Symphony X – Bar da Montanha, Limeira/SP (04/08/2019)

Foto_02
Compartilhe

Banda Principal: Symphony X
Banda de abertura: Kryour
Local: Bar da Montanha, Limeira/SP
Data: 04/08/2019
Produção: Circle of Infinity Produções e Top Link Music

Texto e fotos por Luiz Gustavo Santos

Não tenho dados estatísticos, mas o Symphony X é provavelmente a banda que mais ouvi nos últimos anos. Sigo viciado na sonoridade dos caras, tanto da fase mais épica quanto da atual, mais agressiva. Por isso resolvi “sacrificar” meu domingão com cerca de 7 horas de estrada. De quebra, a viagem serviu pra conhecer o Bar da Montanha, casa de shows em Limeira que vem arrebanhando várias bandas grandes nos últimos anos. E minhas impressões de lá foram as melhores possíveis. Certamente vou voltar.

Bom, pra mim o Symphony X deveria estar no Wacken naquele fim de semana, e não tocando no interior de São Paulo pra 300 ou 400 pessoas. Tenho plena convicção que um bom planejamento de carreira daria um upgrade considerável na popularidade mundial da banda, mas enfim. Deixo essa discussão pra um momento mais apropriado. Vamos ao que interessa.

Pouco depois das 6 da tarde os paulistanos do Kryour entraram no palco. Eu não conhecia o som dos caras e tive uma ótima surpresa. Uma banda extremamente técnica e agressiva, fazendo com muita competência algo entre o Melodic Death e o Progressive Death Metal. A banda foi muito bem recebida pelo público presente e pode mostrar boa parte do seu recém lançado trabalho “Where Treasures Are Nothing”.

Foi um ótimo aquecimento, com destaque para Gustavo Landoli, vocalista e guitarrista da banda, que apesar da baixa estatura é um gigante no palco. Puta vozeirão e muito peso nas 6 cordas. Já em casa, ouvi com calma o trabalho dos caras e o disco já entrou na minha pré-lista de melhores do ano. Ouça também!

Já energizada para o show, a galera teve que aguardar poucos minutos para o show principal. No intervalo, aproveitei pra dar uma tietada no Mike Lepond, que ficou um tempão no meio do público no bar, atendendo a todos. Só entrou quando foi chamado pra tocar. O SX pisou no palco pouco depois das 7 e meia da noite.

Após a introdução, vem de cara a paulada “Iconoclast”, que ajudou a fazer pular os que ainda estavam sentindo o clima frio. O som estava muito bom desde o começo, claramente definido e muito potente. O monstro Russel Allen aparece pela primeira vez no palco de óculos escuros, rasgando o vozeirão e levantando de vez o público. Logo depois, com a sequência com “Evolution (The Grand Design)” e “Serpents Kiss”, a banda tinha todo mundo na mão.

O repertório segue igualmente poderoso, privilegiando músicas diretas e de bastante punch, características dos últimos discos da banda. Dentre essas, meu destaque, claro, é “Sea of Lies”, um grande clássico da banda e provavelmente minha música predileta. A exceção vem só ao final, com a épica “The Odyssey” e seus quase 25 minutos, em que o show fica por conta dos teclados e orquestrações.

Contudo, apesar de intenso e cativante, o set é bastante curto. Parece show de abertura. Em pouco mais de uma hora a banda deu adeus ao último show de sua tour. Pra uma banda com 25 anos de estrada e que tem uma discografia de altíssimo nível, é muito pouco. Não sei quais as razões pra essa economia, mas aparentemente a turnê toda foi assim.

De qualquer modo, saí de Limeira muito mais fã dos caras. Russel Allen é um assombro. O cara estava com uma intoxicação alimentar que, segundo ele, o fez ficar horas no banheiro e perder cerca de 8 quilos nos dias anteriores. Pediu desculpas pela voz ruim. Se aquilo que ouvi é a voz ruim dele, sabe-se lá como é a boa! Aliás, as piadinhas acerca de seu estado de saúde criaram uma ótima conexão com o público, rendendo altas risadas e tornando o show bem intimista.

Russel se mostra muito entrosado no palco com o Michael Romeo. Parece que os dois se entendem só no olhar. Romeo, o principal nome do Symphony X, é outro monstro. Sola de forma impecável e, quando necessário, faz um barulho quase infernal, tornando difícil acreditar que há apenas uma guitarra no palco!

Enfim, apesar do show curto, o Symphony X entrega ao vivo o que promete em estúdio. Uma banda técnica, experiente, entrosada e com ótima pegada. E, ao menos na minha opinião, em grande fase. Espero que os caras finalmente deem uma segurada nos projetos paralelos e lancem logo o sucessor do ótimo “Underworld” (2015). Seria pedir demais uma nova tour no ano que vem?? Estarei aguardando.

Setlist:

Iconoclast
Evolution (The Grand Design)
Serpent’s Kiss
Nevermore
Without You
Run With the Devil
Sea of Lies
Set the World on Fire (The Lie of Lies)
The Odyssey

Compartilhe
Assuntos

Veja também