Freaky Jelly
– “Reverse” (2017)
Independente
Nota: 8,0
Não é nenhuma novidade pra ninguém que este que vos escreve não nutre um grande apreço pelo prog metal. Muito disso se deve, obviamente que na minha opinião, pela auto-indulgência que muitos músicos do estilo acabam por fazer, colocando muitas vezes sua técnica (que, impossível negar, geralmente é absurda) em detrimento da música que suas respectivas bandas fazem. Caro que isso não é regra geral, mas acontece, e muito. Portanto, sempre que alguma banda do gênero cai na minha mão, de cara surge aquela desconfiança… Felizmente, nas últimas vezes que isso aconteceu, as bandas demonstraram que usam sua capacidade à favor da música, criando composições que privilegiam as melodias e o ‘feeling’. E esse também é o caso do quinteto Freaky Jelly.
“Reverse” é o álbum de estréia do grupo e traz nove faixas que mostram as influências da banda, trazendo o que de melhor grupos como Rush, Symphony X e Dream Theater (sim, o grupo também possui algo de bom) fizeram e ainda fazem no mundo da música. As guitarras do Freaky Jelly, à cargo de André Faustino soam muito pesadas, bem como a cozinha composta por Rafael de Paula (baixo) e Mauricio Gross (bateria), que esbanjam técnica e muita criatividade. O teclado de Julio Vince cria passagens bem equilibradas, enquanto o vocalista Ricardo DeStefano canta de forma equilibrada, sem soar forçado em nenhum momento. O álbum foi produzido por Daniel de Sá (Andragonia, CrossrocK, Primator, entre outros) e teve na capa, mais um belo trabalho de João Duarte (Angra, Torture Squad, Metal Church, etc).
Desde o início com a faixa instrumental “Reflections”, pesada e com um belo arranjo dos teclados, onde a guitarra soa forte e intensa, passando por “Highest Ground”, com uma interessante variação em sua execução, assim como a “quebradeira” de “Alicia’s Garden”, as belas melodias de “Nothing to Feel”, até a balada “Hardest Part of Goodbye”, combinados com o peso de “Saints and Sinners” e “Illusions”, encerrando com a melódica “Morning Glory”, percebemos o esmero do grupo com os arranjos, melodias e, principalmente, com a música em si. E se analisarmos friamente, hoje em dia, isso faz a diferença. Ponto mais que positivo para a banda que em sua estréia consegue ser honesta e verdadeira em sua proposta. E nem dá pra perceber o quão extensas a maioria das músicas são, tamanha a qualidade do trabalho. Assim dá gosto de ouvir prog metal!
Sergiomar Menezes





