Entrevista com Fernando Lopes, Filipe Tonini e Sandy Hirahata (War Age)

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Fazendo um Heavy/Thrash Metal com muita qualidade, o grupo paulista War Age vem colhendo ótimos frutos do seu primeiro trabalho, “Behind My Mask”, que obteve inúmeros elogios e prêmios fora do pais. Batemos um papo com Fernando Lopes (Baixo), Filipe Tonini (Guitarra) e Sandy Hirahata (Bateria), sobre toda história do grupo, iniciativa de ajudar a cena do Brasil e muitos mais.

Por William Ribas

Metal Na Lata: A banda foi formada em 2002, mas por falta de estabilidade na formação encerrou as atividades. Após 10 anos, voltaram, o que os motivou para essa retomada?

Fernando Lopes: Tínhamos 5 composições do período de 2002 que estavam prontas, mas que nunca gravamos em lugar nenhum, fora alguns ensaios ao vivo totalmente descompromissados. Neste período, por questões nas carreiras pessoais de alguns e eventos que ocorreram com a banda, houve algumas trocas de membros que culminou em formações instáveis, forçando a banda a entrar em hiato. Em meados 2011 entramos em contato entre si para, inicialmente, registrarmos estas 5 músicas em um álbum, a fim de não se perder o material que tínhamos e guardarmos este mesmo material como uma “lembrança” nossa. Com a volta dos ensaios a qualidade sonora das músicas executadas por nós estava muito melhor – houve uma melhora significativa das habilidades musicais de todos, tanto em maturidade, quanto em precisão da execução das músicas pelo grupo como um todo – o que acabou nos empolgando bastante. Ao longo do ano, decidimos por compor mais músicas e fazer um álbum completo. Isso naturalmente levou a trazermos de volta a banda para a ativa e lançar o álbum para o público em geral.

Metal Na Lata: Como foi o processo de composição para “Behind My Mask”? Houve alguma pressão interna por ser o primeiro álbum?

Fernando Lopes: Não houve pressão. As composições vinham de ideias que tínhamos durante os ensaios de 2011 e aprimorávamos as criações em casa para juntarmos tudo no ensaio seguinte até termos a música finalizada. Como inicialmente a nossa ideia não era lançar o álbum acabou que não houve pressão. Pelo contrário, nós estávamos nos divertindo bastante! A composição em si de cada música foi única. Às vezes a composição veio da ideia de um tema a se falar na letra, outras e riffs e trechos instrumentais iniciais que moldaram a música como um todo, outras, por incrível que pareça, saíram de “brincadeiras” que estávamos fazendo com os instrumentos entre a execução de uma música e outra nos ensaios e ficaram tão boas que desenvolvemos uma composição completa a partir disso. No final da criação do álbum fizemos pequenas modificações em todas as músicas e chegamos ao nosso trabalho final, pronto para as sessões de gravação.

Metal Na Lata: O estilo seguido é um Heavy/Thrash com belos riffs, da melhor escola anos 80. Como fazer para que soe natural como vemos no álbum e não uma cópia barata do que já foi feito?

Fernando Lopes: A influência musical de todos do grupo foram as bandas dos anos 70, 80 e 90, crescemos escutando estas bandas. Essa influência é bem aparente no nosso trabalho, a começar pelo gênero musical que escolhemos para as nossas composições – basicamente o “heavy metal ‘tradicional’” – e na maneira como tocamos, já que aprendemos nossos instrumentos tocando e cantando músicas feitas por bandas deste período na época de nossas adolescências. Porém, quando começamos a compor, já desde 2001 nossa ideia não era nos parecermos ou sermos uma “banda cover” de ninguém, tanto que não usamos nenhum material em específico como base durante as composições. Ainda assim, nosso jeito de tocar está “contagiado”, assim por dizer, pelos gêneros musicais do rock pesado dos anos 70, 80 e 90, nossas grandes influências. A naturalidade vem do fato de que demos aos nossos riffs e passagens musicais um toque mais moderno, o que, na nossa opinião, resultou em algo diferente, mais orgânico e um pouco mais original. Nossa maturidade musical também ajudou bastante a moldar nossa composição. Somado a tudo isso, a tendência das preferências musicais pessoais de cada um do grupo para determinadas correntes do rock pesado colaborou para temperar o álbum já que, apesar de virmos da mesma “escola” musical, há uma grande heterogeneidade entre nós. Nossas preferências dentro do rock pesado diferem muito entre si.

Metal Na Lata: “Behind My Mask”, tem uma bela capa, com cores escuras. Que passam uma densidade incrível. Qual o conceito que quiseram passar com ela?

Fernando Lopes: A capa do nosso álbum vem da temática das nossas músicas, basicamente, política e religião. Quisemos dar a entender que os conflitos e sofrimentos que retratamos nas nossas músicas vem de uma figura religiosa, muito carismática e bastante manipuladora, e que seria quem estaria por trás de todos os conflitos retratados nas músicas. Escolhemos dar uma aparência pesada, porém marcante e forte na identidade visual da capa, até nos detalhes que marcam o cenário de destruição de fundo.

Metal Na Lata: Agora em 2017 vocês ganharam o prêmio de “melhor álbum de Heavy Metal” nas audições do mês pela Academy Music Awards, em Los Angeles, CA, EUA. Qual é a importância desse reconhecimento para o grupo?

Sandy Hirahata: É incrível ver o seu trabalho reconhecido mundo a fora. É poder ter a certeza de que o seu trabalho foi muito bem desenvolvido e executado. Acreditamos que este reconhecimento poderá abrir muitas portas para a banda em nível internacional em um futuro próximo, e nos excita a continuar desenvolvendo o trabalho para dar continuidade a esta obra.

Metal Na Lata: Em maio último foi lançado “Torture”, primeiro clipe da banda, por quê escolheram essa faixa?

Sandy Hirahata: A música “Torture” tem uma letra marcante que casa com uma fotografia impressionante. Em algumas reuniões que a banda fez foi unânime a escolha, e as ideias para o clipe surgiram naturalmente. Foi muito legal ver o entrosamento da banda não somente no palco, mas também com o desenvolver das idéias do videoclipe, que foram surgindo da cabeça de todos e casando com o desenrolar das cenas. Foi um trabalho muito rápido e profissional.

Metal Na Lata: Há algumas semanas vocês lançaram uma excelente campanha para trocas de cds com bandas que já tenham álbuns gravados, afim de que nos shows pudessem ter maior variedades de materiais para venda. Como tem sido a repercussão?

Filippe Tonini: A nossa ideia foi de alguma forma tentar juntar forças com as demais bandas autorais para passar a fornecer mais variedades e opções de materiais para o público que vai nos shows. É uma forma de “inovar” para que possamos alavancar as vendas e divulgação de outros materiais e bandas também. Tivemos algumas bandas que nos procuraram, o que foi muito legal e agora temos mais materiais para oferecer (bandas como Thunderlord, Arma, Metaltex, Anthares, entre outras). A campanha vai continuar e bandas que tiverem interesse podem nos procurar a vontade.

Metal Na Lata: Vemos um sério problema na cena em geral. Parece que a internet ao mesmo tempo que aproximou o artista do fã, o deixou um pouco distante em shows e na compra de cds. Como vocês veem isso?

Filippe Tonini: A internet de fato trouxe muita facilidade tanto para o público como para as bandas e cá para nós, é uma realidade que temos que aceitar e nos adaptar da melhor forma. Vejo com bons olhos o fato do público continuar buscando bandas novas a todo momento, que sempre foi uma característica do público de metal e que a internet não matou, mas por outro lado acho que matou o “ritual” de audição de um álbum, que era aquele momento que você não fazia mais nada além de ouvir o álbum e ler o encarte. Do lado da banda, é muito surreal estar respondendo esta entrevista e no mesmo momento sua música estar tocando em uma rádio da Bélgica! Isso graças a internet. Porém com a internet as pessoas ficaram mais preguiçosas e mal saem de casas e vão a shows. Mas isso acho que pode ser mudado, por que, afinal, banda precisa de público e público de banda é banda também. Ter banda não te isenta de também ir a shows de outras sacou? Quando falamos de apoiar a cena, é algo muito mais amplo do que apenas a banda que toca. Vejo várias entrevistas de bandas que falam da ausência de publico em shows, mas nós músicos somos boa parte do publico também e não vejo este movimento acontecendo na proporção que deveria. Mas aí é uma discussão mais extensa.

Metal Na Lata: Quais bandas nacionais, do passado e do presente, influenciam o som do War Age?

Filippe Tonini: Desde adolescentes sempre escutamos as bandas clássicas do metal brasileiro como Stress, Centúrias, Salário Mínimo, Harppia, Azul Limão, entre outras que também fazem parte do nosso som. Hoje fico muito feliz em ver que temos diversas bandas excelentes com qualidade que não devem em nada para banda gringa. Bandas como Metaltex, Thunderlord, Life in Black, Deathgeist, Amorfo, Panndora, King Bird, Nacionarquia e várias outras.

Metal Na Lata: Para quando podemos esperar o sucessor de “Behind My Mask”?

Sandy Hirahata: Ainda estamos em fase de divulgação do nosso primeiro álbum, mas com planos para 2018 de iniciar o processo de criação e composição de novas músicas. Acreditamos que em um futuro não tão distante poderemos contar com algumas novidades do WarAge.

Metal Na Lata: Se uma pessoa quer se familiarizar com o som do War Age e pergunta a vocês qual é a música que melhor definem o som da banda, qual seria a escolha?

Sandy Hirahata: O nosso álbum todo é bem coeso, mas, particularmente gosto muito da faixa título War Age, é uma música completa rica em detalhes com vocais fortes e passagens bem harmoniosas ao longo da faixa. Acredito que esta música bate com força nos tímpanos do ouvinte que por sinal deixa marcas.  Todos dizem que devemos amar todos os filhos igualmente, mas tenho um carinho especial por esta música.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é todo de vocês.

Filippe Tonini: Gostaríamos de agradecer a vocês do Metal na Lata, pela oportunidade e dizer que este espaço que vocês nos dão é de suma importância para a divulgação das bandas autorais. Parabéns por manter este espaço pois sabemos que não é nada fácil manter algo aceso assim e claro, agradecer a galera que tem nos acompanhado nos shows, compartilhado nossas postagens, curtindo e adquirindo nossos materiais, muito obrigado, MESMO!!

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