Grave – Burning House, São Paulo/SP (07/10/2026)
Produção: Caveira Velha Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Após 14 longos anos de espera, finalmente, o Grave retornou ao Brasil. Em sua terceira passagem pelo país, a lendária banda sueca de Death Metal trouxe uma turnê que celebra o início de sua trajetória. Além disso, o show único em São Paulo reuniu os quatro integrantes que fundaram a banda. A apresentação aconteceu na última quarta-feira (7), com produção da Caveira Velha Produções. O evento também contou com a abertura da banda paulistana Infamous Glory.
Antes de falar sobre o show, vale contextualizar a formação da banda. Ola Lindgren é o guitarrista presente em todos os discos e assumiu os vocais em 1995. Entretanto, nesta turnê, ele se dedica apenas à guitarra. Já Jörgen Sandström, vocalista original, também assumiu o baixo em 1992, quando a banda virou um trio. Agora, ele voltou a desempenhar as duas funções.
Jonas Torndal foi o baixista original até 1992, quando saiu antes da gravação do segundo disco, You’ll Never See…, lançado naquele ano. Posteriormente, retornou à banda entre 1996 e 2007, dessa vez como guitarrista. Por fim, Jensa Paulsson completa a formação, tendo tocado bateria desde o início até 2002. Agora sim, vamos ao show!
Às 19h40, o Infamous Glory subiu ao palco. A banda brasileira mais sueca que temos no cenário paulistano carrega tamanha influência da escola de Estocolmo que, certamente, foi a escolha perfeita para abrir o evento.
Particularmente, é uma das minhas bandas favoritas do gênero. Já tive outras oportunidades de vê-la ao vivo e, felizmente, os caras sempre entregam ótimos shows. Por isso, fiquei feliz ao ver que tiveram a oportunidade de abrir a apresentação de uma de suas maiores referências.
Com seu som pútrido e aquele maravilhoso timbre de motosserra noventista, a banda debulhou um set pesadíssimo. O repertório focou principalmente em seu último disco, Algor Mortis, um dos melhores álbuns de 2024. Entre as músicas executadas, estavam “Corpse Fauna”, “In the Cold Mist of Death”, “The Nameless One” e “Ruthless Inferno”. Todas fazem parte da obra e, ao vivo, soam ainda mais intensas.
O grupo realizou um set de 40 minutos. Como ainda havia alguns minutos disponíveis, os músicos resgataram um ótimo cover de “Casket Garden”, clássico absoluto de outra referência da banda: o Dismember.
Para mim, foi ainda mais divertido vê-los tocar essa música. Afinal, a primeira vez que assisti à banda ao vivo foi justamente quando abriu para o Dismember, em 2008. Desde então, acompanhar sua evolução ao longo dos anos, sem abrir mão daquilo que tornou seu som tão cativante, é simplesmente sensacional.





















Às 20h50, dez minutos antes do previsto, o Grave subiu ao palco. Sem qualquer cerimônia, iniciou a apresentação com o clássico incontestável “Into the Grave”, faixa que abre seu álbum de estreia, lançado em 1991. Imediatamente, o Burning House veio abaixo.
Na sequência, veio a pesadíssima “Day of Mourning”, do mesmo álbum. Logo depois, “Morbid Ways to Die”, do poderoso You’ll Never See… (1992), manteve o atropelo sônico em andamento.
Por se tratar de uma turnê comemorativa, a banda concentrou o repertório nos primeiros anos de sua trajetória. Como a formação reunida no palco gravou apenas o primeiro álbum em conjunto, o foco absoluto recaiu sobre Into the Grave.
Além disso, Jörgen brincou ao lembrar que os músicos compuseram aquelas faixas quando tinham 17 anos. Agora, segundo ele, estavam se sentindo novamente naquela idade. Assim, o grupo passou o rolo compressor impiedosamente sobre o público com uma sequência de clássicos do álbum: “Deformed”, “In Love” e “Hating Life”.
Esta última ganhou um significado especial. O vocalista lembrou que praticamente nunca haviam tocado a música ao vivo com aquela formação. Consequentemente, sua execução foi um deleite absoluto para os fãs de longa data.
Voltando ainda mais no tempo, o Grave resgatou “Eroded”, lado B do single de 7 polegadas Tremendous Pain (1991), seu primeiro lançamento oficial. A faixa foi tocada pela primeira vez por aqui e ganhou uma versão descomunalmente pesada.
Em seguida, veio “For Your God”. Depois, Jörgen pediu que Jensa anunciasse a próxima música na bateria. Não foi preciso muito para perceber que seria “Soulless”, clássico eterno do terceiro álbum, autointitulado, de 1994. A faixa também deu origem ao primeiro videoclipe da banda.
Consequentemente, esse foi um dos grandes momentos da noite. Embora a música tenha marcado a transição do Grave para o chamado Death ‘n’ Roll, sonoridade que algumas bandas da época também abraçaram, ela ajudou a apresentar o grupo ao mundo. Naturalmente, foi cantada por praticamente todos os presentes.
Entretanto, o momento mais desacelerado durou pouco. Logo, a banda voltou com tudo em “Brutally Deceased” e “Extremely Rotten Flesh”. Esta última foi uma das músicas que pedi durante todo o show. Para minha surpresa, Jörgen ainda apontou para mim, como se dissesse: “É agora!” (risos).
Foi um sonho de adolescente ver essa música finalmente ao vivo. Contudo, nem mesmo esse momento superou o impacto da faixa seguinte: a implacável “You’ll Never See…”.
De verdade, testemunhar essa música foi a realização de um sonho dentro de outro sonho. Ainda mais considerando tudo o que estava envolvido, com a formação original que a gravou, esse foi o ápice da apresentação. Além disso, tornou-se um dos melhores momentos de todo este ano de 2026.
Para fechar com chave de ouro, o Grave executou “And Here I Die…”, do EP homônimo de 1993. Assim, encerrou seu set de 70 minutos com uma intensidade sem igual. A banda mostrou como o Death Metal que ajudou a moldar deve ser executado.
Por alguns instantes, nem parecia que tantos anos haviam separado aqueles músicos. Pelo contrário, a apresentação soou quase como uma reunião de amigos prontos para destruir tudo, exatamente como faziam naquela época.
Poder assistir à formação original de uma banda já é algo expressivo, desde que ela tenha sido realmente marcante. Entretanto, testemunhar a reunião de músicos que representam um dos pilares de todo um estilo é um privilégio que poucas bandas podem proporcionar. E o Grave é uma delas.
Sempre carreguei a frustração de ter perdido o show de 2012, quando vários amigos foram assistir à banda e eu estava impossibilitado de comparecer. Felizmente, o destino reservou algo especial para quando finalmente chegou minha vez de testemunhar esse momento.
Essa noite foi simplesmente inacreditável. Afinal, trata-se de uma turnê comemorativa que dificilmente se repetirá. Posso dizer que presenciei esse acontecimento histórico, assim como tantos outros fãs que saíram de lá plenamente satisfeitos.
Foi uma verdadeira aula de Death Metal. Histórico!





































