Grave Digger – “Tunes Of War” (1996)
GUN Records
#PowerMetal #HeavyPowerMetal #EpicHeavyMetal
Para fãs de: Blind Guardian, Iron Savior, Sabaton
Texto por Cristiano Ruiz
Nota: 10
Em 25/08/2026, o lançamento de Tunes Of War, sexto álbum completo da banda alemã de Heavy/Power Metal Grave Digger, completa 30 anos. Certamente, não há nada melhor que uma resenha para celebrar esse momento especial, dando o merecido valor a esse clássico do Metal 90’s.
Tunes of War (1996) é o primeiro de uma trinca perfeita de registros épicos e conceituais, a qual completaram Knights of the Cross (1998), assim como Excalibur (1999). Ou seja, a sequência de lançamentos mais relevantes da discografia do Grave Digger.
As primeiras pás do Coveiro alemão – Consolidação do estilo
Desde que sua discografia teve início em Heavy Metal Breakdown (1984) até Tunes Of War (1996), Grave Digger foi modificando sua sonoridade. A fim de buscar seu melhor desempenho, o Speed Metal do princípio foi ganhando elementos de Heavy/Power Metal até que o quarteto de Gladbeck alcançasse a personalidade sonora pela qual o conhecemos hoje.
Dito isso, hora de partir para a análise de Tunes Of War, já que o que mais interessa nesse artigo.
Escócia lutando para ser independente do domínio e da opressão inglesa
Antes de mais nada, o conceito lírico-musical de Tunes Of War é sobre as batalhas da Escócia tentando ser independente da Inglaterra. A faixa inicial “The Brave”, recheada de som de gaita de fole, ao propósito de caracterizar o folclore escocês, fomenta atmosfera épica em seus 2m23s de duração.
Em seguida, “Scotland United” é um genúino grito de guerra. Eis aqui uma canção rápida, pesada e que não deixa de ser agressiva, mesmo que a melodia esteja bastante presente. Em suma, um hino de união dos clãs escoceses contra os ingleses. “Escócia unida jamais será vencida”.
Embora mais cadenciada, “The Dark of the Sun” é tão intensa quanto sua antecessora, além de possuir um refrão poderoso. A guerra contra o jugo e a opressão inglesa, não surpreendentemente, gerou uma banho de sangue nos campos de batalha.
Os reis e heróis que lutaram pela liberdade escocesa
William Walace, o Coração Valente
Não tão somente por “William Wallace (Braveheart)” ser a minha favorita desse disco e da carreira do Grave Digger, mas essa música é fabulosa. Se ela não se tornasse clássico absoluto dos alemães, decerto, algo estaria errado. Além disso, as alternância vocais de Chris Boltendahl chegam a emocionar.
Afinal de contas, quem foi William Walace? Um nobre líder militar escocês e um dos principais nomes da resistência escocesa contra a Inglaterra na parte final do século XIII.
Ele morreu bem jovem, com apenas 35 anos, executado pelos ingleses. Mel Gibson o popularizou com o filme “Coração Valente”, ainda que o mesmo contenha muitas imprecisões históricas a respeito de seus atos.
“The Bruce”
Posteriormente ao assassinato de William Wallace, Robert the Bruce, ou The Bruce, o Rei Leão, assumiu o trono e a resistência escocesa. No entanto, ao contrário de Wallace, ele venceu a guerra, ganhando a Batalha de Bannockburn em 1314 e garantindo independência da Escócia. Resumindo, Wallace abriu o caminho e Robert finalizou o serviço na década seguinte.
A faixa, ao mesmo tempo, sombria e empolgante, “The Bruce(The Lion King)” conta essa história da melhor forma possível, através de Heavy/Power de qualidade inquestionável. Inegavelmente, a voz de Boltendahl estava no auge de sua performance.
“The Battle of Flodden”
Quase dois séculos após a vitória de Bruce, ocorrera a “Batalha de Flodden”, aliás, a pior tragédia da história escocesa. A pesada faixa do Grave Digger consegue transmitir, de forma eficaz, todo esse sentimento de tristeza, pois foi uma derrota arrasadora.
Por volta de mil escoceses perderam a vida, entre eles, o próprio Rei James IV, assim como quase toda a nobreza escocesa.
Mary Stuart, a rainha da Escócia
Em 8 de dezembro de 1542, Mary Stuart, neta do Rei James IV, morto na batalha de Flodden, enfim, assume o trono escocês. Contudo, ela foi presa e acabou executada em 1587 por Elizabeth I, sua prima inglesa.
Grave Digger relatou esse momento com a power ballad “The Ballad of Mary (Queen of Scots)”. Essa canção, a propósito, em fez lembrar as baladas épicas do Blind Guardian, outra importantíssima banda do Power alemão.
The Truth, puríssimo Heavy Metal tradicional a la Accept
Enquanto “The Ballad of Mary (Queen of Scots)” me faz lembrar as power ballads do Blind Guardian, “The Truth” me traz Accept clássico a memória.
Quem vai conhecer Tunes of War, e ouve essa música primero, pode pensar que se trata de um disco de Heavy tradicional, mas ela não resume a pegada da obra por inteiro, apesar de ser riffada e excitante aos ouvidos.
James VI e o fim da independência escocesa
Logo depois, a faixa “Cry for Freedom (James the VI)” conta a história de James VI, filho da rainha Mary Stuart, uma das músicas mais rápidas e pesadas do disco.
Sua parte lírica fala da união das coroas em 1603 e, portanto, do fim da Escócia independente.
“Killing Time” sobre o rei James VII ou James II
Definição perfeita de Heavy/Power, “Killing Time” conta a história do reinado curto e sangrento do James VII (ou James II). Como católico, perseguiu protestantes, foi um tirano, mas aí o povo se rebelou e o expulsou em 1688.
Esse evento, finalmente, acabou com a dinastia Stuart.
“Rebellion (The Clans Are Marching)”, a canção mais importante de Tunes of War
Mesmo que “William Wallace (Braveheart)” seja minha predileta, nenhuma faixa repesenta tanto o legado de Tunes of War quanto “Rebellion (The Clans Are Marching)”. Ela demonstra com exatidão o que o Grave Digger se tornaria doravante, pois se alguém me pedisse para definir a banda alemã em uma única composição, seria ela a melhor resposta.
Sua letra é o resumo da vida do clã escocês: ou morre lutando ou entra pra história. Além de que, foi a última tentativa de trazer os Stuart de volta ao poder.
Ouça esse refrão e discorde se puder:
“The clans are marching ‘gainst the law /Bagpipers play the tunes of war / Death or glory I will find / Rebellion on my mind”.
“Culloden Muir” e “The Fall of the Brave (Outro)”, velório dos libertadores
A canção “Culloden Muir” conta a história da batalha de Culloden (16 de Abril de 1746), ou seja, última batalha em solo britânico, que foi um massacre. Após a vitória em Prestonpans, citada da letra da faixa anterior, Bonnie Prince Charlie avançou até quase Londres, porém teve que voltar.
Em Culloden, o Duque de Cumberland, “O Açougueiro”, esmagou os Jacobitas com canhões e infantaria moderna. Como resultado, fim dos clãs, do Jacobitismo e do sonho Stuart.
Finalizando, Grave Digger resumiu, de forma brilhante, 500 anos de história em um trabalho conceitual. Por conta disso, celebrar o aniversário de 30 anos dessa obra prima é mais que justo.

