
Ralf Scheepers é um daqueles músicos que marcaram a história do heavy metal em vários momentos da carreira: seja nos discos que cantou com o Gamma Ray, em suas participações no Ayreon, em sua antiga banda Tyran’ Pace, mas, principalmente, com o Primal Fear, que está lançando seu décimo terceiro álbum, “Metal Commando”, pela Nuclear Blast e pela Shinigami Records no Brasil. O Metal Na Lata bateu um papo exclusivo com o vocalista, que revelou detalhes por trás de algumas músicas do disco, comentou sobre sua técnica vocal e explicou como está a situação da banda em meio a pandemia do novo coronavírus. Leia abaixo!
Por Gustavo Maiato
Colaboração Marcelo Vieira
Diagramação, edição e Header Johnny Z.
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: Como foi lançar um disco em plena pandemia? O que mudou no processo em relação aos lançamentos anteriores?
Ralf Scheepers: Não mudou muita coisa porque tudo foi feito antes da pandemia. Nós mixamos o álbum em janeiro e o coronavírus ainda não tinha surgido. Essa situação só começou a piorar mesmo na Europa e na Alemanha em março. Então, tudo correu bem no que diz respeito à composição. Por outro lado, tivemos problemas para fazer as fotos promocionais e também para gravar os videoclipes. Então, algumas fotos foram colocadas posteriormente, já que ninguém podia viajar para o lugar onde íamos fotografar. Mas em termos de composição das músicas nada mudou; todo o processo ocorreu antes da pandemia.
Metal Na Lata: Apesar da pandemia, a banda já tem planos para turnês futuras?
Ralf Scheepers: Infelizmente não. Tudo foi cancelado, não tem nada acontecendo esse ano. Não fizemos a turnê [prevista] pelos Estados Unidos e nem [tocamos n]os festivais de verão na Europa. Tudo foi adiado e é muito difícil para os [tour] managers remarcarem os shows para o ano que vem porque ainda não sabemos o que vai acontecer. Não sabemos quantas casas de show vão sobreviver, quantos produtores vão permanecer em atividade. Mas você tem que pensar em soluções. Se os políticos derem sinal verde para as bandas caírem na estrada novamente, pode ser muito tarde para todos os envolvidos se você não tiver nada planejado de antemão, mesmo com o risco de que tudo seja cancelado de novo.
Metal Na Lata: O novo disco, “Metal Commando”, aborda vários assuntos. A música “Along Came The Devil”, por exemplo, fala sobre a história do Primal Fear e diz que “o diabo tentou destruir a banda”. Quem seria o diabo nessa metáfora?
Ralf Scheepers: É uma alegoria para coisas ruins que aconteceram com a banda e, às vezes, até dentro da banda. Mas no final nada conseguiu parar a gente, e nada jamais vai nos impedir de continuar. Então, essa letra é como uma autobiografia. Comecei com algumas frases e fui completando a história; foi isso que fiz nessa música!
Metal Na Lata: Já “Hear Me Calling” fala sobre uma viagem de avião! Qual foi a inspiração para essa música?
Ralf Scheepers: Se você é um artista que faz muitas turnês, muitas vezes precisa deixar sua família em casa. Nem sempre é fácil fazer isso. Quando você embarca em um avião e viaja de Honduras para o Brasil, por exemplo, você pensa naqueles que deixou para trás e essa música é uma mensagem para essas pessoas. Nós, músicos, sentimos falta das nossas famílias e daqueles que amamos. Essa música é sobre isso.
Metal Na Lata: “I Will Be Gone” fala sobre um novo começo. O que motivou a banda a escrever sobre um tema como esse?
Ralf Scheepers: Essa letra é do Mat [Sinner] e eu acho que ela é um pouco autobiográfica para ele. Muitas vezes, você meio que romanceia as suas experiências pessoais. Essas histórias nem sempre são óbvias – é a sua vida que você descreve em uma letra – e às vezes há um pouco de ficção envolvida.
Metal Na Lata: A última música, “Infinity”, é um épico de 13 minutos e eu senti um tom pessimista na letra, que diz que “não há luz no fim do túnel”. Com a crise mundial causada pelo novo coronavírus, essa música acabou ficando bem atual, certo?
Ralf Scheepers: Sim, apesar de ter sido feita antes da pandemia. Mas você pode sempre adaptar uma música para qualquer situação na sua vida. As pessoas sempre podem adicioná-la à sua própria história. Por isso nós queremos sempre deixar a interpretação para o ouvinte, para que ele estabeleça seu próprio ponto de vista e crie sua própria história. Somos todos seres humanos e estamos sujeitos a diversas coisas na vida e, às vezes, o que uma pessoa passa é parecido com algo que eu passei. No fim das contas, todos nós vivemos certas situações.
Metal Na Lata: A música do Primal Fear com maior número de streamings no Spotify é “The End Is Near”. A que você atribui isso?
Ralf Scheepers: Não faço ideia! [risos] “The End Is Near” é um título muito forte, talvez as pessoas gostem disso. Realmente não sei. De repente isso muda daqui a uns três anos com “Metal Commando”.
Metal Na Lata: Em 2006, o Primal Fear tocou no Brasil, no festival Live ‘N’ Louder e algumas coisas deram errado com o show. Você se lembra o que aconteceu?
Ralf Scheepers: Não exatamente. Acho que foi um problema de horário. Às vezes, as coisas não são muito bem-organizadas. Lembro que houve um atraso e o David Lee Roth era o headliner. Como você sabe, o headliner tem prioridade e todas as outras bandas precisam encurtar o setlist um pouco para que ele suba ao palco na hora marcada. Às vezes, é assim que acontece.

Metal Na Lata: Você é um dos maiores vocalistas de metal de todos os tempos. Como descreve o seu estilo vocal? Eu diria que você fica entre o Rob Halford e o Michael Kiske!
Ralf Scheepers: Primeiramente, muito obrigado pelo elogio! Tento me manter sempre em forma, protegendo ao máximo minhas cordas vocais. Tento fazer sempre o meu melhor. No que diz respeito ao meu estilo, utilizo uma técnica para notas altas que se chama belting [saiba mais em aqui]. É a mesma técnica que o Michael Kiske e o Rob Halford utilizam. Mas, no fim das contas, todos têm uma voz única, porque cada aparato vocal é diferente. Também faço muitos exercícios de voz, e isso é muito importante.
Metal Na Lata: Você fez parte de muitas bandas grandes como o Gamma Ray, o Tyran’ Pace e houve até boatos que você integrou o Helloween por um breve período. Como você analisa a sua carreira e a sua importância para a cena?
Ralf Scheepers: Nunca estive no Helloween, isso é certo! Só faço aquilo que eu adoro fazer. Sou viciado nesse tipo de música, gosto de compor e de estar no palco. Sempre que você faz uma coisa de coração, de modo verdadeiro, você não pensa muito. Você simplesmente vai lá e faz e as pessoas vão sempre perceber a verdade naquilo que você faz. Se você fica só interpretando um papel que não é o seu eu verdadeiro, as pessoas rapidamente perceberão a farsa. Isso é o que diferencia ser bem-sucedido de não ser.

Metal Na Lata: Muito obrigado pela entrevista, Ralf! Vamos encerrar com uma mensagem para os seus fãs aqui no Brasil e para os leitores do Metal Na Lata!
Ralf Scheepers: Muito obrigado pelo apoio e por acreditarem e nós. Ainda não sabemos como vai ser daqui para frente com toda essa situação do coronavírus, mas faremos o possível para tocar na maior quantidade de países possível. Esperamos que tudo volte ao normal logo. Obrigado pela resposta positiva ao nosso novo álbum. Por enquanto, fiquem bem e se cuidem!
Mais informações:
www.primalfear.de
www.facebook.com/PrimalFearOfficial
www.instagram.com/primalfearofficial





