Entrevista: Kostas Salomidis, vocalista e guitarrista do Distorted Reflection (Epic Doom Metal da Grécia)
Em 27/02/2026, a banda ateniense de Epic Doom Metal, Distorted Reflection, lançou seu segundo álbum completo, Doom Zone (clique e confira a resenha do Metal Na Lata). Assim como o debut Doom Rules Eternally, o lançamento do atual registro aconteceu pelo selo Iron Shield Records. Atualmente, Vangelis (baixo e sintetizadores), Kostas Salomidis (vocal e guitarra) e Thomas Zen (bateria) formam o line-up do power trio da capital grega.
A fim de saber maiores detalhes sobre a carreira do Distorted Reflection, tivemos um papo muito bacana com o vocalista/guitarrista Kostas Salomidis, o qual você pode conferir a seguir.
Entrevistando Kostas Salomidis do Distorted Reflection
Metal Na Lata: recentemente vocês lançaram seu segundo disco. Embora seja notável que as resenhas publicadas sobre o mesmo são bastante positivas, é sempre importante perguntar. A recepção desse álbum por parte da mídia especializada está de acordo com as expectativas do Distorted Reflection?
Kostas Salomidis:
“Estamos orgulhosos e gratos pelas críticas que recebemos até agora. A grande maioria foi excelente, assim como foi com nosso álbum de estreia, só que desta vez em uma escala ainda maior. Não gostaríamos de falar sobre expectativas, pois isso poderia soar presunçoso. Nosso objetivo já foi alcançado, pois dedicamos todo o nosso coração e alma a este projeto, e ficamos felizes que vocês também tenham sentido isso.”
Metal Na Lata: já que ambos os lançamentos ocorreram pelo selo Iron Shield, as produções dos álbuns Doom Zone e Doom Rules Eternally aconteceram da mesma maneira? Ou seja, mais especificadamente, ocorreram no mesmo estúdio e com os mesmos produtores?
Kostas Salomidis:
“Ambos os álbuns foram lançados pela Iron Shield, assim como os dois últimos álbuns do Sorrows Path desde que comecei a trabalhar com eles. É uma gravadora muito confiável e genuína, que oferece conselhos e experiência, ao mesmo tempo que dá total liberdade à banda. Como o baixista do Distorted Reflection é Vangelis Yal, reconhecido como um dos melhores produtores gregos, a escolha foi óbvia: continuaremos gravando, mixando e masterizando no Fragile Studio.”
A divulgação de Doom Zone
Metal Na Lata: houve algum show de comemoração sobre o lançamento do novo disco? Haverá turnê dentro da Grécia ou Europa? Em suma, como vocês planejaram a divulgação de Doom Zone?
Kostas Salomidis:
“Distorted Reflection mantém um perfil discreto, o que significa que não há shows ao vivo, sessões de autógrafos ou entrevistas em áudio/vídeo.”
“E sejamos honestos, shows não oferecem muita promoção. Os pequenos são quase como se não acontecessem, os maiores são extremamente caros por vários motivos, geralmente tristes.”
“Existem maneiras modernas de promover seu trabalho sem estourar o orçamento da banda. Shows também são bonitos, mas muitas vezes não são realmente vibrantes ou são um campo de expressão artística muito superficial, mais uma atuação ou uma pose.”
Metal Na Lata: as artes de ambas as capas dos álbuns são fantásticas. Dito isso, quem foram os artistas responsáveis por esses trabalhos?
Kostas Salomidis:
“Muito obrigado! Tomas Arfert é mais uma vez o responsável pela capa, logotipo e arte do CD. Ele assumiu essa tarefa exclusivamente, e é uma grande honra para nós trabalhar com o artista por trás de algumas das artes icônicas do Candlemass.”
A cena de Metal na Grécia
Metal Na Lata: além do Distorted Reflection, quando falamos sobre Epic Doom Metal grego, citamos Doomocracy por também estarem, inegavelmente, fazendo excelente trabalho. Assim sendo, conte-nos como é a cena desse subgênero dentro da Grécia. Enfim, como vocês enxergam a cena do Metal grego incluindo Hard Rock e todos os subgênero de Metal.
Kostas Salomidis:
“Quando formei a primeira banda de doom metal grega pura com o falecido Takis Drakopoulos em 1993, não havia outras bandas nesse gênero e a cena metal no país como um todo estava em um nível muito básico.”
“Hoje, as coisas estão ótimas. Existem bandas de doom e metal incríveis, e nós melhoramos muito em termos de técnica e performance. A cena metal extrema grega teve um papel fundamental nessa ascensão. O que ainda nos falta é consistência nos lançamentos e uma personalidade sonora distinta. Quando conseguirmos isso, acho que seremos ainda melhores.”
As temáticas líricas e processo de composições do power trio
Metal Na Lata: falem sobre a temática líricas das composições do Distorted Reflection, citando exemplos de ambos os discos.
Kostas Salomidis:
“As letras geralmente exploram o autoconhecimento, a harmonia, emoções profundas, estados psicológicos extremos e a morte. Com fortes referências à filosofia e à psicologia, abordam temas que dizem respeito a todos os seres vivos.”
“No álbum de estreia, sem um conceito lírico específico, os temas abrangidos incluíam moralidade, respeito, dignidade e paixão — todos conectados à morte, o pai e mestre de todos nós, como sugeria o título do álbum.”
Metal Na Lata: falando sobre o processo de composição. Em primeiro lugar, quais são as principais influências musicais dos compositores do Distorted Reflection. O trio compõe os três ao mesmo tempo ou tem ideias separadamente e depois juntam tudo nos ensaios?
Kostas Salomidis:
“Assim como no Sorrows Path após a morte de Takis Drakopoulos, agora sou o principal compositor e letrista, pois existe uma visão e um ponto de vista específicos por trás da banda.”
“Em ambas as bandas, cada músico contribui a partir de sua própria perspectiva — especificamente na orquestração e execução. Principalmente agora com o Distorted Reflection, onde não fui influenciado por relações pessoais e escolhi os melhores membros possíveis, não precisamos de muitos ensaios ou longas discussões. Tudo flui naturalmente, com precisão e com absoluto profissionalismo cirúrgico!”
Metal Na Lata: esse espaço é livre para que você se expresse sobre algo que não perguntamos na entrevista, mas é importante ser dito. Em outras palavras, fale sobre o que achar que deve.
Kostas Salomidis:
“Muito obrigado pela honra desta entrevista… nada é mais importante do que aprender sobre si mesmo e se sentir livre! Além disso, devemos ressaltar que o álbum “Doom Zone” apresenta o solo incrível de Jack Starr na faixa de abertura! Doom reina eternamente!!!”
Metal Na Lata:
Gostaríamos de agradecer a sua participação nessa entrevista e, da mesma forma, parabenizá-los pelos dois ótimos discos do Distorted Reflection.

