
Fear Factory – “Aggression Continuum” (2021)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#IndustrialMetal, #IndustrialThrashMetal, #IndustrialGrooveMetal
Para fãs de: Strapping Young Lad, Tenet, Gojira
Nota: 8,5
Se você é fã e acompanha a banda com certeza sentirá um gosto amargo ao ouvir esse novo trabalho. Não pense que é um trabalho ruim, pelo contrário, é um BAITA álbum que nos remete – e muito – ao clássico “Demanufacture”, de 1995, mas ao saber que “Aggression Continuum” foi gravado há uns dois anos, mas foi lançado somente agora por conta da pandemia de covid19, e para piorar ainda mais em um momento péssimo para a banda com o anúncio – nada amistoso – da saída de Burton C. Bell, icônico vocalista que esteve a frente da banda por três décadas deixando o futuro da mesma com um tremendo ponto de interrogação, não tem como ser diferente.
30 anos à frente de uma banda é muito tempo, pois a essência da banda sempre foi Burton e Dino Cazares (guitarra), mesmo na época em que Dino não esteve presente, foi Burton quem levou nas costas tudo, mas isso é outro assunto, pois a saída do frontman de qualquer banda SEMPRE é a mais sentida.
“Aggression Continuum”, como o próprio título já escancara, é agressão contínua do início ao fim, mas também pode ser entendido como uma bela indireta para aqueles que acham que a banda acabaria depois da rachadura.
Qualquer álbum do Fear Factory que se coloca para tocar é quase que de imediato que se identifica a sonoridade própria da banda, não tem como nem ficar na dúvida, pois do primeiro ao último trabalho – crescendo sempre exponencialmente em qualidade – sua identidade sempre é escancaradamente única. Alguns trabalhos meio que se equiparam e se assemelham entre sí, mas inegavelmente são de extremo bom gosto, como por exemplo os últimos três álbuns de estúdio “Mechanize” (2010), “The Industrialist” (2012), “Genexus” (2015), curiosamente os álbuns pós volta de Dino Cazares à banda. “Aggression Continuum” pode ser considerado mais um nesses moldes? Sim, mas quem liga? Nenhum fã que REALMENTE ENTENDE e gosta da banda quer mudanças significativas, pois em time que está ganhando não se mexe (oops, foi mexido agora, isso é um mal sinal?).
A diferença que notei neste álbum em relação aos outros foi um maior uso de orquestrações, teclados e efeitos que dão uma profundidade mais psicodélica ao groove e peso brutal dos riffs de Dino com a britadeira de Mike Heller (baterista convidado) e os vocais únicos e poderosos de Burton. A produção cristalina ajuda e muito para que o ouvinte consiga ouvir todas as camadas sem soar emboladas ou uma apagando a outra, pois todas se somam e trabalham bem juntas com a melodia sem soar algo “perdido”, como aconteceu um pouco em “Genexus”.
A cacetada brutal que abre o disco, “Recode”, a mais melodiosa – não menos agressiva – “Disruptor”, a própria faixa título que é um arrasa quarteirão que lembra muito tempos de “Demanufacture” e “Obsolete” (1998), “Purity”, essa indo mais na linha de “Linchpin” de “Digimortal” com riffs daqueles que chegam a cortar nossas jugulares e vocais amplos de Burton que parecem jogar ácido nas feridas, a complexa – e uma das melhores faixas já criadas pela banda – “Fuel Injected Suicide Machine” cheia de atmosferas e climas apocalípticos de tirar o fôlego, a quebradeira quase New Metal de “Collapse” (essa pode dar alguns calafrios aos fãs mais – digamos assim – xiitas e imediatistas que definem a faixa pelos primeiros minutos de audição), “Manufactured Hope” e “Cognitive Dissonance” que nos remetem aos tempos áureos de 1994/95, a volta das sonoridades apocalípticas em “Monolith” – talvez a mais deslocada do álbum – e “End Of Line” (esse título machuca agora com os acontecimentos!), que volta a coisas mais brutais do… ah você já sabe!
Resumindo, um baita trabalho de “despedida” de Burton (eu ainda acredito em reconciliação!), mas só não leva nota maior por conta que ainda – para mim – está bem complicado sua digestão! Nessas horas, seria muito bom se não fosse tão fã da banda. Se vão seguir com outro(a) vocalista, não sabemos, mas vai ser difícil não ver Burton ali esgoelando na frente, ah se vai!
Johnny Z.





