
O Maestrick se apresentou para o público em 2011, quando lançaram o álbum “Unpuzzle”. A banda faz um Rock Progressivo de altíssimo nível, neste álbum misturaram vários elementos de diversos estilos musicais, alcançando um excelente resultado e boas críticas da mídia especializada. Em 2016, lançaram o EP “The Trick Side of Some Songs”, onde apresentaram releituras de vários clássicos do Rock/Metal. Em 2017 temos a promessa de um novo álbum. É com grande prazer que entrevistamos esse trio de São José do Rio Preto, descubra agora algumas novidades que a banda preparou para os fãs, nas palavras de seus integrantes: Fabio Caldeira, Renato “Montanha” e Heitor Matos.
Por Mauro B. Fonseca
Metal Na Lata: Fala Fabio, Renato e Heitor, é um prazer entrevistar a banda novamente, obrigado por nos atender. Antes de iniciarmos a entrevista, gostaríamos de parabenizar o Renato “Montanha” pelo destaque na capa da revista Bass Player Brasil de fevereiro deste ano. Parabéns.
Fabio Caldeira: O prazer é todo nosso, muito obrigado.
Renato “Montanha”: Muito obrigado, o Maestrick tem trabalhado muito e o fato de aparecer como destaque na capa da Bass Player é uma honra e mostra que estamos caminhando na direção certa.
Heitor Matos: Fala Mauro e toda equipe do Metal na Lata, muito obrigado pela entrevista!
Vamos começar pelo EP “The Trick Side of Some Songs” (leia resenh AQUI), lançado em 2016, que serviu de preâmbulo para o “Espresso Della Vita: Solare”, qual o intuito da banda ao lançar um disco só de versões de outras bandas? O objetivo foi alcançado? A banda chegou a colher os frutos deste trabalho?
Fabio: O intuito foi suprir um hiato de alguns anos sem lançar um material novo. Quando nós finalizamos a pré-produção do Solare e começamos as gravações de bateria, sabíamos que pelo nível de detalhes das músicas, levaria um tempo considerável até concluirmos tudo. Então pensamos em fazer algo que não nos sobrecarregasse e que de certa forma colocasse uma linha divisória entre o que já fizemos e o que iríamos fazer. A ideia de fazer as releituras foi natural, porque tínhamos acabado de lançar o clipe de tributo ao Dio, com a música “Rainbow Eyes”. Não quisemos reinventar a roda, porque as músicas já são perfeitas como são, mas não faria sentido gravá-las sem transportá-las para o idioma musical do Maestrick com todo o respeito possível.
Montanha: O intuito foi de mostrar para o nosso público que não estamos parados e de mostrar algumas de nossas influências através da nossa linguagem musical. O resultado foi excelente, disponibilizamos de forma gratuita o EP em nosso site e recebemos muitos elogios sobre a honestidade do nosso trabalho.
Heitor: Esse EP foi um presente nosso para as pessoas que acompanham o trabalho do Maestrick. A maior intenção com esse EP foi a de presentear mesmo, mas tivemos muitos elogios por parte da galera que ouviu!
Metal Na Lata: Desde o lançamento do “Unpuzzle” (leia resenha AQUI) para cá, é possível perceber que a banda teve uma grande evolução, vocês poderiam destacar quais pontos enxergam como primordiais para esse aprendizado e o que cada um de vocês percebeu em si mesmos de evolução como músico?
Fabio: O Gustavo Carmo, produtor do “Unpuzzle!”, nos ajudou muito nesse aspecto porque trouxe à tona a questão de nos atentarmos ao que realmente fazíamos melhor. Isso junto com o fato de sermos pessoas muito curiosas e gostarmos muito de estudar, fez com que hoje nós estejamos muito mais conscientes de quem somos como pessoas e consequentemente como artistas. Eu penso que é um movimento natural para quem procura sempre se explorar, trazer algo novo e fazer o melhor possível em cada detalhe do que faz. Da minha parte, essa consciência me trouxe mais segurança para cantar melhor e cada vez mais convicto do que acredito e isso se estende para o meu lado compositor, arranjador, instrumentista e letrista também.
Montanha: Como o Fábio disse, nós aprendemos muito com nosso primeiro produtor (Gustavo Carmo) e focamos nossos treinos e nossa atenção para o que precisávamos melhorar, estudamos muito e trabalhamos em conjunto para conseguirmos uma melhora como músicos e como banda. Eu vejo como uma melhora no fato de conseguir pensar no baixo como um elemento forte nas musicas e trabalhar com sinergia com os demais instrumentos.
Heitor: Agradeço muito o reconhecimento Mauro. Acho que mesmo quem não busca uma evolução, acaba tendo de um disco pro outro. No caso do Maestrick, nós buscamos sempre evoluir, não só tecnicamente, mas também como seres humanos e isso acho que aconteceu naturalmente!
Metal Na Lata: Uma vez perguntei para vocês sobre pirataria e MP3. Recentemente a internet revolucionou mais uma vez a forma como ouvimos música, via serviços de streaming (Spotify, Deezer, etc.), de compras de MP3 (iTuner, Google Play, etc.) e de exposição em vídeos (YouTube, principalmente), onde é possível monetizar os vídeos, como enxergam esses serviços via internet nos dias atuais? A banda faz uso destes serviços? O uso (caso afirmativo) foi efetivamente revertido em “ganho” financeiro para a banda?
Fabio: Acho que são ferramentas e não podemos ficar parados no tempo. Como artista hoje em dia, você tem que compreender essas ferramentas e procurar usá-las da melhor forma possível. Não tem como fugir disso e vamos começar a usar monetização, por exemplo no youtube, a partir do “Solare”. Já as plataformas de streaming, já tem o “Unpuzzle!” e temos contrato para receber uma porcentagem das vendas.
Montanha: Eu acho muito válido estas plataformas para aumentar o alcance de nossas músicas. Inclusive o “Unpuzzle” (em pouco tempo o Solare estará) está nas plataformas de streaming e temos contratos para recebermos porcentagens.
Metal Na Lata: Sobre o álbum “Espresso Della Vita: Solare”. Fale-nos sobre o nome do álbum, qual o significado (não a tradução) do nome do álbum? Como ele foi escolhido? Há alguma história ou curiosidade por trás deste nome?
Fabio: O disco retrata uma viagem de trem de um dia como uma metáfora para a vida. Por isso o “Solare” representa a primeira parte da viagem, as primeiras doze horas do dia, através de doze músicas. O fato de ser em italiano é um dos segredos do disco, mas quem procurar nas letras e na arte do disco vai entender o motivo e entrar em uma segunda camada conceitual, um pouco, ou muito mais profunda (risos).
Metal Na Lata: O álbum tem algum conceito envolvido? Uma temática principal, em que as músicas “conversam” entre si?
Fabio: Tudo o que fizemos com o Maestrick e o que faremos terá um conceito, uma temática. Mesmo que ela seja não ter uma temática ou um conceito (risos). Essa é a forma que acreditamos na música e é a nossa forma de fazer as coisas. A viagem de trem como metáfora é o conceito, mas cada música fala por si só, é uma experiência única, mas que vai fazer sentido no todo, não só na primeira parte, o Solare, mas na obra inteira.
Montanha: Sempre trabalhamos com temáticas e pensando nas sensações e cores que cada musica propícia, tentamos entregar ao público algo a mais e possibilitar aproximar o ouvinte do que acontece no decorrer das músicas.
Metal Na Lata: Quem é o produtor do álbum? Como foi o processo de produção e gravação? Há algo de diferente nos processos de gravações do Maestrick, ou só nas músicas?
Fabio: O produtor é o grande Adair Daufembach. Um profissional e uma pessoa ímpar que está sendo essencial para o disco estar ficando como está. O processo de gravação foi fantástico. Eu falo por mim, existe um “Fábio antes e um depois” das gravações de voz do Solare. O nível de exigência, o cuidado nos mínimos detalhes da engenharia de cada instrumento foi divisor de águas pra gente. O disco começa a ser mixado nas próximas semanas e estamos muito ansiosos.
Montanha: O Adair Daufembach é um excelente profissional que nos levou a outro nível. Em breve o Solare estará pronto e estamos ansiosos para termos o disco em mãos e ouvidos. (risos)
Heitor – O processo de composição, produção e gravação mudou totalmente nesse disco. No “Unpuzzle!” não tivemos oportunidade de gravar a pré produção em pistas separadas, testando o que fica bom e o que não fica, já no “Solare” tivemos esse recurso. A produção e gravação com o Adair também mudou bastante a concepção do disco. Teremos com certeza um disco diferente do primeiro, mas ainda Maestrick! (risos)
Metal Na Lata: O que podemos esperar deste álbum? Tem alguma coisa que possa nos contar sobre as músicas? Alguma homenagem? Quais influências poderão ser ouvidas no disco?
Fabio: Olha, você vai entender o que eu quero dizer. Será definitivamente um disco do Maestrick (risoss). A “vibe” do disco vai seguir o momento da viagem, ou seja, da hora do dia que está. Então teremos desde o amanhecer ao meio dia, até o fim da tarde. Cada música mostra um lado diferente da banda, com muita dinâmica, muitos climas distintos, vários instrumentos étnicos, batucada, sarcasmo. No final é um disco muito emocional e acho que eu não conseguiria colocar todas as influências que você vai ouvir no disco porque no final nós buscamos ser espontâneos novamente como fomos no “Unpuzzle!”.
Montanha: Podem esperar um registro muito honesto de nossa parte, colocamos muitos esforços no disco e tentamos colocar o nosso melhor. As músicas estão no estilo da Maestrick, uma mistura de influências registradas da nossa forma de tocar.
Metal Na Lata: Soubemos que há participações especiais no álbum, como tiveram a ideia para estas participações e qual a contribuição que cada músico deu às músicas nas quais participaram?
Fabio: Cada participação foi por uma necessidade artística, vale dizer isso. Se uma música precisava de um instrumento inusitado, nós convidávamos alguém que conhecíamos. Para citar algumas participações, temos cantores e instrumentistas de quatro países da América do Sul, fora o Brasil, em apenas uma música. Temos o cantor e o flautista da banda Flor de Loto do Peru, temos a cantora da banda Nova Orbis da Colômbia, os membros da banda Sunrunner dos EUA. também. Um percussionista popular, um erudito, uma orquestra de cordas, um coral completo, banjo, dobro, steelguitar, charango, viola caipira e por aí vai. Eu não tinha listado isso ainda depois de gravar e estou um pouco assustado com a quantidade de pessoas. (risos)
Metal Na Lata: Como encaram o fato de que, neste álbum, o “posto” de guitarrista é ocupado por um músico de fora da banda (o produtor, neste caso, se não me engano!)? Vocês não têm receio de que a troca de guitarristas possa descaracterizar o som do Maestrick? A banda está procurando algum músico efetivo para a posição?
Fabio: Encaramos com muita tranquilidade porque foi algo espontâneo e natural, como consequência da sinergia pessoal e musical que rolou com o Adair. Sobre a troca de guitarristas eu não tenho receio, porque nós sempre focamos no que a música precisa e aí procuramos fazer. A música não é feita para um ou outro instrumento, nós simplesmente fazemos música. Aí cada um contribui da melhor forma que puder. E é o que o Adair está fazendo, sendo um membro da banda nesse momento de gravação. Ele sabe o que nós sentimos sobre cada momento do disco e tem sua opinião. E acredite ele está expressando da melhor forma possível. Esse é o melhor cenário para o Maestrick, ter uma pessoa que temos afinidade e que está muito empolgado para tocar. A nossa ideia é efetivar um guitarrista e um tecladista para fecharmos o time de vez. Mas apenas depois do disco ser finalizado.
Heitor: A maioria dos arranjos de guitarra já tinham forma antes de mandarmos pro Adair e todos os arranjos serão aprovados por nós, foi o combinado desde o começo, justamente pra não acontecer de descaracterizar o som. Por outro lado é bem massa ouvir uma segunda ideia dos arranjos, às vezes acontece de termos uma surpresa boa vindo de uma visão diferente! Sobre a procura de um guitarrista: Sim, estamos! Mas de uma forma bem tranquila, quando for pra ser, será!! Rs
Metal Na Lata: Qual a previsão de lançamento do “Espresso Della Vita: Solare”? Haverá o formato físico do álbum? Edições “especiais”? Capas diferentes? Músicas bônus? Algumas destas coisas que o Maestrick costuma “aprontar” para os fãs?
Fabio: O disco começará a ser mixado nas próximas semanas. Haverá o formato físico do disco sim. Estamos pensando em fazer como fizemos no “Unpuzzle!”, onde a primeira prensagem tinha alguns detalhes especiais. Mas vamos aprontar algo, como sempre, com certeza! (risos)
Montanha: A previsão é que disco saia até a metade do segundo semestre e lançaremos de forma física, digital e com edições especiais.
Metal Na Lata: Haverá um show de lançamento para o “Espresso Della Vita: Solare”? Já existe uma agenda de shows após o lançamento do CD? Há algo de diferente preparado para os shows deste álbum? Podemos esperar alguma surpresa?
Fabio: Sim, haverá. Nós ainda não decidimos onde será, mas vamos divulgar com antecedência. Nós já temos alguns shows agendados para assim que o disco sair. Como sempre buscamos nos shows, vamos buscar elementos que proporcionem uma experiência áudio visual. Então estamos buscando elementos para o show que tragam as pessoas para dentro do trem com a gente. Quebrar a quarta parede, como dizem no teatro. Estamos muito empolgados para começar os shows, mas ainda temos trabalho para fazer antes do lançamento do disco.
Metal Na Lata: Vocês querem fazer algum comentário final, ou deixar um recado para os fãs da banda que leem a página? O espaço é de vocês. Obrigado mais uma vez pela atenção que dispensaram para nos atender. Desejamos muito sucesso à banda e o Metal Na Lata está sempre de portas abertas para vocês.
Fabio: Eu quero agradecer imensamente pela atenção de todos ao nosso trabalho. É uma imensa honra e felicidade poder trabalhar com o que a gente ama e ainda ter pessoas que se identificam com o amor que depositamos nos nossos trabalhos. Esperamos que a primeira parte do Espresso Della Vita, a Solare, agrade a vocês, porque ali está o melhor que pudemos fazer. Muito obrigado e um grande abraço com toda a gratidão possível!
Montanha: Eu quero agradecer muito o apoio de todos e o espaço proporcionado por vocês (equipe Metal na Lata e Mauro B. Fonseca). Estamos ansiosos para começarmos as atividades com o Solare e vamos trabalhar duro para passar a melhor experiência possível. Muito obrigado e um abraço a todos. Obrigado Mauro B. Fonseca e Equipe Metal Na Lata
Heitor: Muito obrigado a todos do Metal na Lata e especial a você Mauro! Valeu pela excelente entrevista.
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