
Após o hiato dos palcos, em 1995, o Misfits retornou com Michale Graves nos vocais e, com isso, muitos redescobriram a banda bem como outros conheceram-na a partir daquela fase. É fato que a sonoridade da banda mudou nos dois álbuns lançados com Graves, “American Psycho” (1997) e “Famous Monsters” (1999). O Punk Rock caótico, crú e sujo de antigamente cedeu lugar a algo mais “metalizado”, quase que beirando o Hardcore, bem produzido e muito mais pesado que antigamente angariando muitos novos fãs que sequer gostavam da fase com Glen Danzig nos vocais. Conflitos de ego, brigas, tretas, demissões, voltas e saídas definitivas fizeram com que Graves se dedicasse somente a sua carreira solo, gravando muitos álbuns mas nunca esquecendo do seu legado no Misfits. Agora, com a turnê “American Monsters”, que passará por várias cidades do Brasil, o cantor nos brindará com a execução na íntegra dos seus dois seus álbuns famosos de sua ex-banda e aproveitou para nos contar a respeito dessa fase, planos futuros e, obviamente, contar toda a verdade por trás das encrencas e perrengues do passado e presente que enfrentou. Confira!
Por Johnny Z. e Marcelo Vieira
Tradução por Wallace Magri
Fotos por A. Santaella Lynch, Angelica Rincon e Rodrigo Cerda

Metal Na Lata: Como surgiu a ideia de apresentar ao vivo os dois álbuns de sua época no Misfits nessa turnê? Foi decidido a pedido dos fãs ou pode ser considerada uma extensão à celebração do 40º aniversário da banda, ocorrido em 2018?
Michale Graves: A ideia e sentimento por trás desse esforço é preparar o que está por vir. Para eu chegar ao lugar que eu quero estar criativamente e também pessoalmente, de certa forma, parece que a hora agora é de revisitar essas músicas e tocá-las a partir desta perspectiva. Para realmente entender de onde eu vim e o que eu fiz. E para realmente ver aonde eu estou agora, é importante voltar a essas músicas. Também, claro, eu acho que é uma hora boa para os fãs.
Metal Na Lata: Você esteve no Brasil, eu creio, por três vezes anteriormente. Quais são suas mais vivas memórias desses dias?
Michale Graves: A enorme quantidade de amor e respeito que eu recebi das pessoas o tempo todo.

Metal Na Lata: O que você pode dizer sobre a resposta ao vivo para “American Psycho” e “Famous Monsters”? Quais são as músicas que fazem os fãs ficarem mais selvagens?
Michale Graves: “Dig Up Her Bones”, “Scream”, “Saturday Night”, “Helena” são todas bem populares com o público.
Metal Na Lata: Muito foi dito sobre a vinda do Misfits ao Brasil em 1998, que não contou com você nos vocais. A imprensa brasileira naquela época soltou algumas notas pouco amistosas sobre isto que nós acreditamos não serem verdade. O que realmente aconteceu?
Michale Graves: Eu tive uma discussão com Jerry Only (baixista do Misfits). Então, Jerry Only e seu irmão Kenny, que era nosso tour manager na época, decidiram me substituir por outra pessoa ao invés de falar comigo e trabalhar para tornar as coisas melhores e mais fortes. Mas não, eles me substituíram sem sequer me deixarem saber que fariam isso. Então, eles vieram aqui para o Brasil e me que queimaram contando meias verdades e espalhando informação falsa. Eles me demitiram da banda.

Metal Na Lata: Ficamos sabendo que o Misfits e seus advogados tentaram te processar por essa turnê Sul Americana apenas por citar o nome “Misfits” no pôster. Não faz sentido a banda renegar sua fase e os álbuns matadores que fizeram juntos. Isso soa realmente desrespeitoso. Como terminou esta história?
Michale Graves: A história termina comigo cumprindo os requerimentos deles. Esses caras infelizmente têm algum tipo de problema pessoal comigo e são muito imaturos, tem mente pequena ou fracos para enfrentar. Eles continuam insultando os fãs e sua própria música. Não a mim! Não precisamos de Jerry Only e nós certamente não precismos de John Cafiero (produtor e empresário faz tudo da banda). Ele é uma piada. Essa música é maior que eles, é maior do que qualquer um de nós.
Metal Na Lata: Então, como você disse, eles te demitiram. Parece que não faz sentido considerando que a banda voltou depois com você nos vocais em 1999 e mais tarde somente com Jerry Only como único membro oficial.
Michale Graves: Caras, eu fui tratado como lixo. Ninguém se importou sobre o que seria de mim. Contanto que Jerry Only estivesse contente, era o que importava. Contanto que os holofotes estivessem sobre ele, tudo estava bem, por isto era o mais importante. Ninguém dava a mínima se eu estava escrevendo e fazendo os trabalhos mais importantes da banda. O trabalho estava se convertendo em todo o sucesso que estávamos tendo, a música, a voz. Voltei por um tempo achando que as coisas melhorariam, mas saí quando eu tive o suficiente deste tipo de tratamento. Eram táticas de bullying muito parecidas com o que eles fazem atualmente. Jerry Only e John Cafiero deixaram claro que eles NÃO SÃO meus amigos e que não dão a mínima para mim ou para essa música de modo a oferecer nada de bom para o mundo e para o coração e alma das pessoas.
Metal Na Lata: Existe alguma coisa que você gravou com a banda que ainda não foi lançada ou continua guardada?
Michale Graves: Não, não. Tudo que existia saiu na coletânea “Cuts From The Krypt”, em 2001. Mais nada existe comigo na banda.
Metal Na Lata: A era Glen Danzig também proporcionou muitos clássicos no catálogo do Misfits. Os fãs podem esperar algumas surpresas desta era nos shows que estão por vir? Que outro tipo de material podemos esperar?
Michale Graves: Eu vou deixar para Glen cantar aquelas músicas, mesmo que eu as AME! Se Glen me convidasse para cantá-las eu o faria, mas até lá, por respeito a ele e a celebração de SEU legado, eu vou me abster disso me focando somente no material que fiz parte.

Metal Na Lata: Por que o projeto com Marky Ramone não decolou? Da perspectiva dos fãs foi como um sonho se tornando realidade ter Misfits e Ramones juntos em um show!
Michale Graves: Eu não queria queria fazer tanta turnê quanto o Marky precisaria que eu fizesse. Eu não podia dar minha palavra e depois deixá-lo na mão. Isso não faz parte do meu caráter e então ele encontrou alguém que pudesse.
Metal Na Lata: Depois do final da turnê, qual o destino de Michale Graves? Você vai direto para o estúdio? E as celebrações do legado do Misfits vão acabar? Talvez relançamentos de “American Psycho” e “Famous Monsters”?
Michale Graves: Eu vou para o estúdio em julho e então para a Europa em Agosto. Eu vou continuar a “American Monster Tour” em setembro nos Estados Unidos e então lançar um novo álbum. Depois destas turnês, eu vou deixar estes álbuns para trás e iniciar um novo esforço focado em meus novos álbuns e meu trabalho solo. Eu sempre vou incluir “Dig Up Her Bones” e músicas como “Saturday Night” no setlist quando vocês me virem ao vivo, pois essas músicas são muito boas para me livrar delas.
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