Entrevista com Davide Scuteri (Ravenword)

ravenword_00
Compartilhe

ENTREVISTA COM DAVIDE SCUTERI (RAVENWORD)

Ao combinar aspectos do Power Metal com outros do Symphonic Metal, os italianos do Ravenword criaram, em seu primeiro registro, arranjos sofisticados muitos solos e uma variedade de timbres fora do comum. O Metal Na Lata bateu um papo com o tecladista e fundador da banda, Davide Scuteri, sobre a gravação de “Transcendence”, suas principais influências, planos de turnê e inspirações para compor. Boa leitura!

Por Gustavo Maiato
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: O Ravenword foi formado em 2007, mas só agora, em 2020, está lançando o seu primeiro disco. Por que a banda demorou tanto tempo? Você acha que todos esses anos de preparação influenciaram na sonoridade do álbum?

Davide Scuteri: Eu formei o Ravenword aos 19 anos, quando, pela primeira vez, tentei compor minhas próprias músicas. A primeira formação foi estabelecida apenas em 2011. Após vários shows e algumas mudanças de integrantes, em 2014 decidimos dar um tempo e cada um trabalhou em projetos diferentes pelos dois anos seguintes. Em 2016, decidi gravar todas as músicas que havia escrito para o Ravenword, a fim de concluir o trabalho inicial em 2007. Então, de 2016 para cá, revisitei novamente todos os arranjos e Chiara Tricarico (Moonlight Haze, Sound Storm) reescreveu todas as letras. Também convidei Cesare Ferrari, meu colega no Choirs Of Veritas, para gravar guitarra e baixo, e Michele Olmi (Chronosfear, SkeleToon) para gravar a bateria. Sim, acho que todo esse tempo influenciou no resultado final, porque as primeiras ideias surgiram na mente de um jovem compositor iniciante, enquanto “Transcendence” é fruto de uma mente mais experiente.

 

Metal Na Lata: O disco combina Power e Symphonic Metal. Podemos ouvir solos rápidos e melódicos, orquestrações etc. Quais foram suas inspirações ao compor “Transcendence”?

Davide Scuteri: É claro que quando compus essas músicas, minhas inspirações foram Sonata Arctica, Nightwish, Stratovarius, Within Temptation e Rhapsody of Fire. Fiquei completamente impressionado com a música deles desde que os ouvi pela primeira vez. Quando reorganizei as ideias em 2016, usei toda a experiência que adquiri ao longo dos anos.

 

Metal Na Lata: A vocalista Chiara Tricarico não canta com vocais operísticos a todo momento como outros cantores famosos do Symphonic Metal. Como você acha que a voz dela se encaixa na banda? Ela não estava na banda desde o começo, certo?

Davide Scuteri: Na minha opinião, Chiara é uma das cantoras mais talentosas da Itália no momento, porque ela é completamente versátil; pode cantar de maneira operística muito boa, mas sua voz é maravilhosa mesmo num registro mais convencional. Ela deu uma grande contribuição para o sucesso deste álbum, porque sabe quando precisa cantar em um determinado registro devido ao clima daquela parte específica da música. No começo, tínhamos outra cantora, Valentina, com quem gravamos a primeira demo, em 2011. Quando mudamos a formação, quis fortemente trazer Chiara para a banda por suas potencialidades.

 

Metal Na Lata: Você, tecladista, é o principal compositor da banda. Sou um grande fã de teclados e você fez um trabalho incrível com todos os timbres e sons diferentes. Pode nos dizer quando você decidiu ser um tecladista e quais são os seus tecladistas favoritos?

Davide Scuteri: Muito obrigado por suas amáveis ​​palavras! Eu tocava piano desde criança, só de brincadeira, mas não queria fazer música naquele tempo porque minha mente estava repleta de outros pensamentos. Decidi me tornar tecladista em 2006 e comecei meus estudos de piano no ano seguinte, quando descobri o Sonata Arctica e o Nightwish. Quando vi Henrik Klingemberg e Tuomas Holopainen pela primeira vez, decidi que queria me tornar um grande tecladista como eles. Também gosto de muitos outros grandes tecladistas, como Jens Johansson, do Stratovarius; Janne Wirman, do Children of Bodom; e Pasi Hiltula e Janne Tolsa, do Eternal Tears Of Sorrow. Mas devo dizer que minha maior inspiração sempre foi Mikko Harkin, o primeiro tecladista do Sonata Arctica. Ele tem uma técnica extraordinária e um grande coração cristão.

 

Metal Na Lata: A banda recebeu o nome do famoso poema de Edgar Allan Poe, “The raven” (“O corvo”). Qual a sua relação com a obra de Poe? O disco tem músicas inspiradas em seu trabalho? Quais?

Davide Scuteri: Quando eu tinha 19 anos, era um grande fã de Edgar Allan Poe e, em geral, gostava de muitas poesias românticas e decadentes da época. Gostava muito do seu conceito sobre a luta interior para alcançar uma condição de amor com um consequente estado de eterna alegria. Muitos poetas escreveram sobre esse tópico, como por exemplo Novalis, Leopardi, Dante etc., mas o estilo de Poe era como uma flecha certeira em meu coração. Por esse motivo, o nome Ravenword é inspirado em seu famoso poema. Meu objetivo era fazer referência às temáticas poéticas típicas de sua obra e, a partir disso, uma referência cruzada adicional ao nosso estilo musical. Com “Transcendence”, mantivemos o nome Ravenword e seu significado, mas Chiara reescreveu as letras de todas as músicas para torná-las mais pessoais.

 

 

Metal Na Lata: A música “Rain of Stars” é uma obra-prima quando se trata de arranjos inspirados. Acho que podemos encontrar cinco sons diferentes de teclado, incluindo uma bela introdução de piano. Como foi o processo de composição dessa música especificamente?

Davide Scuteri: Também gosto muito de “Rain of Stars”! Tudo começou com a introdução do piano em estilo clássico. Depois, tentei tocar as partes de cordas que caíam como uma cachoeira; ou melhor, como uma chuva de estrelas, e o resto da música é consequência.

Metal Na Lata: A cena italiana do Power Metal é muito famosa. Temos bandas como Rhapsody of Fire, Elvenking, Temperance etc. Seu país também é muito famoso por compositores clássicos como Paganini e Vivaldi, que são os “avós do Power Metal”. O que você teria a dizer sobre esse aspecto “histórico” do Power Metal?

Davide Scuteri: Quando falamos em Metal Melódico, na verdade, minha mente pensa logo na música escandinava, mas é claro, a Itália é a terra natal de muita arte em muitos campos, inclusive na música. Do passado ao presente, o povo italiano sempre foi atraído pela musa da arte, mesmo que agora pareça que muitas pessoas estão perdendo essa essência. Não é fácil manter a chama da arte acesa atualmente, mas sempre tentamos fazer o nosso melhor.

 

Metal Na Lata: Você tem planos de sair em turnê com o Ravenword depois que todo esse problema do coronavírus desaparecer?

Davide Scuteri: Ainda não temos planos de sair em turnê, porque todos os integrantes deste projeto já estão envolvidos em turnês com outras bandas, mas eu gostaria muito de viajar pelo mundo inteiro para divulgar minha música.

 

 

Metal Na Lata: Eu sei que é muito cedo para pensar sobre isso, mas você tem planos para outro disco?

Davide Scuteri: Ainda tenho muito material para gravar muitos álbuns, talvez parte disso resulte em outro álbum do Ravenword no futuro.

 

Metal Na Lata: Para terminar, qual é a sua mensagem para os leitores do Metal Na Lata?

Davide Scuteri: Minha mensagem é a mensagem da transcendência: transcenda a realidade, vá além da sua primeira percepção, mas sempre procure um significado oculto e mais profundo dela.

 

Mais informações:

www.facebook.com/RavenWord
www.youtube.com/user/ravenwordband

Compartilhe
Assuntos

Veja também