Geoff Tate – “Operation Mindcrime III” (2026)

Geoff Tate - Operation Mindcrime III
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Geoff Tate – “Operation Mindcrime III” (2026)

Independente
#HeavyMetal #HardRock #ProgressiveHeavyMetal

Para fãs de: Queennsrÿche, Bruce Dickinson, Savatage

Texto por Lucas David

Nota: 8,0

Alguns álbuns, quando lançados, mudam para sempre a história da música. Quando o Queensrÿche lançou Operation Mindcrime, em 1988, a banda apresentou ao mundo a história de Nikki, Irmã Mary e Dr. X e, com isso, entregou um dos maiores discos conceituais de todos os tempos. Neste trabalho, vemos tudo através dos olhos de Nikki, um viciado que entra para uma organização que pretendia mudar o mundo, livrando-o de pessoas consideradas cânceres; porém, nosso herói acaba se envolvendo com a Irmã Mary, e a história se desenrola para um final trágico.

Quase quatro décadas depois, o vocalista e mente por trás de tudo, Geoff Tate, retornou ao mundo de Mindcrime, mas, dessa vez, nos mostra os acontecimentos da primeira parte através da visão do “vilão” Dr. X em Operation Mindcrime III. Aqui, a história apresenta a visão de mundo do antagonista, suas motivações e tudo o que ele é capaz de fazer para alcançar seus objetivos.

Um dos grandes pontos que devemos destacar é o enredo, com cada faixa buscando mostrar um Dr. X mais humano, porém intimidador e até amedrontador. Ele se apresenta como um salvador, que irá limpar toda a sujeira existente, recrutando pessoas e as tirando de vidas vazias e sem sentido. Entretanto, ele não hesita quando precisa manipular todos ao seu redor, planejando cada passo sem misericórdia de seus alvos e vendo Nikki como uma arma para um bem maior. Assim como Nikki no primeiro capítulo de Operation Mindcrime, aqui o Dr. X também possui o pensamento de ser um visionário necessário para o mundo caótico em que vivem, além de enxergar a Irmã Mary como uma ameaça e uma força do passado que não conseguiu controlar.

Falando sobre as músicas, a produção de John Moyer (baixista do Disturbed), com colaboração do guitarrista Kieran Robertson, soou um pouco abafada e sem peso em alguns momentos, porém não o suficiente para tirar o brilho, a intensidade e a ambição que já conhecemos. Os vocais de Tate também não são mais os mesmos, mostrando que o tempo passou; porém, ele ainda tem força suficiente para comandar o espetáculo sem perder o fôlego e mostrando estar à vontade no tom que escolheu cantar.

Mesmo sendo um álbum conceitual, algumas faixas se destacam e podem ser ouvidas separadamente sem estragar a experiência, como é o caso de “You Know My Fucking Name”, que possui um começo grandioso e logo apresenta Tate entregando vocais poderosos e sombrios. A faixa também possui ótimos riffs de guitarra e viradas de bateria marcantes, porém ficando um pouco confusos em momentos onde tudo se mistura e você acaba se perdendo durante a audição.

“The Answer” tem um riff pesado e bem sujo, além de um dos melhores vocais de Tate no disco. Seu andamento mais mid-tempo conduz o ouvinte pelas palavras de Dr. X, dizendo “é melhor você estar do lado certo, o meu lado”, enquanto “I’ll Eat Your Heart Out” tem uma levada cheia de groove nas batidas de Rich Baur e mais um riff de guitarra hipnotizante. “Set You Free” bebe diretamente da fonte do primeiro capítulo da série, com riffs bem semelhantes e vocais que trazem o Geoff Tate dos anos 80/90 à mente, além do baixo de Moyer ganhando destaque, soando bem na cara e com um ritmo pulsante e pesado.

Próximo do fim, temos “Power”, que também nos remete ao Queensrÿche e a muitos dos riffs presentes em “Speak”, com um refrão muito parecido; e “You Can’t Walk Away Now”, que entrega um diálogo excepcional entre Nikki e Dr. X, sendo impactante e sombria, com o doutor dando a última ordem a Nikki e mostrando quem realmente manda. Aqui vemos que o poder não está nas mãos de quem segura a arma ou atira, e sim de quem controla tudo, quem está por trás do grande plano.

Com um disco que mostra respeito ao passado, principalmente à obra original, sem querer apenas copiar o que já foi feito, Geoff Tate conseguiu usar a modernidade para apresentar outra perspectiva de uma história marcante, sem soar repetitivo. O tom mais sombrio e denso, feito para a narrativa de um vilão, irá atrair todos os tipos de fãs que buscam não apenas ouvir algo com o qual já estão familiarizados, mas algo totalmente novo, fazendo de Operation Mindcrime III um trabalho que vale a pena ser consumido.

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