Saturnus – Burning House, São Paulo/SP (06/10/2026)
Produção: Caveira Velha Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Pela primeira vez no Brasil, o Saturnus finalmente fez sua estreia por aqui. Clássica banda dinamarquesa de Doom Metal melódico, é também uma das pioneiras do gênero. Formada em 1993, chegou ao nosso país após 33 anos de existência, realizando um show único em São Paulo na última terça-feira (6).
A apresentação começou às 21h, com a extensa introdução de “The Storm Within”. Enquanto isso, a banda foi se posicionando no palco. Logo de cara, chamou a atenção a presença de um tecladista de verdade, com Mika Filborne comandando o instrumento.
Acho necessário pontuar isso porque, nos últimos tempos, tenho visto diversos shows de bandas que utilizam teclados, efeitos e programações através de VS. Muitas vezes, essa prática tira um pouco do aspecto orgânico de ter alguém tocando ao vivo. No caso do Saturnus, porém, isso não foi um problema. Pelo contrário, Mika ainda se mostrou extremamente carismático durante toda a apresentação.
Na sequência, a banda emendou um clássico: “Empty Handed”, do álbum “Martyre” (2000). A música resgata a veia mais próxima do Paradise Lost, além de proporcionar um dos melhores momentos do show, que estava apenas começando.
Entre todas as vertentes do Metal, o Doom é certamente uma das mais imprevisíveis, digamos, quando o assunto é a maneira como cada banda lida com sua própria musicalidade. No palco, o Saturnus é, na falta de uma palavra melhor, “performático”.
Durante as passagens mais lentas de “Softly on the Path You Fade” e “Inflame Thy Heart”, os músicos batiam cabeça em sincronia. Além disso, a maravilhosa “A Father’s Providence” reforçou a personalidade da apresentação.
O show parecia mais uma resenha entre amigos, quase um ensaio aberto. Afinal, a banda transformava o clima no palco e a interação com a plateia em algo descontraído. Era como passar uma noite de sábado em um bar, entre brincadeiras e piadas compartilhadas pelos músicos e pelo público.
Em meio a músicas melancólicas e pesadas, esse contraste tornou a apresentação única em vários aspectos. Ao mesmo tempo, o repertório passeou por toda a discografia do Saturnus, com músicas dos cinco álbuns de estúdio ganhando vida no palco.
Entre grandes momentos como “Embraced by Darkness”, “Breathe New Life” e “Forest of Insomnia”, veio um dos pontos altos da noite: “All Alone”, do clássico “Veronika Decides to Die” (2006). Considerado um dos trabalhos mais importantes da banda, o álbum completa 20 anos em 2026.
Antes de executar a música, Thomas Jensen pediu o mais absoluto silêncio da plateia. Assim, o dueto inicial entre voz e teclado criou talvez o momento mais introspectivo do show. Certamente, também foi um dos mais emocionantes.
A cena retomou justamente a questão do aspecto orgânico de ter alguém tocando teclado ao vivo. Nesse sentido, a dinâmica entre Mika e o divertido vocalista Thomas Jensen foi catártica. Único integrante presente durante toda a trajetória da banda, Thomas conduziu o momento com sensibilidade.
Quando os demais músicos se juntaram à dupla para executar a segunda metade da canção, toda aquela energia contida explodiu diante do público. Foi um daqueles momentos que justificam a experiência de assistir a uma banda ao vivo.
Para encerrar a noite, o Saturnus escolheu “Christ Goodbye”, única representante do primeiro álbum, “Paradise Belongs to You” (1997). A música trouxe a clara energia noventista de uma época em que o estilo ainda estava ganhando vida.
Dessa maneira, a banda encerrou sua longa apresentação, com cerca de 100 minutos, ao som de um clássico de sua própria história e do Doom Metal. Visivelmente emocionado, Thomas agradeceu ao público pela oportunidade de finalmente tocar no Brasil. Além disso, afirmou que realizar esse sonho era muito especial e prometeu retornar assim que um novo álbum estivesse pronto.
A estreia do Saturnus no Brasil foi incrível. É sempre bom ver as bandas de que gostamos; entretanto, é ainda melhor quando elas demonstram satisfação ao executar suas próprias músicas e se divertir no palco.
Afinal, um show também é um momento de distração da vida lá fora. Por isso, a maneira como o Saturnus conduziu o espetáculo é digna de aplausos. Fui conferir como a banda soava ao vivo e saí de lá fã. Sem dúvida, quem esteve presente não vai se esquecer tão cedo dessa apresentação.





























