Gorefest – “False/Erase” (1992/1994)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DeathMetal #Grindcore #DeathNRoll
Para fãs de: Bolt Thrower, Pungent Stench, Carcass
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Seguindo com a série de relançamentos, a Shinigami Records traz agora o compilado duplo “False/Erase”, da clássica banda holandesa de Death Metal, Gorefest. Este material, na verdade, é uma reedição da “Ultimate Collection”, lançada em 2005 pela Nuclear Blast, contendo os álbuns “False” (1992) e “Erase” (1994), além dos mesmos bônus daquela versão de vinte anos atrás.
Até onde me lembro, nem essa edição nem os álbuns originais do Gorefest chegaram a ter versões nacionais, principalmente os mais antigos. Isso torna este álbum duplo – assim como toda a série relançada – item obrigatório para qualquer colecionador fiel ao estilo.
Para mim, em especial, ver “False” finalmente lançado aqui é um sonho realizado. Quando tive minha primeira banda de Death Metal, aos 16/17 anos, a gente tirava de brincadeira a “Reality – When You Die”, e ter a possibilidade de ter esse material em mãos já é, por si só, uma enorme alegria.
Saindo do extremo debut “Mindloss” (1991), o Gorefest refinou sua musicalidade em “False” (1992), hoje considerado um clássico absoluto do gênero, e deu um passo ainda maior em “Erase” (1994), atingindo seu ápice comercial. Mesmo com mudanças sonoras que não agradaram totalmente aos mais puristas, é inegável que ambos os discos são verdadeiras joias da música pesada.
Nesse intervalo, a banda ainda lançou o poderoso ao vivo “The Eindhoven Insanity” (1993), que a Shinigami também vai relançar, fechando uma trinca que representa o auge criativo do Gorefest. A formação da época se manteve a mesma nos dois álbuns: Jan-Chris de Koeijer (vocal/baixo), Frank Hartoorn e Boudewijn Bonebakker (guitarras) e Ed Warby (bateria).
O primeiro disco, “False”, abre com a destruidora “The Glorious Dead”, que mantém o espírito do debut em um Death Metal intenso e bem elaborado, mesclando momentos thrash com blast beats pontuais e certeiros, além de um groove avassalador no meio da faixa. Imagino a reação de quem ouviu isso na época: algo tão bem feito devia soar absolutamente impactante.
“State of Mind” traz uma cadência matadora, mas é na sequência com “Reality – When You Die” que surge o clássico incontestável do álbum. Graças ao ao vivo “The Eindhoven Insanity”, sua versão no Dynamo Festival foi bastante veiculada na MTV, apresentando ao mundo aquela musicalidade suja, pesada e cativante, com o gutural único de Jan-Chris e a intensidade absurda da banda no palco. Foi um verdadeiro marco, e segue sendo uma das melhores músicas da discografia do Gorefest.
“Get – A – Life” também carrega uma energia absurda, com um refrão irresistível que qualquer ouvinte acaba cantando junto. A faixa-título e “Second Face” retomam a brutalidade desenfreada, guiadas por harmonias de guitarra pesadíssimas, enquanto “Infamous Existence” – mais arrastada – entrega um peso esmagador, um soco na cara a cada riff.
“From Ignorance to Oblivion” e “The Mass Insanity” encerram o disco original com duas explosões de brutalidade, finalizando com chave de ouro aquele que considero, junto de muitos outros, o melhor álbum da banda. Uma aula de Death Metal, impecável do início ao fim.
Nos bônus, o “False” traz as quatro faixas da demo não oficial “Promo 92” (“False Exposure”, “From Ignorance to Oblivion”, “Infamous Existence” e “The Mass Insanity”) e o 7″ EP “Live Misery” (1992), com versões ao vivo de “Gorefest”, “From Ignorance to Oblivion” e “Infamous Existence”.
Já o segundo disco, “Erase”, mostra logo na abertura com “Low” que a sonoridade passaria por mudanças. Com uma pegada mais voltada ao Death ’n’ Roll – estilo que ainda dava seus primeiros passos, mas que o Gorefest ajudou a moldar – a faixa entrega mais groove, melodias dobradas de guitarra e um solo soberbo.
“Erase”, que ganhou um videoclipe excelente para a época, consolidou essa fase: um Heavy Metal com vocais guturais, algo inovador nos anos 90, divertido e cativante do início ao fim. “I Walk My Way” e “Fear” reforçam essa pegada, ainda flertando com elementos thrash, mas sem a mesma força dos melhores momentos da banda.
Já “Seeds of Hate” traz aquela dobradinha de guitarra tão característica do Gorefest, seguida por um andamento pesado e groovado, soando como uma ponte entre o “False” e essa nova fase. “Peace of Paper” também se destaca, resgatando o Gorefest mais brutal, quase como se a banda tivesse guardado os momentos mais impactantes para o meio do álbum.
“Goddess in Black” é outro destaque absoluto, com seu início soturno no baixo e um peso hipnótico, impossível de ignorar. “To Hell and Back” encerra o álbum original com riffs cortantes e um andamento matador.
Nos bônus, temos o EP “Fear” (1994), com “Raven”, “Horrors in a Retarded Mind ’94” e “Fear (Live)”, além da inédita “Autobahn” (gravada em 1994, mas nunca lançada em disco) e uma versão orquestrada de “Goddess in Black”.
Tanto “False” quanto “Erase” se complementam, mostrando o Gorefest em sua fase mais intensa e criativa, entre o peso brutal e a ousadia de experimentar novas direções.
Indispensáveis, esses dois álbuns são registros históricos do poderio sonoro que a Holanda ofereceu ao Death Metal nos anos 90. Este relançamento duplo é mais do que recomendado: é obrigatório, para ser ouvido no volume máximo, de preferência acompanhado de uma boa cerveja gelada.





