ENTREVISTA COM ROB DE LUCA (SPREAD EAGLE, UFO)
Se o Skid Row foi a resposta da Costa Leste ao Guns N ‘Roses, então o Spread Eagle é o equivalente ao L.A. Guns. Para bom entendedor, essa referência basta e já confere ao grupo formado no final dos anos 1980 em Nova York a aura de imperdível para fãs de hard rock. Em 2019, o Spread Eagle pôs fim a um jejum de vinte e sete anos sem lançar nada com o muito bom “Subway to the Stars”. Da formação clássica, apenas o vocalista Ray West e o baixista Rob de Luca seguem a bordo, acompanhados pelo baterista Rik de Luca (desde 2010) e pelo guitarrista Ziv Shalev (desde 2012). Em maio, a banda volta aos palcos da América do Norte sob grande expectativa dos fãs, que se mobilizaram a ponto de organizar um fã-clube. Nesse mesmo mês, Rob chega ao Brasil ao lado do UFO para três apresentações da turnê de 50 anos do grupo. Diante disso, o Metal Na Lata conversou com o baixista, que entre um ensaio e outro, encontrou tempo para responder às nossas perguntas. Acompanhe!
Por Marcelo Vieira
Fotos Divulgação
Metal Na Lata: Sete anos atrás, Rik de Luca comentou no vídeo de “Switchblade Serenade” no YouTube que o Spread Eagle estava preparando um novo CD. Por que demorou tanto até vocês o finalizarem? A formação atual está tocando junta desde 2012. Foi difícil encontrar tempo para fazer a coisa andar?
Rob de Luca: Estamos todos muito ocupados tocando em diferentes bandas e projetos, o que preenche muito do nosso tempo e foco. Depois que o Spread Eagle conseguiu a combinação correta de integrantes, quisemos tocar ao vivo por um tempo sem pressões adicionais. Isso nos deu a chance de nos tornarmos uma unidade sólida, o que sempre reflete nas gravações.
Metal Na Lata: Em 2006, o Spread Eagle fez alguns shows com Chris Caffery na guitarra e John Macaluso — que gravou parte do álbum “Open to the Public” — na bateria. Com esses dois grandes músicos a bordo, por que as coisas não evoluíram para um álbum?
Rob de Luca: O Spread Eagle sempre contou com grandes músicos. Mas enquanto cada um tem sua própria visão do que quer em sua vida, o Spread Eagle só quer uma coisa: uma mistura muito particular de atitude musical e graça. A banda escolhe seus membros e nós apenas ouvimos.
Metal Na Lata: As músicas de “Subway to the Stars” foram compostas no Music Building, em Nova York — exatamente o mesmo lugar em que as músicas do álbum de estreia foram compostas e ensaiadas. Em que aspectos compor e gravar em Nova York ajudou no resultado final? Qual é a sua música favorita do álbum?
Rob de Luca: Nova York é a maior cidade do mundo. Afeta profundamente tudo o que toca. Minha música favorita neste momento é a faixa-título “Subway to the Stars”.
Metal Na Lata: “Subway to the Stars” está recebendo elogios da imprensa em todo o mundo — dei nota 8,0 para ele na minha resenha aqui no Metal Na Lata — e entrou em muitas listas dos 10 melhores álbuns de 2019. Isso também deu início a um movimento simultaneamente nos Estados Unidos e na Austrália, com os chamados “Street Team” fazendo um ótimo trabalho em promover tudo relacionado ao Spread Eagle. O que você tem a dizer sobre esses fãs obstinados e apaixonados?
Rob de Luca: Eu tenho ouvido fãs de todo o mundo há mais de vinte anos querendo novas músicas de nós. É louvável e inspirador! Nós amamos os nossos fãs e os temos em mente em cada decisão que tomamos.
Metal Na Lata: Diferentemente de algumas bandas (especialmente da Frontiers) que lançam um álbum e dão a coisa por encerrado, o Spread Eagle está em vias de cair na estrada, com uma turnê de dez datas que acontecerá no meio do ano. O que os fãs podem esperar desses shows em termos de repertório?
Rob de Luca: Até agora, temos doze datas na América do Norte e iremos adicionar mais em breve. Também estamos estudando tocar em outros países. Planejamos incluir no repertório uma quantidade igual de músicas de cada um dos nossos três álbuns.
Metal Na Lata: O primeiro álbum do Spread Eagle completa trinta anos em 2020. O adesivo nas primeiras prensagens do LP dizia o seguinte: “O Spread Eagle é de Nova York. Eles são barulhentos. Eles são brilhantes. Eles são rudes. Eles não se reprimem. Eles são de verdade.” Na sua opinião, o que diferencia o Spread Eagle das outras bandas que começaram no final dos anos 1980/início dos anos 1990? Você acredita que dois ou três anos antes vocês teriam chegado ao top 40?
Rob de Luca: Nós realmente não temos muito tempo para focar no que as outras bandas estão fazendo. Sinto que somos nossa própria mistura de influências e energia, o que nos torna únicos. Não posso prever o que poderia ter acontecido conosco, mas adoro tudo que está acontecendo agora!
Metal Na Lata: Você ficou surpreso quando o Skid Row lançou “Monkey Business”, que é obviamente influenciada por “Broken City”? E sobre o que fala essa, que é a sua música favorita do Spread Eagle?
Rob de Luca: O Spread Eagle lançou o disco de estreia em 1990. Quando ouvi o peso de “Slave to the Grind” [, do Skid Row,] um ano depois, eu tive certeza que havíamos trilhado o caminho certo. A letra fala sobre o nosso antigo apartamento na East 9th Street, em Manhattan.
Metal Na Lata: Vocês sofreram algum tipo de reprimenda pelo conteúdo de músicas como “Hot Sex”? Hoje em dia, você escreveria uma letra assim ou concorda que alguns aspectos, incluindo a postura de “durão” das antigas hairbands, deveriam ser deixados no passado?
Rob de Luca: Eu acho que cada um deve ser verdadeiro consigo mesmo e escrever sobre quem são e o que lhes interessa. É claro que uma pessoa amadurecida escreve com uma perspectiva diferente do seu eu aos vinte anos. E “durão” para mim é aquele sujeito capaz de suportar o que for para alcançar o seu objetivo.
Metal Na Lata: Por outro lado, letras como as de “Back on the Bitch” — que não tem nada a ver com violência doméstica — e “Dead of Winter” são da mais pura seriedade. Sobre o que fala cada uma delas? Foi difícil na época encontrar o meio termo entre as letras mais sérias e as mais despojadas?
Rob de Luca: “Back on the Bitch” fala sobre alcoolismo e “Dead of Winter” fala sobre deixar para trás aqueles que você ama para sair em busca de um sonho. Tivemos tão pouco tempo para finalizar o álbum de estreia que foi difícil até conseguir escrever todas as letras a tempo, quem dirá encontrar o meio termo…
Metal Na Lata: “Switchblade Serenade” é o destaque do álbum de estreia. Por que a versão do clipe soa tão diferente da versão do álbum? E é verdade que Charlie Gambetta, o produtor do álbum, é o policial no clipe e vocês tiveram que encontrar uma modelo que não fosse mais alta que o Ray para as filmagens?
Rob de Luca: Adicionamos um refrão a mais para a versão do clipe. Eu suspeito que após tentarmos editar e o resultado parecer forçado, nós decidimos gravar uma versão alternativa. Sim, Charlie Gambetta era um dos policiais do clipe e o nosso tour manager, Swan Perez, o outro. O único requisito para a modelo era ficar bem na tela.
Metal Na Lata: Fãs de hard rock geralmente preferem agressividade a diversidade. No “Open to the Public” vocês diminuíram a velocidade das músicas, baixaram a afinação dos instrumentos e Ray demonstrou maior versatilidade nos vocais. Foi uma tentativa de atender às expectativas do mercado sob pressão da gravadora ou vocês estavam por livre e espontânea vontade trilhando por um caminho menos pesado?
Rob de Luca: A essa altura, sim, estávamos começando a sofrer pressão e expectativas externas sobre nossas músicas e nosso direcionamento musical. Embora tenhamos resistido, eu estaria mentindo se dissesse que [fatores externos] não nos afetaram de alguma forma.
Metal Na Lata: Existe alguma chance de os quatro membros originais do Spread Eagle tocarem juntos novamente?
Rob de Luca: Paul [DiBartolo, guitarrista,] agora se chama Salvadore Poe e é um iogue na Índia. Ele ainda grava e lança músicas. Tommi [Gallo, baterista,] toca numa banda chamada Iron Rage, que abrirá para o Spread Eagle em Massachusetts em maio.
Metal Na Lata: Alguns anos após o fim do Spread Eagle, você se juntou a banda de Sebastian Bach, ex-Skid Row. O “Tião”, como os fãs brasileiros carinhosamente o chamam é uma figuraça, além de ser um ótimo vocalista e frontman. Você se lembra das vezes que vieram para o Brasil?
Rob de Luca: Abrir para o Guns N’ Roses no Brasil é uma das minhas melhores lembranças. Os shows e as festas pós-shows foram lendários. Tocaremos em breve nos Estados Unidos e no Canadá.
Metal Na Lata: Você foi recrutado para o UFO em 2008 quando o então baixista Pete Way teve o visto de trabalho para os Estados Unidos negado. Como foi que a banda encontrou você? E você colocaria o UFO entre as suas principais influências quando você estava começando a tocar? Quem mais te influenciou ou influencia musicalmente?
Rob de Luca: Ron “Bumblefoot” Thal, na época no Guns N’ Roses, me recomendou diretamente para o Vinnie Moore [guitarrista do UFO]. O UFO era uma das bandas que eu mais ouvia no ensino médio e me influenciou bastante. Também adoro o estilo de tocar do Duff McKagan [, do Guns N’ Roses].
Metal Na Lata: Você esperaria sete anos até finalmente gravar em estúdio com o UFO. “A Conspiracy of Stars” (2015) continua sendo o disco de inéditas mais recente da banda. Como a vindoura turnê de aniversário tem um quê de turnê de despedida, devemos aceitar o fato de que o UFO não lançará mais nenhum álbum ou vocês já têm algo em andamento?
Rob de Luca: Nada está em andamento no momento, mas estou sempre aberto a criar novas músicas!
Rob de Luca: Chris era um ser humano fantástico, divertido e maravilhoso. Todo dia [de gravação] com ele era fácil e transcorria bem. Nós fizemos um álbum e tanto juntos.
Metal Na Lata: O UFO desembarca no Brasil em maio para shows no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Como está a ansiedade para esses shows?
Rob de Luca: Apesar de já ter tocado no Brasil muitas vezes, esta será a minha primeira vez aí com Neil Carter [, guitarrista do UFO,] e estou muito ansioso para reencontrar todos vocês, seus roqueiros loucos!
Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo, Rob. Espero que você tenha gostado de responder a essas perguntas. Pra terminar, deixe uma mensagem para os seus fãs no Brasil e para todos os leitores do Metal Na Lata!
Rob de Luca: Obrigado a todos os maravilhosos e apaixonados fãs brasileiros do Spread Eagle! Espero que possamos tocar por aí muito em breve!
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