
Spread Eagle – “Subway to the Stars” (2019)
Frontiers Music
#HardRock
Para fãs de: Babylon A.D., Shark Island, Sleeze Beez
Nota: 8,0
Foram anos de inatividade, com o nome se tornando sinônimo de clássico cult, característica comum a todos os grupos de hard rock do início dos anos 1990 que não se deram bem por chegarem tarde demais na festa. Mas ao contrário de muitos, o Spread Eagle teve uma segunda chance, ainda na época, para tentar se estabelecer. Acontece que “Open to the Public”, com todas as suas tentativas ocultas, mas nem tanto, de conquistar o público já antenado no então chamado rock de Seattle, pecou no que de mais grave poderia ter pecado: deixando o “NYC Street Metal”, sub-subgênero inaugurado pelo próprio Spread Eagle no seu excelente autointitulado álbum de estreia, de lado.
Portanto, a missão oculta, mas nem tanto, desse “Subway to the Stars” seria retomar de onde o primeiro álbum parou, fingindo que “Open”, por mais que possua bons momentos, permaneça relegado à condição de desvio de trajeto. Para tal, Ray West (vocais) e Rob DeLuca (baixo), agora acompanhados pela dupla Ziv Shalev (guitarra) e Rik De Luca (bateria) voltaram às origens, aos dias de luta, com a maturidade adquirida ao longo dos anos de multiprojetos — sobretudo Rob, que percorreu o mundo como membro da banda de Sebastian Bach —, à procura de um aristotélico meio-termo entre a porradaria de trinta anos atrás e o refinamento próprio da idade atual e aliado ao fato de que West não mais vocifera da maneira e na altura que se ouve, por exemplo, no hino “Switchblade Serenade”.
O resultado, no entanto, surpreende por ser “limpo” demais em alguns aspectos. Hired gun por excelência, Shalev joga nas onze, mas seu instrumento não soa pontiagudo como meu ouvido gostaria que soasse. O repertório, no geral, sofre pela falta daquela impressão de que os alto-falantes do som vão ceder ao abalo de riffs e solos afiados e repletos de alavancadas. O mesmo vale para West, cuja ocupação principal à frente do altamente recomendável Weapons of Anew, parece ter redesenhado sua maneira de cantar de modo geral: a abordagem amadurecida veste como luva no WOA, mas tem lá seus momentos de incompatibilidade no SE, e isso acarreta a perda de décimos preciosos no quesito atitude.
A compensação vem da melhor maneira possível: através de músicas realmente boas e capazes de empurrar a nota lá para cima: “Dead Air” e “More Wolf Than Lamb” são de uma modernidade inesperada, mas, de modo algum, fajuta; “Grand Scam” e “Antisocial Butterfly” dominam a fatia headbanger com seus três minutos e pouco de instrumental frenético e fúria incontida em letras contestadoras. Na qualidade de primeiro single e videoclipe, “Sound of Speed” aposta num refrão empolgante. Já “29th of February” e sua métrica pouco convencional soa como um engavetamento na autoestrada das palavras, cuja corda de fuga é o peso do instrumental — sobretudo da bateria, que Rik parece tocar usando marretas no lugar das baquetas.
Não tenho dúvidas que até mesmo a exemplo de “Open to the Public”, que hoje em dia acho um discão da porra, “Subway to the Stars” melhore ainda mais com o tempo. O problema vai ser encontrar tempo para viabilizar essa melhora. Por enquanto, a nota é essa, com direito a um adicional de caráter puramente emocional: é muito bom ver o Spread Eagle alçando voo novamente!
Marcelo Vieira





