Entrevista exclusiva com Christian Buchhaas (MORPHEUS’ DREAMS)

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Não é fácil fazer Heavy Metal no Brasil. A paixão que move os fãs e músicos do ramo, superam quaisquer dificuldades para verem seu sonho se transformar em realidade. De forma independente, sem uma grande gravadora dando suporte financeiro e técnico, muitas bandas se esforçam, e com perseverança, criatividade e talento, conseguem criar obras que transcendem o mundo do Rock e Heavy Metal com uma naturalidade que impressionam quaisquer ouvidos, fãs do estilo ou não. É o caso do Morpheus’ Dreams, projeto liderado pelo guitarrista Christian Buchhaas (guitarra), que finalmente teve seu primeiro álbum lançado digitalmente. A riqueza técnica e melódica do disco é tamanha, que chamou a atenção de músicos renomados na cena Heavy Metal, como o vocalista Alirio Netto (Age of Artemis), que participou em quatro faixas do disco. Para saber detalhes de como o projeto foi concebido, conversamos com o mentor da obra, além de sabermos suas influências e planos para o futuro. Com vocês, Christian Buchhaas!

Por Mauro Antunes

Metal Na Lata: Christian, primeiramente obrigado por atender ao Metal na Lata. Conte-nos sobre como o projeto começou, quando você começou a trabalhar nele?

Christian Buchhaas: Eu é que agradeço o espaço. A banda já tirou até “carteira de motorista” pois tem 19 anos de idade. Ao longo desse tempo o projeto foi amadurecendo fui colocando mais conceitos, como trabalhar com músicas étnicas juntamente com o Heavy Metal e o “Sandman” (Nota do Redator: um dos nomes mais populares do Deus dos Sonhos por causa do gibi de mesmo nome escrito pelo escritor inglês Neil Gaiman).

Metal Na Lata: Você começou a trabalhar no álbum há tempos, mas às vezes realmente até as coisas tomarem forma requer ainda mais tempo…

Christian BuchhaasMas isso acabou sendo até um ponto saudável. Tivemos durante esse período 3 formações diferentes, sendo a primeira aquela coisa mais de amizade. As formações tiveram algumas alterações com um ou outro integrante se repetindo. Estou sozinho desde o final de 2013. No início de 2010 tive o lançamento dos singles “Trismegistus” e “Lobo-Guará”, e o primeiro álbum acabou de sair contendo essas mesmas duas faixas completamente regravadas. O mais importante de não ter acontecido antes, foi eu ter amadurecido pessoalmente, profissionalmente e financeiramente pra ter condições de fazer o disco bem feito. Se o disco tivesse saído antes, o resultado não seria como este, e por esse lado, agradeço à Deus.

Metal Na Lata: Chama a atenção os convidados especiais presentes no álbum, onde destaco os grandes vocalistas Alirio Netto e Juliana Rossi. Conte-nos como foi trazer ambos para gravarem com você.

Christian Buchhaas: Tive a oportunidade de gravar com um grande time de excelentes músicos e pessoas. Cada um deles colocou seu talento natural e abrilhantou de forma única o resultado final. Sem eles, “nem a pau” que teria ficado como ficou. A Jú é amiga minha de longa data, já estive em uma de suas bandas (Uma das formações do Hevorah) e sempre imaginei a voz dela na Morpheus. O Alírio tive a oportunidade de conhecer através do Eduardo Macedo, da MS Metal Agency. O Edu sabia que eu iria gravar o álbum e ainda estava procurando alguns dos músicos e sem pestanejar me indicou o Alírio, o que eu, também sem pestanejar, aceitei a sugestão (risos). Entrei em contato com ele, nos reunimos para lhe apresentar as músicas, ele curtiu e fez as participações em 4 faixas. Aproveito o espaço para falar também dos outros “faixas-preta” que estiveram ao meu lado: Fernanda Hay, a excelente vocalista da banda Overalive e, também, minha prima, (na verdade prima da prima, mas primo de primo também primo), outra pessoa que sempre sonhei em trabalhar junto; Dio Lima (Da Kurzweil) e Bruno Ladislau (baixista do André Matos), também indicados pelo Edu; Marcell Cardoso (baterista do Rafael Bittencourt e Família Lima), que é meu amigo desde a época da faculdade; Ricardo Vignini (Moda de Rock) na viola caipira e um excelente músico que foi meu primeiro professor de guitarra; Alexey Kurkdjian nos violinos, também amigo de faculdade; André Zangari no hurdy gurdy, amigo pessoal; e meu grande amigo e excelente produtor, Marco Nunes, que puxou minha orelha em todos os momentos necessários, acreditando no meu sonho. Gratidão é o sentimento que tenho pela participação de cada um.

Metal Na Lata: Tive a oportunidade de ler as letras das músicas e vejo que os temas religião e espiritualidade predominam. Você é um estudioso do assunto, então pergunto: esses temas são coisas importantes na sua vida?

Christian Buchhaas: Religião, espiritualidade e ocultismo são temas que me fascinam. Sou espírita Kardecista e gosto de ler muito e entender certas coisas ligadas ao ocultismo, coisas não explicadas. Gosto muito de ufologia, hermetismo, e admiro muito aos estudiosos dessas áreas, em minha opinião, trata-se de uma profissão para se adquirir esse conhecimento todo, são temas absolutamente incríveis, tanto que tantas bandas fazem músicas que falam sobre o assunto e acho que vale abordar esses temas. As duas primeiras faixas do disco “Emeraldine” e “Trismegistus” são do lado mais hermético oculto, e estão conectadas. Um dos livros do hermetismo, “A Tábua de Esmeralda” e por isso a música tem esse nome devido ao livro, e a parte de percussão dela se remete a célula rítmica da “Trismegistus”.

Metal Na Lata: Algo que me chamou a atenção são as várias passagens das letras em português, como em “Lobo-Guará”, “Ribat de Arrifana” e “Sob o Sol”. Conte-nos como foi trabalhar e escrever dessa forma.

Christian Buchhaas: Adoro a língua portuguesa, mas é difícil escrever letras com ela. Escrever em inglês é mais fácil. Temos um público muito exigente, e de certa forma, têm-se um pé atrás com a nossa língua. A música “Sob o Sol” é de autoria de Marcus Viana, e foi tema da novela “O Clone” e fala sobre fé, com palavras bem selecionadas e de extremo bom gosto. No Japão, por exemplo, isso é muito comum, fazer misturas de idiomas japonês e inglês nas letras das músicas em quaisquer gêneros musicais.

Metal Na Lata: Como músico você deve ter crescido ouvindo bandas clássicas como Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, Judas Priest, por exemplo. No Morpheus’ Dreams a influência da música clássica é predominante. Você deve ser bem eclético quando está ouvindo música, não?

Christian Buchhaas: Sim, cresci ouvindo todas essas bandas clássicas e procuro sempre ouvir coisas novas, porquê quando criamos alguma coisa precisamos ter a cabeça aberta, senão acabamos fazendo algo que já foi feito antes. Não que isso seja um problema, mas ouço muita coisa nova, ouço muitas coisas de folk não ligadas ao metal até por essa questão de misturar culturas como já falamos anteriormente. A influência de música clássica veio naturalmente, pois as bandas já utilizam isso desde sempre. O que sempre procuro fazer é explorar outras culturas como por exemplo em “Dream Awake”, com música brasileira, “Lobo-Guará” música flamenca, “D’arc (The Unburned Heart)” música francesa com uso de acordeon e um toque espanhol e “Ribat de Arrifana com música portuguesa, outras coisas como estas escondidas. São diversas influências.

Metal Na Lata: O disco foi lançado digitalmente via Spotify, Deezer, iTunes, Amazon, Youtube, dentre outras. Há planos de uma prensagem física para o álbum?

Christian Buchhaas: Sim, está disponível em todas essas mídias e, em breve, teremos uma prensagem em mídia física.

Metal Na Lata: Quais os planos para o futuro? Shows, novo álbum, etc.

Christian Buchhaas: Conquistar a Europa e mais 2 continentes a sua escolha (risos). Quanto à shows faremos assim que tivermos todos os integrantes, já que no momento é apenas eu. Enquanto trabalho a divulgação e outros integrantes, tenho material coletado, conceitos, letras, riffs, várias coisas para um próximo álbum, inclusive o nome dele já está definido, mas não posso revelar (risos). A Morpheus’ Dreams não para, o sonho continua!

Metal Na Lata: Deixe uma mensagem para os leitores do Metal Na Lata. O espaço é seu!

Christian Buchhaas: Gostaria de agradecer aos leitores e cumprimentá-los por acompanhar a página, mostrando que curtem bandas de metal com som autoral. Continuem nos dando essa força, pois precisamos de vocês.

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