Entrevista: Niklas Stålvind, vocalista e guitarrista do Wolf (banda sueca de Heavy Metal)
Em 1995, na cidade sueca de Örebro, a princípio como Wolverine, a banda de Heavy Metal Wolf deu início as suas atividades. Entretanto, somente em 2000, é que já como Wolf, saiu o seu debut homônimo. De lá para cá, em 31 anos de história dedicados ao Heavy tradicional, o quarteto totaliza nove álbuns completos e um EP, sendo Shadowland, de 2022, seu mais recente lançamento.
Atualmente, Niklas Stålvind (vocal e guitarra), Simon Johansson (guitarra), Pontus Egberg (baixo) e Johan Koleberg (bateria) formam o line-up do Wolf.

Recentemente, o frontman Niklas Stålvind disse através dos perfis em redes sociais que o décimo full lenght está, enfim, pronto e que deve sair ainda em 2026. Sendo assim, a fim de descobrir mais a respeito, tive uma conversa com o mesmo sobre o atual registro que está por vir, fatos da carreira do Wolf e Heavy Metal. Confira tudo isso abaixo:
Conversando com Niklas Stålvind, vocalista e guitarrista do Wolf
Metal Na Lata: de acordo com a divulgação em redes sociais, o décimo disco do Wolf sai ainda em 2026. Assim sendo, onde ocorreram a gravação do álbum, mixagem e masterização? Considerando que as produções de Feeding The Machine e Shadowland renderam muitos elogios, pois apresentaram alta qualidade, o que se pode esperar desse próximo lançamento?
Niklas (Wolf):
“Gravamos a bateria no SolnaSound, onde gravamos os dois álbuns anteriores, Feeding the Machine e Shadowland. Simon Johansson é o dono do estúdio, então é lá que ele também grava suas partes de guitarra solo. O baixo foi gravado no estúdio de Pontus Egberg, que também fez a mixagem do álbum no local. Gravei todos os vocais e todas as guitarras — exceto os solos do Simon, é claro — no meu próprio estúdio, o Viper Studio. É lá que componho e gravo minhas demos. A masterização ficou a cargo de Thomas “Plec” Johansson, no Studio Bohus.”
“Acredito que, se você gostou de Shadowland, não vai se decepcionar. A sonoridade é semelhante, pois é esse o som de que gostamos e sabemos como um álbum do Wolf deve soar.”

Os pegajosos singles do Wolf
Metal Na Lata: embora Wolf sempre entregou um Heavy Metal de qualidade inquestionável, os últimos discos tem apresentados músicas mais “grudentas” e com maior potencial de se eternizarem. Diga isso em relação a “Shark Attack”, “Midnight Hour”, “Shot to Kill”, “Feeding the Machine”, “Dust”, assim como “The III-Fated Mr. Mordrake”, entre outras. Eu por exemplo, não consigo mais parar de ouvir essas músicas desde que saíram (rindo muito). Em suma, a banda compartilha dessa mesma visão?
Niklas (Wolf):
“Fico feliz em saber disso! Espero que você também não consiga parar de ouvir as músicas novas (risos)! É, tentamos compor músicas cativantes que nós mesmos gostaríamos de ouvir. Acho que este álbum traz uma ótima mistura de melodias simples e envolventes com algo mais pesado e profundo. Algumas músicas são bem complexas, tanto na composição quanto na sonoridade, enquanto outras são puro heavy metal direto e acelerado — como um soco na cara. Acho que conseguimos criar um disco que dá para ouvir do começo ao fim e, logo depois, querer começar tudo de novo.”
“The III-Fated Mr. Mordrake”: a produção de um divertido videoclipe
Metal Na Lata: e por falar em “The III-Fated Mr. Mordrake”, quem teve aquela ideia sensacional do videoclipe? Transformar uma “lenda dramática” em Heavy Metal, comédia e bom humor é algo inusitado, mas que funcionou perfeitamente no contexto do videoclipe.
Niklas (Wolf):
“Se bem me lembro, eu escrevi o roteiro do vídeo — algo que costumo fazer — e, na hora da gravação, fomos desenvolvendo as coisas a partir dali e surgindo com ideias na hora. O diretor, Daniel Wahlström, tinha muitas ideias, é claro, e criamos adereços ali mesmo. Foi um dia de loucura criativa. O prédio onde fica o estúdio abriga muitas produções de TV e cinema, e o Simon tem acesso a vários cenários montados para essas produções; então, entramos lá escondidos à noite e usamos os cenários que já estavam montados. E não contamos para ninguém, é claro…”
A evolução do Wolf através dos anos
Metal Na Lata: como você avalia a evolução da sonoridade do Wolf desde que lançou o debut homônimo até o atual álbum que falta um pouco para o mundo conhecer?
Niklas (Wolf):
“Ah, foi uma longa evolução. Começamos como três desajustados em um abrigo antiaéreo (eles construíram muitos desses durante a Guerra Fria) tocando Heavy Metal em 1995, época em que fazer isso era considerado o auge do mau gosto. Não gostávamos muito de grunge ou garage rock, então simplesmente nos escondíamos lá para tocar nosso heavy metal; a maioria das músicas foi composta durante os ensaios comigo, o baixista Mikael Goding e o baterista Daniel Bergkvist.”
“Não conseguíamos encontrar um vocalista, então comecei a cantar até acharmos alguém, mas ninguém queria tocar esse tipo de música naquela época; assim, continuei cantando e acabei me tornando o vocalista. Foi assim que compusemos o álbum de estreia autointitulado, bem como o sucessor Black Wings e o terceiro álbum, Evil Star. Éramos fortemente influenciados pelos nossos heróis de infância — Iron Maiden, Judas Priest, Mercyful Fate e todo o resto do melhor dos anos 80 — e não fazíamos questão de esconder nossas influências. Era quase uma declaração de princípios: ‘Esta é a música que queremos tocar e, se você não gosta… não estamos nem aí!'”
Encontrando a sonoridade genuinamente lupina
“Acho que foi no quarto álbum, The Black Flame, que realmente encontramos nossa sonoridade única; assumi o papel de compositor principal, escrevendo sozinho ou com um ou dois dos outros membros da banda. Para mim, os álbuns The Black Flame, Legions of Bastards e Ravenous formam uma espécie de trilogia. Era aquele o som do Wolf que eu imaginava. Depois disso, apenas exploramos novos caminhos e experimentamos coisas novas, mas a base da banda sempre foi o heavy metal puro e direto.”
“Acho que Devil Seed e Feeding the Machine são os álbuns mais sombrios e pesados; compor acabou se tornando uma espécie de terapia para mim. Tem sido assim desde o Ravenous, e especialmente com o Feeding the Machine. Depois desse álbum, eu estava realmente pronto para seguir em frente e compor de uma maneira diferente. Agora, voltei às origens e tento apenas escrever boas músicas de heavy metal que eu mesmo gostaria de ouvir. Acho que exorcizei a maioria dos meus demônios com aqueles álbuns mais sombrios; talvez seja por isso que, entre os nossos discos antigos, eu goste mais de Shadowland. É simplesmente um bom disco, com boas músicas. Enquanto Shadowland era mais filosófico, o novo álbum, Hour of the Wolf, é mais divertido — embora, se você procurar bem, também encontre algumas reflexões profundas nele. Acho que simplesmente não consigo evitar…”
Wolf on the road
Metal Na Lata: em relação a estrada e igualmente aos palcos, como tem sido as turnês e participações do Wolf em festivais europeus? Aliás, Wolf já tocou fora da Europa? Pensam em tocar na América do Sul e no Brasil?
Niklas (Wolf):
“Tocamos em Bangalore, na Índia, uma vez. Foi uma loucura! Fomos a atração principal de um festival bem grande. Também tocamos nos EUA quatro vezes; a última foi no cruzeiro 70.000 Tons of Metal, em 2026. Fora isso, nossas apresentações foram na Europa. Já houve planos de ir para a América do Sul várias vezes e, em algum momento, tenho certeza de que vai dar certo. O Brasil é um lugar para onde queremos muito ir, e tenho certeza de que chegaremos lá um dia.”
Raízes no Heavy Metal clássico
Metal Na Lata: visto que o Wolf tem assinatura e estilo próprios em suas composições, ainda que se trate de Heavy tradicional, qual são as influências da banda dentro e fora do Metal?
Niklas (Wolf):
“Além das bandas que mencionei antes — Accept, Black Sabbath, Ozzy, Dio, King Diamond e muitas outras bandas excelentes dos anos 80 e 70 —, também busco muita inspiração em outros gêneros musicais. Muitos grandes compositores de trilhas sonoras e de música clássica, o surf rock dos anos 60 e todo tipo de música. Cresci ouvindo The Shadows e The Ventures — música instrumental de guitarra — e ainda me inspiro nessas canções. É a coleção de discos do meu pai; está no meu DNA.”
Sobre o novo disco que está chegando
Metal Na Lata: quanto à parte musical, o que o fã de Wolf pode esperar do sucessor de Shadowland?
Niklas (Wolf):
“Acho que é uma evolução natural em relação a Shadowland. Não pensamos muito nisso; simplesmente compomos músicas. Talvez este disco seja mais variado, com algumas faixas mais complexas e ousadas, e outras realmente simples e diretas. Mas é difícil para mim fazer comparações agora, já que estou imerso no processo de produção. De qualquer forma, na minha visão, este disco é mais divertido do que filosófico, sendo um álbum mais fácil de ouvir do início ao fim, sem interrupções.”
O futuro do Heavy tradicional
Metal Na Lata: a pergunta agora é sobre o gênero Heavy Metal tradicional. Sei que é difícil prever, mas, você acredita que o Heavy Metal tem chances de voltar ao mainstream como foi na década de 80?
Niklas (Wolf):
“Eu gostaria de poder dizer que sim, mas na verdade não acho que seja bem assim. Pelo menos não da mesma forma que era algo popular e difundido nos anos 80. No entanto, certamente é mais popular agora do que quando começamos, nos anos 90. Tentamos compor músicas atemporais, que você vá gostar tanto daqui a vinte ou trinta anos quanto gosta agora.”
“O fato é que o metal tradicional sempre terá seu lugar no mundo do metal. Quando eu cresci, heavy metal era simplesmente “heavy metal tradicional”. Em outras palavras, existia um único gênero de heavy metal, chamado apenas de Heavy Metal. Hoje em dia, temos tantos gêneros diferentes e novas “ondas” disso e daquilo. Sabe como é: as tendências vêm e vão, e o metal evolui para muitas vertentes diferentes. Felizmente para nós, nunca seguimos tendências, então nunca sairemos de moda. Ou será que nunca estivemos na moda? Deixa pra lá, haha! Mas fico feliz que o heavy metal da velha guarda esteja de volta, e tenho orgulho de saber que o Wolf foi uma das bandas que ajudaram a trazê-lo de volta.”
Considerações finais
Metal Na Lata: esse espaço serve para que você fale sobre algo que não perguntamos na entrevista, mas que sente que é necessário dizer?
Niklas (Wolf):
Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer aos fãs brasileiros! Sabemos que vocês estão aí. Esperamos que, em breve, possamos fazer alguns shows no Brasil e na América Latina. Como ouvimos de muitas outras bandas, os fãs brasileiros de metal são os mais loucos do mundo. Então, nunca deixem de ser loucos!!
Mais informações sobre o lançamento virão em agosto de 2026, então fiquem ligados!
(http://www.facebook.com/officialwolf)
Metal Na Lata:
Agradeço por essa agradável entrevista Niklas e, certamente, Hour of the Wolf vai agradar como os anteriores. Além disso, esperamos pelo Wolf no Brasil.
Enquanto mais notícias sobre ele não chega, continuamos a curtir o excelente Shadowland.





