Ego Absence – “Serpent’s Tongue” (2020)

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Ego Absence – “Serpent’s Tongue” (2020)
Independente
#PowerMetal#ProgressiveMetal

Para fãs de: Symphony XSons Of ApolloAngraWizards

Nota: 9,0

Acredito que todos que acompanham ou até quem não está familiarizado com o metal brasileiro, sabe o quão boas são as bandas daqui, do Oiapoque ao Chuí, independente do lugar, com toda certeza você cruzará com alguns “cabeludos” (ou não), tocando com uma qualidade absurda qualquer um dos tantos estilos de Heavy Metal. Muito embora devido a nossa cultura de só olhar para fora, a tal síndrome de vira-lata, e claro, por muitas vezes não termos uma cena profissional, o underground veio, parou, e por aqui eternamente vivemos nos anos 80 e início dos 90.

A paulistana Ego Absence foi formado em 2014 por músicos que estão há anos na luta e sendo franco, os mesmos já deveriam ter estourado e ter seu valor justo reconhecido, pois méritos não faltam a cada um de seus integrantes. Quis o destino, em sua persistência, que as jornadas de Raphael Dantas (vocal), André Fernandes (baixo), Guto Gabrelon (guitarra) e Augusto Bordini (bateria) se cruzassem , nascendo assim um novo e promissor nome, cuja sonoridade globalizada, encorpada e rica, vai além do que suas raízes profetizam, nesse caso, o Power Metal.

“Serpent’s Tongue”, o seu primeiro registro, acaba de sair do forno, trazendo consigo diversos capítulos da fórmula do sucesso: músicas pesadas, timbragem “gorda” e atual, um instrumental intrínseco e muitos ótimos arranjos melódicos. Diversas influências intencionais/e subconscientes são facilmente notadas ao longo das 12 faixas, algo inevitável e compreensível, o que não compromete o desenvolver das mesmas, conseguindo manter o sabor de serem únicas.

A intrigante introdução “The Fools Trap Symphony” cria toda uma expectativa que logo é dissipada pelo peso descomunal da faixa título. A seguinte, “Dead Inside You”, é marcada pelo seu forte apelo ao Metal Melódico clássico, aqueles “chicletes” que nós tanto amávamos, feitos nos anos 90.

Saber dosar e equilibrar os tantos elementos foi de suma importância, visto que, por ser um disco longo e por vezes complexo, o risco de tornar-se cansativo e repetitivo era grande, o que definitivamente não é o caso aqui. No decorrer das faixas, temos momentos cadenciados, “Let It Burn”: acrobáticos, “Against The Tibe”, com seus ares modernos e veia progressiva e calmos, “I Am Free”, cujos tons quase fúnebres vão crescendo até atingir um ápice sentimental.

A temática do álbum nada mais é do que a vida de todo ser humano passando por vários estágios das emoções diárias, tais como raiva, tristeza, desilusão, liberdade, questionamento religioso, a descoberta de um novo amor e até mesmo do “egoísmo” de se pensar em si próprio em algum instante. Com tudo isso, “Serpent’s Tongue” é um disco onde todas as qualidades estão acima da média, transbordando numa experiência única e inesquecível.

William Ribas

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