Entrevista com Renan Campos (Hatefulmurder)

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ENTREVISTA COM RENAN CAMPOS (HATEFULMURDER)

O Brasil é um legítimo criadouro de bandas do mais alto nível. De um extremo ao outro podemos encontrar bandas e músicos numa jornada pela realização de seus sonhos. O carioca Hatefulmurder é uma dessas bandas que não se acomoda em poltronas enquanto espera pelo sorriso da sorte. A sua sorte, ela mesma faz. Angélica Burns (vocal), Renan Campos (guitarra e vocais de apoio), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria), são exemplos não apenas de perseverança em acreditar em um sonho, mas de maturidade e evolução, algo comprovado em seu mais recente álbum, “Reborn”, lançado de forma independente outubro do ano passado. Conversamos com o guitarrista Renan Campos, que nos deu detalhes sobre o disco novo, composições, a ajuda dos fãs para que o mesmo fosse lançado, estrada, sobre a inserção de elementos inusitados à sua música e sobre como a banda tem se mantido nestes tempos tempestuosos.

Por: William Ribas
Fotos: Divulgação/Flashzone

Metal Na Lata: “Reborn” saiu há alguns meses e mesmo após esse tempo, todas as vezes que escuto o disco me sinto surpreendido e sem conseguir rotula-los. Como foi o processo de criação do disco? Todos colaboram na hora de compor?

Renan Campos: Salve, William! Salve galera do Metal na Lata! O processo de composição é sempre muito solto. Não existem regras. Na maioria das vezes, eu começo uma ideia sozinho, depois trabalho junto com o Thomás. Após isso nós levamos para a banda toda. Daí vamos sentindo, dando ideias sem nada muito fixo. Quem trouxer opinião que todo mundo sinta que acrescentou, tá valendo! Por isso todo mundo acaba colaborando no final.

Metal Na Lata: Alias, a entrada da Angelica mudou completamente o som do grupo. “Red Eyes” apresentou uma enorme renovação no som agressivo, já em “Reborn”, seguem se modificando e abrindo novas possibilidades.  Quão importante foi a chegada dela no Hatefulmurder para o crescimento que estamos sentindo álbum após álbum?

Renan Campos: Nós já queríamos fazer essa virada no som.  A entrada da Angélica foi a “representação física” dessa mudança. Ela trouxe uma interpretação diferente para as músicas. Uma forma de cantar diferente, um jeito diferente de pensar nas métricas.  Ela compõe 98% das letras, traz as referências dela e isso é bem legal.

Metal Na Lata: O novo trabalho traz algumas novidades para os fãs da banda. A primeira são faixas cantadas em português. “Sentimentos Artificiais” tem uma mescla entre o inglês e nossa língua e em “Santificado Seja o Meu Nome”, temos a letra integralmente. Era algo que a banda já vinha pensando antes? E aproveitando, está nos planos em algum momento um disco inteiramente nesses moldes?

Renan Campos: Antes de lançarmos o “Reborn”, nós fizemos a “Engrenagem”, uma música em parceria com o Jimmy London (ex-Matanza) totalmente em português. Naquele single, eu senti que poderíamos explorar nossa língua e compus a  letra de “Santificado Seja o Meu Ódio” pensando na forma que a Angélica canta e gostei muito do resultado. Já “Sentimentos Artificiais”, a letra é do Thomás (inicialmente era toda em português), mas vimos que estava complicada para a Angélica cantar nas palavras escolhidas etc. Pedi permissão a ele e passei a letra para o inglês, mantendo apenas o refrão, foi mais fácil e curtimos o resultado. Não sei se faremos um disco todo em português, mas quando pintam ideias, não temos medo de testar (risos).

Metal Na Lata: Seguindo as surpresas no novo disco, temos, elementos eletrônicos, teclados e as melodias mais presentes.  Todas essas incursões passam a impressão que foram muito bem pensadas e que foram usadas para dar mais riquezas para as músicas. Teve algo que testaram, pensaram e na hora viram que não combinava?

Renan Campos: Eu sempre quis trazer essas referências. Trabalhamos com o Celo Oliveira na produção do disco, e ele nos ajudou muito na hora de inserir essas “viagens”.  Algumas músicas já sabíamos onde e o que poderia rolar. Mas, nem tudo dá para encaixar, precisamos sentir a fluidez natural. É claro que sempre tem aquelas ideias que você acha que vai ficar incrível, chega na hora e fica uma merda (risos), mas o importante é respeitar a música, saber ouvir (como ouvinte) e ter bom senso.

Metal Na Lata: Em “Red Eyes” temos algumas linhas de voz limpas e em “Reborn” também. Confesso que uma das grandes surpresas no disco foi não ter algo mais completo nesse quesito. Confesso que fiquei esperando uma música com a Angelica cantando calmamente e com aquele crescendo até explodir nos guturais.

Renan Campos: Olha, isso é muito doido, né? Todo mundo espera que ela vá cantar limpo (risos), mas acho que ela não curte muito. Quero dizer, já falamos sobre, é claro, mas, ela não trouxe nada do tipo ainda. Também não acho honesto forçar uma barra, tem que ser natural.  Quero dizer, tem que partir dela. O que a gente curte é criar esse contraponto em algumas músicas fazendo uma melodia de voz e ela cantando gutural junto. No “Red Eyes”, o Modesto cantou, e em “Reborn” só eu cantei nestas partes.

Metal Na Lata: Para o lançamento do “Reborn” foi criado um financiamento coletivo. Esse é o modelo que muitas bandas estão seguindo e parece ser o mais justo no momento. Vocês sentiram que valeu a pena, que o objetivo foi atingido?

Renan Campos: Valeu muito a pena! Foi uma puta surpresa positiva! Na parte financeira, passamos da meta que estipulamos.  Esse movimento foi crucial, pois nos deu uma ideia mais real de quem é o nosso público até então e nos aproximou dessas pessoas. Criamos um canal de comunicação direto com as pessoas que curtem a banda. Foi criado grupo no WhatsApp, a galera criou perfil no Instagram foi bem irada essa interação!


Metal Na Lata: No ano passado vocês fizeram alguns shows para promover o disco, uma mini turnê com os espanhóis do Angelus Apatrida. Como foi a recepção do público para as novas músicas?

Renan Campos: O disco saiu em outubro fizemos alguns shows de divulgação soltos e depois essa turnê em dezembro. Foram seis shows em seis dias. Passando pelo Sul e Sudeste. Foi uma ótima experiência, passamos por lugares que não tínhamos ido ainda. Curtimos muito o som do Angelus Apatrida, e nos tornamos grandes brothers! A galera recebeu a gente super bem.

Metal Na Lata: Existem conversas para shows fora do país?

Renan Campos: Sim, este ano inclusive estávamos negociando uma turnê na Europa (com alguns shows já marcados). Infelizmente tivemos que adiar devido à pandemia.

Metal Na Lata: Normalmente é a imprensa que dá os detalhes e resenha os álbuns para que as pessoas possam conhecer o som do artista. Eu gostaria que vocês fizessem um breve comentário sobre a discografia da banda, até para quem não conhece, possa ir atrás.

Renan Campos: “No Peace” (2014) –  Nosso primeiro álbum completo. Tudo muito novo ainda.
 Lançado pela Cogumelo Records, acho que ali tem um Thrash/Death mais pesado, algo mais voltado para a música brutal mesmo. Harmonias mais tensas e até tristes. Curto muito os resultados que esse disco nos trouxe. Rendeu uma turnê Sul americana em 2015 e ótimos shows.

“Red Eyes” (2017) – Aqui a gente já chegou com um disco mais “inspirado”, diria eu. Além de termos trocados de vocalista, ampliamos nossa capacidade de compor, sem se preocupar com rótulos (sem contar o salto na parte da produção também). Gosto muito desse trabalho, ele nos trouxe mais turnês e festivais por todo o país. É um disco providencial! Eu adoro.

“Reborn” (2019) – “Reborn”, é a continuação do nosso processo de trazer novos elementos para as músicas. Sem medo de criar. Ele é como se fosse a continuação de “Red Eyes”. Traz a mesma essência da banda, porém com novos toques. Acho o mais maduro em muitos aspectos.

Metal Na Lata: Bem, a pandemia acertou pegou todos diretamente ou indiretamente. Vocês estavam no meio da divulgação de “Reborn”, com diversas datas marcadas pelo país. Como está esse momento para a banda? Estão usando essa parada para compor material novo? O que vocês têm feito?

Renan Campos: Pois é. Atrapalhou muito todo mundo. Tínhamos uma turnê no Nordeste. Shows pelo Sudeste, além da turnê na Europa que citei anteriormente, mas não paramos de produzir, em breve teremos um clipe com uma das faixas do novo disco.  Lançamos um vídeo de quarentena também. Vamos produzindo conteúdo enquanto passamos por esse momento. Eu já tô compondo algumas coisas, tudo sem pressa. Esperamos que o povo se conscientize e quem puder ficar em casa, o faça, até as coisas voltarem ao mínimo da normalidade possível.

Metal Na Lata: Muito obrigado pela entrevista. Fiquem à vontade para considerações finais.

Renan Campos: Eu que agradeço o espaço! Parabéns pelo trabalho de incentivar e mostrar as histórias das bandas! Um forte abraço e cuidem-se!

Mais informações:

www.hatefulmurder.com
www.facebook.com/hatefulbook
www.instagram.com/hatefulmurder
www.youtube.com/user/Hatefulmurder

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