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Forbidden – “Forbidden” (2026)

Forbidden – “Forbidden” (2026)

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#ThrashMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Anthrax, Death Angel, Heathen, Testament

Texto por: Johnny Z.

Nota: 8,5

Existem bandas que simplesmente retornam. Outras voltam carregando consigo uma expectativa gigantesca. No caso do Forbidden, a segunda situação é a que melhor define o momento atual. Desde o retorno da banda em 2023, a ansiedade por material novo era enorme. Afinal, estamos falando de uma das formações mais importantes, técnicas e subestimadas da história do thrash metal da Bay Area.

Depois de Omega Wave (2010), seu último álbum de estúdio até então, foram nada menos que 15 anos até que o grupo apresentasse uma nova composição. “Divided By Zero”, lançada como single em 2025, funcionou como o primeiro sinal concreto de que o agora recarregado e reformulado quinteto não havia retornado apenas para viver de nostalgia.

Agora, com Forbidden, Craig Locicero (guitarra) e Matt Camacho (baixo), únicos membros da formação clássica, juntos a Chris Kontos (bateria, ex-Machine Head), Norman Skinner (vocal, Skinner, ex-Niviane e ex-Imagika) e Jeremy Von Epp (guitarra), finalmente entregam a resposta para uma pergunta que permaneceu durante anos: ainda havia espaço para o Forbidden criar algo realmente relevante depois da primeira tentativa de retorno em 2008?

A resposta é um sonoro e contundente SIM”

Desde os primeiros segundos de “Single Point Failure”, fica evidente que a banda não está tentando reproduzir artificialmente o passado. O peso cortante está lá. Os solos monstruosos e a precisão também. Porém, existe uma ambição composicional maior, mesmo quando a banda caminha por territórios já conhecidos. Com o restante do álbum, fica claro que o grupo conhece profundamente suas próprias raízes, mas não parece disposto a ficar preso a elas.

É justamente essa combinação que torna o álbum tão interessante.

O início e o refrão de “Burning The Lungs of Earth” podem soar estranhos aos ouvidos dos fãs mais enraizados no thrash logo na primeira audição, mas, depois, tudo se amplia em uma atmosfera apocalíptica, colocando a agressividade do thrash mais clássico em contato com construções elaboradas. Destaque para as camadas vocais de Norman, que mesclam vários timbres com uma facilidade espantosa. Algo que o Forbidden sempre teve presente em sua carreira, mas que agora soa ainda mais agressivo.

A cacetada “Divided By Zero”, já conhecida pelo público, funciona perfeitamente dentro do contexto do disco. A faixa reafirma que esse novo recomeço não foi um evento isolado, mas parte de uma nova fase criativa. Ao meu ver, ela mostra um claro reencontro com a identidade clássica do Forbidden, combinando guitarras agressivas, dinâmica tipicamente Bay Area e aquela tensão que sempre diferenciou a banda dentro do thrash metal. Há, inclusive, uma clara conexão com a energia de Forbidden Evil (1988), mas sem transformar essa referência em mera nostalgia. Depois de tantos anos sem material inédito, “Divided By Zero” soou como uma declaração de princípios: o Forbidden resgata sua assinatura sonora, mantém a velocidade e a ferocidade intactas e demonstra que ainda possui combustível criativo para olhar adiante.

Em “DCLXVI”, temos um início em calmaria, mas, após alguns segundos, tudo vai a outro patamar, com uma tensão elevadíssima. Os famosos riffs cavalgados de Craig dão o ar da graça em uma faixa sinistra, brutal e feita para bater cabeça com os punhos enrijecidos. Cadenciada, porém extremamente pesada, é daquelas que fazem os amantes dos “can can can can” felizes (risos). Por mais que todos os membros se destaquem ao longo do álbum, o coletivo aqui é o grande vencedor. Nota-se uma coesão e uma química incríveis entre todos.

“Psyclops”, com sua introdução de baixo exuberante, surge como um dos grandes destaques. A música é um verdadeiro rolo compressor rítmico, construída sobre uma estrutura pesada e hipnótica, com riffs extremamente encorpados e técnicos de Craig e uma bateria que mantém a tensão em alta. As estruturas vocais de Norman, por sua vez, cortam como uma lâmina logo na primeira audição, reforçando o caráter sombrio e ameaçador da faixa. Em vez de apostar apenas na velocidade, o Forbidden explora peso, cadência e dinâmica, mostrando que sua agressividade também pode ser construída na contenção. O resultado é uma faixa esmagadora e, ao mesmo tempo, absolutamente fiel à identidade da banda.

A bateria trabalha com precisão cirúrgica — falando em Chris Kontos, é até redundância, pois o cara é uma máquina —, enquanto Norman Skinner acrescenta personalidade própria à formação atual, equilibrando técnica, alcance, agressividade e melodia, como Russ Anderson fazia nos primórdios da banda. Como Craig fez questão de dizer no último show em São Paulo: “Norman é o cara certo para a banda e o próprio Russ Anderson foi um dos que abençoou sua voz para continuar o nosso legado.”

O ponto menos expressivo do álbum fica por conta de “Jisei”, uma faixa que se distancia consideravelmente da intensidade apresentada até aqui. Ao longo de pouco mais de três minutos e meio, a música aposta em uma atmosfera mais contemplativa e progressiva, sustentada por ambiências, vocais de Norman e discretas percussões, praticamente sem a presença das guitarras. Não se trata, evidentemente, de uma faixa ruim; pelo contrário, ela evidencia a versatilidade da banda, especialmente de Norman, que se destaca mesmo em uma abordagem mais delicada e cristalina. No entanto, dentro da dinâmica do álbum, sua proposta acaba funcionando como uma pausa bastante acentuada.

“Mutually Assured Dysfunction” chega como uma verdadeira marretada e reforça a faceta mais agressiva deste novo Forbidden. A faixa retoma os eixos do caos e da tensão, com riffs afiados, peso considerável e uma cozinha que mantém tudo em constante movimento. Ao mesmo tempo, demonstra que o grupo ainda sabe construir composições complexas sem transformar técnica em exibicionismo vazio. O conteúdo lírico, marcado por críticas à polarização, aos discursos vazios e à hipocrisia, completa uma faixa vigorosa, pesada e urgente.

Um dos momentos mais curiosos é “Sycophantasy”, que conta com a participação especial de Brann Dailor, baterista do Mastodon, nos vocais, criando um dueto incrível com Norman. A presença do músico acrescenta uma camada diferente ao álbum, mas não soa como um recurso utilizado apenas para chamar atenção. A colaboração está integrada à proposta musical e reforça a dimensão mais experimental do trabalho. Puro suco do caos, a faixa nos remete muito ao poder e à vibe de Twisted Into Form. É um dos momentos mais interessantes do álbum, com estrutura, levadas, riffs cativantes e um refrão que conversa diretamente com o legado do Forbidden.

“The Burden” segue machucando sem dó, mais veloz e direta, com belíssimo trabalho de guitarra e um refrão eficiente. Aqui, o Forbidden prioriza impacto, peso e agressividade, sem recorrer a demonstrações técnicas gratuitas.

“Sol Grave” mantém o disco em movimento, trazendo sonoridades e climas que remetem à fase mais experimental da banda em Distortion (1994), com algumas orquestrações de fundo, mas respirando ares mais atuais de Omega Wave, além de belas camadas vocais. É uma ótima faixa, embora não cause o mesmo impacto de outros momentos do álbum.

“Flower of Life (Chaos By Design)” encerra a jornada com impressionantes nove minutos de uma composição intrincada que beira o épico caótico dentro do thrash metal contemporâneo. Soando ora experimental, ora puramente agressiva, apresenta inúmeras variações de andamento e melodias trabalhadas com um nível de sofisticação raro dentro do gênero. A belíssima passagem de piano conduz a música para uma parte final simplesmente arrepiante. Em termos de estrutura e composição, o Forbidden aqui se supera. É uma conclusão grandiosa para um álbum que não teve medo de explorar diferentes possibilidades dentro de sua própria identidade.

Se Forbidden Evil (1988) apresentou uma banda jovem, faminta e tecnicamente impressionante, enquanto Twisted Into Form (1990) representou um salto gigantesco em maturidade e composição, o novo Forbidden funciona como uma síntese dessa trajetória. Não é uma tentativa de competir com o passado, mas uma evolução construída a partir dele.

Outro mérito está na produção de Craig Locicero, Chris Kontos e Zach Ohren, que entrega uma sonoridade moderna e poderosa sem eliminar a agressividade orgânica que sempre foi essencial ao Forbidden.

A sequência de Forbidden Evil, Twisted Into Form, Distortion (1994) e Green (1997) consolidou uma identidade baseada em precisão técnica, riffs complexos e melodias marcantes. Após o retorno aos palcos, a banda começou a reconstruir essa identidade. O resultado está agora em Forbidden.

Seu grande mérito é justamente o equilíbrio. O Forbidden não tenta soar como uma banda de 1988 gravando em 2026, mas também não abandona suas raízes. Utiliza décadas de experiência para ampliar sua própria linguagem.

O álbum possui energia, peso, técnica, melodias e, acima de tudo, propósito. Forbidden representa uma nova reinvenção e tenho certeza que dessa vez só teremos ótimos frutos (e chega de pausas, né?) Para quem esperou desde Omega Wave, a espera foi longa demais!

Agora, finalmente, temos um novo álbum completo. E ele não decepciona. As melhores faixas para mim são: “DCLXVI”, “Psyclops”, “Sycophantasy”, “Mutually Assured Dysfunction” e “Flower of Life (Chaos By Design)”, daquelas de se juntarem aos grandes clássicos do grupo!

Forbidden não apenas revisita seu legado. Ele acrescenta um novo capítulo a ele. Uma obra poderosa, ambiciosa, técnica e surpreendentemente atual. O Forbidden voltou. E voltou com fome!

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