Entrevista com Giancarlo Floridia (Faithsedge)

faithsedge00
Compartilhe

Giancarlo Floridia é o arquiteto por trás do Faithsedge, que acaba de lançar “Bleed for Passion”, seu quarto álbum de estúdio (leia a resenha aqui). Acompanhado por músicos de primeira — Alex De Rosso (Dokken), Tim Gaines (ex-Stryper) e Matt Starr (Mr. Big, Ace Frehley) —, Floridia compõe músicas com feeling retrô e escreve letras com mensagens de positividade e esperança — o que, muitas vezes, rende ataques por parte daqueles que acham que rock só é maneiro quando fala do diabo. Batemos um papo com o cara. Como você poderá ver, o assunto foi muito além da música e do óbvio.

Por Marcelo Vieira
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: “Bleed for Passion” é o quarto álbum do Faithsedge. Como você o descreve em termos de som e temática?

Giancarlo Floridia: Muita coisa aconteceu desde o nosso então último álbum, “Restoration” (2016). Eu meio que andei sem rumo por um tempo, então o ouvinte perceberá que este novo álbum é baseado na experiência de mudar e redefinir a mim mesmo. É praticamente a minha história de vida de lá para cá. Musicalmente, é o nosso álbum mais oitentista. As guitarras estão mais altas que nos últimos álbuns e nós ignoramos as tendências e corremos atrás de um som totalmente vintage.

Metal Na Lata: Você é, naturalmente, um cantor e compositor muito talentoso, mas a formação do Faithsedge é complementada por músicos do mais alto gabarito que tocaram em muitas bandas renomadas e ao lado de gente de peso dentro e fora do rock. Quais características de cada um fazem com que eles sejam os companheiros de banda ideais para você?

Giancarlo Floridia: Ótima pergunta! Em primeiro lugar, eles são ótimos amigos, então nos damos muito bem. Quando se tem isso, é muito fácil fazer a coisa acontecer do ponto de vista musical. Eu poderia ficar o dia inteiro falando sobre o quanto eu aprecio o trabalho de cada um deles como músico, mas ainda mais como meus irmãos e mentores. Para simplificar, eu diria que Alex é um cara divertido e confiável; Tim é mais “na dele”, mas está sempre tomando conta de si mesmo e de seus amigos; e Matt é simplesmente um cara muito positivo e edificante. E é legal demais poder ter tudo isso em uma banda.

Metal Na Lata: Tendo em vista que o Stryper é reconhecido no Brasil como uma das principais referências do rock cristão, e Tim Gaines, ex-Stryper, é seu parceiro no Faithsedge desde 2014, eu preciso perguntar se você ouvia ou ainda ouve a banda…

Giancarlo Floridia: O Stryper foi uma das minhas bandas favoritas e sua música me ajudou em alguns momentos muito difíceis da minha vida. Depois do que fizeram com Tim e da forma como ele foi tratado, eu não consigo mais ouvir, o que é triste, mas quem sabe um dia Michael (Sweet) faça a coisa certa e perdoe seu irmão de mais de 30 anos, e os dois retomem a amizade. Mas isso está nas mãos dele.

Metal Na Lata: Que outras bandas, cristãs ou não, você aponta entre as suas principais influências?

Giancarlo Floridia: O The Temptations é de longe a minha banda favorita de todos os tempos, o que explica a maneira como eu canto e ideias que podem não ter muito a ver com as de outros cantores no meu estilo. Também adoro Richard Marx, George Michael e Bryan Adams. Da cena metal, eu diria Queensryche quando eles ainda tinham (Chris) DeGarmo na banda, Megadeth de 1990 a 1997, KISS durante a fase sem maquiagem e X-Japan.

Metal Na Lata: Você é o único compositor no Faithsedge ou todos têm voz mesmo que a palavra final seja sua? Qual é o método de composição da banda, se é que existe um?

Giancarlo Floridia: Eu escrevo a maioria das canções, mas tem uma que fiz em parceria com Tim chamada “Through the Scars” que, como você pode ver, tem mais groove do que eu costumo fazer. Tim e eu fizemos um ótimo trabalho juntos. Neste álbum, Alex gravou todas as guitarras; eu as compus, mas ele aprendeu e as tocou em seu estilo. Mas estou sempre aberto às ideias dos outros, ainda que compor e cantar sejam o meu foco.

Metal Na Lata: Os timbres das guitarras são um dos pontos mais fortes de “Bleed for Passion”. Que equipamento vocês usaram?

Giancarlo Floridia: Alex com certeza usou guitarras ESP, mas não lembro que amplificadores ele usou, só sei que tudo foi gravado de maneira orgânica, usando microfones. Ele não se rendeu a esse monte de plug-ins que tanta gente vem usando. Acho que isso resulta em ótimos timbres! No último álbum, eu usei um amplificador Blackstar e também usei uma ESP para gravar as minhas partes. Atualmente, sou patrocinado pelas guitarras Prestige no Canadá e adoro os modelos da Ibanez fabricados no Japão.

Metal Na Lata: Do ponto de vista tanto artístico quanto pessoal, quais são as lições mais valiosas aprendidas em quase uma década à frente do Faithsedge?

Giancarlo Floridia: Acredite em si mesmo e lembre-se de quem você é. É muito fácil deixar as coisas que deram errado acabarem com você e tornarem você uma pessoa ruim. Então, eu tento agora ser apenas eu mesmo, sendo um bom pai para meus filhos e dando o meu melhor todos os dias. E, se eu vacilar, peço perdão e sigo em frente. A vida por si só é dura o suficiente, então eu faço o possível não piorar! [risos] Mas eu diria que a lição número um é trabalhar duro e nunca desistir de si mesmo.

Metal Na Lata: Existe em uma parcela do público do rock e do metal certa resistência a artistas que são abertamente cristão-religiosos de modo geral. A que você atribui isso e qual é a sua mensagem para esse grupo que acaba deixando de conhecer artistas e bandas realmente bons por mero preconceito?

Giancarlo Floridia: Bem, nós não somos uma banda religiosa em tempo integral, e eu às vezes sou atacado pela Internet por escrever coisas mais “espiritualizadas”. Eu não exponho tão abertamente as minhas crenças porque isso acaba se tornando um padrão que as pessoas esperam que você mantenha em todos os momentos. Mas ao mesmo tempo, eu não quero que o ouvinte se sinta ouvindo uma repetição das mesmas velhas letras escritas nos anos 1980 que alguns grupos fazem. A ideia é pegar o som de quando eu era jovem, mas fazer letras que tenham a ver com a minha realidade. Até mesmo a minha positividade em relação à vida é vista como um erro pelos outros, o que é triste. Acho que você deve fazer o que você ama com sua música e se as pessoas não gostarem, elas que vão ouvir outra banda! [risos]

Metal Na Lata: Há também aqueles que acreditam que a música não deve ser usada como uma ferramenta para se posicionar politicamente e afins. Para você, a música é o meio para uma mensagem? O que é a música para você?

Giancarlo Floridia: Bem, os Estados Unidos estão bem divididos ultimamente, então não falo de política porque não quero arriscar perder alguns fãs. Eu acho que focar na música é o melhor que eu faço; continuar escrevendo músicas que têm paixão, emoção e uma aura retrô. Parece funcionar para mim, e se isso inspirar as pessoas, melhor ainda.

Metal Na Lata: Hoje em dia, as redes sociais aproximam as bandas de seus fãs e a forma como a música é consumida também mudou. Tudo, obviamente, tem um lado bom e um lado ruim. Para você, quais são os prós e os contras disso?

Giancarlo Floridia: Ah, isso é fácil. O lado bom é que eu posso conhecer fãs de todo o mundo e falar com eles ou dar uma entrevista para alguém de outro país muito rapidamente. No entanto, isso tem um lado ruim, porque permite que as pessoas que não saem de trás do computador falem mal da sua música e da sua arte; isso sem contar os sites de rock que só escrevem besteiras. Eu não preciso de conselhos vindos de pessoas que não conseguem tirar nenhuma das minhas músicas na guitarra. A cultura do download matou a indústria e prejudica demais os artistas e os selos. É preciso ter dinheiro para gravar e se promover, e quando as pessoas não pagam pelo que consomem você tem a bagunça que é hoje em dia. Ainda bem que minhas contas estão em dia. Se já seria sorte demais ter um contrato nos dias de hoje, imagine dois, como é o meu caso!

Metal Na Lata: O que vem a seguir no campo do Faithsedge? Haverá uma turnê para promover o álbum?

Giancarlo Floridia: Nada de shows por enquanto, mas vamos ver. O próximo single do álbum, que é muito mais pesado e obscuro que o primeiro, “Angelic”, será lançado em breve. Eu quero mostrar às pessoas alguns dos outros elementos do álbum. Não posso revelar ainda qual é a música. E, claro, vou continuar dando entrevistas etc. E, no ano que vem, provavelmente começarei a compor material para o quinto álbum!

Metal Na Lata: Se você tivesse que escolher algo que você fez na música para ser lembrado em um futuro distante, o que seria? Pode ser uma letra, uma música, um álbum, um show inesquecível…

Giancarlo Floridia: No último álbum eu escrevi uma música chamada “Faith and Chris” da qual eu me orgulho muito. Acho que é um bom resumo da minha vida e, em termos de letra, está em um nível que eu sempre quis alcançar. O novo álbum é algo que eu colocaria no topo da lista também. Mais importante que tudo isso, eu quero ser lembrado como alguém que nunca desistiu.

Metal Na Lata: E para o ouvinte de rock e metal que nunca ouviu falar do Faithsedge, qual seria a mensagem? Qual você acha que seria a melhor porta de entrada para o trabalho da banda e por quê?

Giancarlo Floridia: Eu diria que se você curte rock com mensagens positivas e alguma profundidade nas letras, você deveria conferir o nosso som. Apesar de eu amar músicas de todas as épocas anteriores aos anos 1990, acredito ter muito mais a dizer nas minhas letras, naquilo que eu canto. Além disso, se você está em busca de uma banda nova que soe legítima, o Faithsedge é a banda.

Metal Na Lata: Para terminar, eu reparei que você está usando camisetas de pro-wrestling na maioria das suas fotos promocionais mais recentes. Vamos falar um pouco sobre essa nossa paixão em comum! Você se considera um fã do entretenimento esportivo?

Giancarlo Floridia: Sim! Minhas camisetas do Ultimate Warrior! Sempre gostei do Warrior quando era criança, e ele publicou muitos vídeos no YouTube antes de falecer que, se você escutá-los, pode realmente se sentir inspirado e motivado. Acho que ele estava certo em ser positivo e trabalhar duro para realizar seus sonhos, por isso que eu uso muitas de suas camisetas no material promocional da banda. Parei de acompanhar as lutas, pois eu gostava mesmo era dos personagens que pareciam super-heróis. Nunca lutei profissionalmente, mas brigava bastante com o meu irmão, o wrestler Davey Cusano, então aprendi alguns movimentos legais e sei como me defender, mesmo sendo baixinho!

Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo. Agora o espaço é seu. Sinta-se à vontade para dizer o que quiser aos leitores do METAL NA LATA!

Giancarlo Floridia: Eu que agradeço pelo espaço! Muito obrigado! O Brasil tem ótimos fãs de rock!

Mais Informações:

faithsedge-music.com
facebook.com/faithsedge
[email protected]

Compartilhe
Assuntos

Veja também