em determinada parte a música tem uma linha de voz que lembra MUITO um trecho de “Wings of Reality” do álbum “Fireworks” do Angra.

“Skies in Your Eyes” é a tradicional baladinha característica que Edu tanto compõe e que em breve alguma banda de forró fará uma versão em português com a letra alterada. Bonitinha, harmoniosa e previsível.

Após uma vinheta chamada “Frol De la Mar”, temos “Crosses”, outro ‘powerzão’ melódico com muitos solos, bumbo duplo que não foge nem um pouco da manjadíssima fórmula. Impressionante como as músicas lembram DEMAIS outras músicas da fase que Edu passou pelo Angra, o que pode ser considerado até natural visto que temos três ex-Angra aqui.

E já que estamos falando de reaproveitamento de harmonias musicais do Angra, está faltando a influência de ritmos brasileiros, certo? Estava, porquê em “Land Ahoy” o flerte com a música brasileira chegou (meio tardiamente até) com força, mas na minha sincera opinião não funciona tão bem como nas canções do “Holy Land”. Mas, ainda assim é uma bela e longa canção, sendo um dos pontos fortes do disco.

“Fire With Fire” tem um início que me lembrou “Lay All Your Love on Me” do Abba (?!?) e tem um andamento mais cadenciado e ainda que soe óbvia como as outras, eu gostei muito mais dessa, e as linhas vocais de Edu nela estão mais adequadas e funcionam muito bem.

O “brasileirismo” retorna na levada de baião de “Mirror of Delusion” de forma bem interessante, pena que logo volta à mesmice que infelizmente permeia todo o disco. Parece que Edu prefere se manter na zona de conforto, ao invés de arriscar um pouco mais.

Já em “Bonfire of Vanities” temos mais uma balada, só que esta sim funciona muito bem. Os solos, os coros de backing e a emoção que a música transmite tornam-a interessantíssima. Bela música!

O icônico Max Cavalera participa em “Face of The Storm”, e confesso que fiquei extremamente curioso em ouvir Max participando de uma música de metal melódico, um estilo que o próprio já falou mal mais de uma vez (o que a grana não compra, heim?). E a música é excelente! Ela claramente destoa do álbum, com uma pegada mais pesada e progressiva que melódica em si e os vocais de Max casaram perfeitamente com os de Edu, e os riffs mais pesados e inspirados do disco estão aqui, tornando esta a melhor canção do disco disparada.

Agora, para minha surpresa, a convidada para a última canção é Elba Ramalho, e rapaz, olha que funcionou! A senhora simplesmente arrebentou e deu um show de interpretação em “Rainha do Luar”. Bem atmosférica e com arranjos muito bons. Grata surpresa.

Edu realmente deu um grande passo em sua carreira. Carreira esta que muita gente já dava como encerrada, e ele ressurge das cinzas com um álbum que, se não nos entrega quase nenhuma originalidade, ao menos nos remete aos momentos áureos de toda sua carreira. Ainda que não tão inspiradas como suas referências, as faixas aqui são extremamente bem feitas e com muito esmero que, aliado à incrível arte gráfica e lírica do álbum, fazem deste lançamento um marco no metal nacional. E claro, seria um crime não citar o desempenho de Aquiles. O cara simplesmente destrói e se firma como um dos melhores bateristas do metal na atualidade.

Bom, apesar de não ser o maior fã de um dos estilos mais requentados do metal, o álbum me deu bons momentos. Imagine para os fãs(náticos).

Thiago Barcellos 

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