Metal na Lata

Entrevista com o cantor Rob Rock

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Entrevista com o cantor Rob Rock

Por Sérgio R. Santos
Fotos: Divulgação/Moritz Hedrich

Os fãs de Heavy Metal de todo o mundo já tiveram o prazer de ouvir o incrível trabalho de Rob Rock, uma das vozes mais notáveis na história desse gênero musical. Seja como parte do Avantasia, Axell Rudi Pell, Timo Tolki’s Avalon, Warrior, Driver, Joshua, Angelica, Fire of Babylon, Vice ou, é claro, em duas bandas que desempenharam um papel fundamental em sua carreira: a lendária M.A.R.S., que também incluía o virtuoso guitarrista Tony MacAlpine, e junto a dois músicos famosos que já acompanharam Ozzy Osbourne, Tommy Aldridge (na bateria) e Rudy Sarzo (no baixo).

Além disso, Rob Rock colaborou com o fabuloso guitarrista Chris Impelliteri na banda Impellitteri. E não podemos deixar de mencionar suas inúmeras participações especiais em outros projetos, tornando difícil escolher apenas um para destacar, como Nozomu Wakai’s Destinia, Rick Renstrom, Gus G, Vivaldi Metal Project, Empire of Eden e seu mais recente projeto, o excelente Destroyer of Death de Martin Samson. Além de tudo isso, Rob construiu uma carreira solo espetacular com cinco álbuns clássicos!

Neste ano, Rob Rock foi indicado para o Metal Hall of Fame, uma das mais altas honrarias para um músico do gênero Heavy Metal. Após sete anos desde sua última apresentação no Brasil, Rob retornará para uma turnê que incluirá seu show solo e a banda Narnia. Tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre seu trabalho mais recente com o baixista Martin Samson e sua carreira.

Metal Na Lata: Olá, Rob! É um prazer falar com você. Primeiramente, queremos saber como estão suas expectativas para os próximos shows no Brasil. Além disso, gostaríamos de ouvir suas memórias sobre o nosso país, já que passou bastante tempo desde a sua última visita à América do Sul.

Rob Rock: Olá! É um prazer falar com vocês. Estou ansioso para os 7 shows que faremos no Brasil e espero que tenhamos um grande público. Tenho lembranças vívidas dos fãs brasileiros, conhecidos pela sua paixão pela música, e estou realmente empolgado por estar de volta.

Metal Na Lata: Rob, você acumulou uma vasta experiência tocando na Ásia e na Europa, mas é notável que, na América do Norte e do Sul, onde você possui uma base sólida de admiradores tanto em sua carreira solo quanto com o Impellitteri, enfrenta desafios para realizar turnês. Qual é a sua perspectiva sobre as razões subjacentes a essa situação?

Rob Rock: Bem, acredito que isso se resume a uma questão de viabilidade prática. A realização de uma turnê precisa fazer sentido do ponto de vista dos negócios, e na Ásia e na Europa, existe uma estrutura sólida para turnês em clubes e teatros. Na América do Norte, nem sempre faz sentido realizar uma turnê quando o sistema de suporte logístico não está completamente estabelecido em termos de roteamento e distâncias. Fazer turnês é, essencialmente, uma atividade de deslocamento, e os custos associados a isso são consideráveis.

Metal Na Lata: Quando você fez uma turnê aqui junto com Leather Leone, ouvimos comentários de que você ficou impressionado com os músicos brasileiros que atuaram como banda de apoio e que tinha interesse em colaborar com eles naquela época. Essas informações procedem? Poderia compartilhar um pouco mais sobre sua experiência na América do Sul com esses músicos?

Rob Rock: Com certeza, tive uma ótima experiência com a banda brasileira, tanto em termos pessoais quanto musicais. Nós nos divertimos muito juntos e foi um prazer trabalhar com eles.

Metal Na Lata: Recentemente, foi anunciado aqui no Brasil que vários títulos do Impellitteri serão lançados no mercado brasileiro em um curto espaço de tempo. Como a banda é mais reconhecida aqui com você nos vocais, acredito que isso também contribui para promover o seu nome. Para os fãs, é muito importante ter uma edição local de um CD sendo lançado a um preço acessível, mesmo que o mercado de vendas de CDs esteja diminuindo. E em relação à sua carreira solo, existem planos para novos álbuns ou relançamentos?

Rob Rock: Sim, fico contente em saber que os lançamentos do Impellitteri estão saindo no Brasil. Tenho a esperança de que os meus álbuns solo também estejam disponíveis em breve, juntamente com alguma nova música. Atualmente, estou em discussões sobre esses planos.

Metal Na Lata: O projeto Destroyer of Death, de Martin Samson, que será esse mês de setembro, está sendo muito aguardado pelos fãs. Tive a oportunidade de ouvir o álbum, e ele realmente oferece aos headbangers tudo o que esperavam de um trabalho com a sua voz. Poderia nos contar como surgiu o convite para fazer parte desse projeto? Devo dizer que o resultado final é maravilhoso!

Rob Rock: Conheço Martin Samson há bastante tempo. Nos encontramos em um show do Impellitteri em Los Angeles. Quando ele estava formando seu projeto, me convidou para participar, e concordei em ajudá-lo. Nossa intenção era criar um álbum incrível que também exaltasse o Senhor e fortalecesse nossa fé por meio das letras. Fico muito feliz que você tenha gostado do resultado.

Metal Na Lata: A equipe de músicos que colaborou no álbum com você, CJ Grimmark e Martin, é talentosa e impressionante. Contou com músicos como Rex Carol, Jorn Lande, Anders Johansson e Anders Kollerfors, que fizeram excelentes gravações. Como vocês coordenaram todo o trabalho e a composição das músicas?

Rob Rock: A coordenação de todo o trabalho ficou a cargo de amigos, e Martin coordenou tudo. Quanto à composição das músicas, ela foi realizada por Simson, Grimmark e eu.

Metal Na Lata: A capa do álbum apresenta uma bela imagem. Quem foi o artista responsável? Existe algum significado específico por trás dessa imagem?

Rob Rock: Acredito que o símbolo na capa represente a eternidade. Martin foi o responsável por toda a arte, mas não tenho informações sobre o criador específico.

Metal Na Lata: Mais uma vez, vemos um projeto em que você colabora com CJ Grimmark. No passado, ele e outros músicos do Narnia tocaram com você como uma banda de apoio em shows solo ou em estúdio para gravações de álbuns. Acredito que tanto ele quanto Roy Z foram muito importantes, tanto como músicos quanto como amigos, em sua carreira solo, correto?

Rob Rock: Absolutamente correto. Roy Z e CJ Grimmark são grandes amigos e têm me apoiado em minha carreira solo. Roy Z e eu somos amigos e tocamos juntos em bandas e escrevemos músicas juntos desde a época do Driver, em 1989, em Los Angeles. CJ e eu fizemos turnês juntos com Rob Rock, e CJ também ajudou Roy Z e eu enquanto estávamos trabalhando nos álbuns “Holy Hell” e na produção de “Garden of Chaos”.

Metal Na Lata: Sobre a distribuição, ouvimos falar do envolvimento de duas gravadoras ao redor do mundo, enquanto na América isso pode ser independente. Temos informações sobre um possível lançamento deste CD no Brasil ou na América do Sul?

Rob Rock: Acredito que isso esteja em andamento, mas Martin é o responsável pelo lado comercial do projeto.

Metal Na Lata: Na verdade, há quase quatro décadas você tem trabalhado com músicos de alto nível que trouxeram para sua carreira a característica de nunca entregar aos fãs um trabalho de baixa qualidade, seja em sua carreira solo ou com outras bandas de heavy metal. Os fãs, quando sabem que seu nome está envolvido, têm a certeza de que não ficarão desapontados. Qual é o segredo para manter uma carreira musical de tão alta qualidade? Além do talento, foi importante trabalhar com as pessoas certas? Você possui um legado muito importante para o heavy metal!

Rob Rock: Bem, obrigado por suas palavras gentis. Eu me esforço muito para manter um desempenho de alta qualidade em tudo o que faço. Acredito que seja a ética de trabalho que meus pais instilaram em mim quando eu era criança. Eu faço o meu trabalho como se fosse para o Senhor. Aprecio todas as oportunidades em que estive envolvido e planejo sempre dar o meu melhor. Acredito que o segredo é sempre aprender com os outros músicos ao seu redor. Prestar atenção no que você pode fazer para melhorar em todas as áreas, seja escrever músicas, se apresentar ao vivo, gravar ou nas questões comerciais. Aprender sempre é o caminho para crescer.

Metal Na Lata: Há dois projetos em que você colaborou que estão entre os meus favoritos: Avantasia e Timo Tolki`s Avalon. Suas performances vocais nesses trabalhos foram notáveis. Mas você não fez turnê com eles, Avantasia, por exemplo, tinha uma programação regular de turnês, e seria um sonho vê-lo cantando em shows ao vivo com eles. Você já recebeu um convite para algo assim ou tem algum projeto ou músico com quem gostaria de se apresentar ao vivo?

Rob Rock: Sim, adoraria ter realizado shows com o Avantasia, porém, a logística das turnês nem sempre se encaixa de maneira adequada. São muitos fatores a serem considerados ao planejar uma turnê que faça sentido para todos, especialmente quando os músicos estão dispersos por diversos países e continentes.

Metal Na Lata: Rob, você gravou quatro excelentes álbuns de estúdio para sua carreira solo. Acredito que tenha sido seu desejo ter uma banda chamada Rob Rock depois de ter feito tanto trabalho para outros músicos. Como você descreveria esse período de sua vida?

Rob Rock: Durante esse período, me foi oferecido um contrato solo pelo Japão, mas nunca pensei em nomear uma banda com o meu próprio nome. Apenas aconteceu dessa forma para atender às expectativas da gravadora japonesa, que foi a primeira a enxergar o potencial de uma carreira solo de Rob Rock. Aceitei a oferta deles no Japão, e a partir daí, a carreira se expandiu para a Europa e os Estados Unidos. Estou muito satisfeito com meus quatro álbuns de estúdio e o lançamento em vídeo “Live in Atlanta”. Atualmente, estou compondo músicas para um novo álbum, então, quando tudo se alinhar, espero poder lançar novas gravações no futuro.

Metal Na Lata: Aqui no Brasil, sempre ouvimos falar dos lendários concertos do Impellitteri com você nos vocais no Japão, mas nunca tivemos um DVD ou algo oficialmente gravado para os fãs, mesmo em outros países ou disponível no YouTube. Por quê?

Rob Rock: Todos os lançamentos são controlados pelas gravadoras, mas, em última instância, a decisão de lançar algo em vídeo está nas mãos de Chris Impellitteri. Até o momento, ele optou por não lançar nada nesse formato.

Metal Na Lata: Atualmente, após tantos anos na cena, olhando para trás, acredito que você tenha boas lembranças da cena do heavy metal dos anos 80, daquela época em que começou sua carreira ao lado de Vice, M.A.R.S., Joshua, Impellitteri. Mas se você pudesse voltar no tempo, mudaria algo?

Rob Rock: Bem, sempre é tentador olhar para trás e desejar mudar algo no passado, mas você chegaria onde está agora se tivesse feito algo diferente? Sim, poderia ter tomado decisões diferentes ao longo do caminho, mas talvez não teria durado quase quatro décadas na indústria se tivesse feito algo diferente. Eu esperava que o MARS fosse um grande sucesso, mas as coisas não saíram como planejado, e o caminho que percorri me trouxe até onde estou hoje.

Metal Na Lata: Rob, sei que este ano você foi incluído no Metal Hall of Fame, meus parabéns! Conte-nos um pouco sobre este prêmio.

Rob Rock: O prêmio foi concedido aos membros da banda Impellitteri, Chris, James e eu, em reconhecimento à nossa longevidade e contribuição para a cena do metal ao longo dos anos. Estou muito agradecido por ser incluído no Metal Hall of Fame e por receber esse reconhecimento.

Metal Na Lata: Uma curiosidade de fã: Rob, sua voz tem um grande alcance, um vocal forte nas notas altas. Quem foi sua principal influência como cantor? Há algum cuidado especial ou técnica para cuidar da saúde de sua voz?

Rob Rock: Comecei como baterista que fazia backing vocals em bandas cover, tocando músicas do Styx e Kansas, com muitas harmonias envolvidas, então esse foi meu começo como cantor. Mas, à medida que me tornei um frontman, fui muito influenciado por Lou Gramm do Foreigner, Ronnie Dio, Paul Rodgers, Boston, entre outros. Em relação à saúde da minha voz, dormir durante as turnês é o mais importante. Além disso, tento preservar minha voz o máximo possível. Viajar é realmente a parte mais desafiadora das turnês.

Metal Na Lata: Rob, você é cristão e sempre transmitiu mensagens poderosas em suas letras, mantendo uma atitude exemplar de respeito na cena do heavy metal. Como você, como cristão, analisa este novo mundo pós-pandemia, com conflitos políticos, guerras, a nova revolução industrial com Inteligência Artificial e assim por diante?

Rob Rock: Vejo o mundo girando cada vez mais rápido em direção à Segunda Vinda de Cristo. A Bíblia menciona muitos sinais dos tempos finais, e estamos testemunhando esses sinais se tornando mais evidentes a cada dia. Para mim, Cristo é a resposta, então não tenho medo, mas tenho preocupação por todos e espero que eles possam conhecer Cristo pessoalmente.

Metal Na Lata: Muito obrigado, Rob, pela entrevista. Deixe uma mensagem para seus fãs no Brasil.

Rob Rock: Estou realmente ansioso por esta turnê e quero vê-los nos shows. Não sei quantas vezes poderei voltar ao Brasil, então, por favor, venham me ver enquanto têm a chance. Agradeço a todos vocês e desejo celebrar a vida juntos. Envio meu amor e minha sincera gratidão pelo apoio. Até breve!

Mais infomações:

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https://www.instagram.com/robrockofficial

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