Hällas – Jai Club, São Paulo/SP (14/09/25)

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Hällas – Jai Club, São Paulo/SP (14/09/25)

Produção: Xaninho Discos | Caveira Velha Produções
Assessoria: LP Metal Press
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva

Pela primeira vez no Brasil, a banda sueca de rock progressivo Hällas enfim estreou em nosso país. Divulgando seu último disco, “Isle of Wisdom” (2022), e com produção da Xaninho Produções em parceria com a Caveira Velha Produções, a banda fez um único show em São Paulo/SP, que ainda contou com a abertura da banda Espectro.

Formada em 2011, o som do Hällas é uma verdadeira viagem no tempo. Aliando uma psicodelia nostálgica dos anos 70 com camadas progressivas e proto heavy metal de época, eles praticam o que chamam de “adventure rock”, um estilo experimental que explora limites e ainda soa relevante nos dias de hoje. A formação atual conta com o baixista e vocalista Tommy Alexandersson, os guitarristas Marcus Pettersson e Alexander Moraitis, o baterista Kasper Eriksson e o tecladista Nicklas Malmqvist.

Às 18h em ponto, iniciou-se a apresentação da banda curitibana Espectro. Formada em 2017, trouxe para o evento seu Heavy/Doom Metal altamente influenciado pelo Black Sabbath. Foi uma escolha acertada da produção, já que o grupo também é fã do Hällas e, assim como a atração principal, pratica uma sonoridade inspirada nos anos 70 — porém mais pesada e menos progressiva. Tocando faixas do álbum de estreia “Espectro” (2022) e do mais recente EP “Dead of Night” (2025), além da inédita “Lost in the Aether”, apresentada pela primeira vez ao vivo, a banda entregou um set de 40 minutos muito bem recebido pelo público, que agitou do início ao fim.

Setlist:

The Ritual
Twist The Knife
Death Dealing
Wicked Life
1000 Nights
Lost In The Aether
Mind Lord

Às 19h20, sem qualquer introdução, os suecos do Hällas subiram ao palco iniciando com “Birth/Into Darkness”, “Stygian Depths” e “Earl’s Theme”, todas de “Isle of Wisdom” (2022). Antes de “Earl’s Theme”, ainda tocaram “Repentance”, do álbum de estreia “Excerpts of a Future Past” (2018). Já nesse começo, arrancaram gritos e coros da plateia, visivelmente emocionada em ver a banda no Brasil. Seguindo com “Shadow of The Templar”, a banda finalmente falou com o público, agradecendo a oportunidade de tocar pela primeira vez no país. Na sequência, emendaram três músicas de “Conundrum” (2020): “Tear of a Traitor”, “Labyrinth of Distant Echoes” e a mais festejada da noite, “Carry On”, que fez toda a Jai cantar em uníssono, criando um dos pontos altos do show.

Voltando ao álbum “Excerpts…”, tocaram “The Golden City of Semyra” e, em seguida, “Star Rider”, a mais pedida da noite. Um problema técnico no microfone de Tommy fez sua voz sumir, mas o público assumiu os vocais e cantou em coro até o final da música, gerando um dos momentos mais marcantes da apresentação. Após alguns minutos de pausa técnica, a banda retornou com “Fading Hero”, muito celebrada, seguida de “The Astral Seer”, faixa de forte influência progressiva ao estilo Rush dos anos 70, resultando em um momento catártico. Encerraram com “Hällas”, do EP homônimo de 2015, e já se despediam quando, em conversa rápida no palco, decidiram tocar novamente “Star Rider”, em respeito ao público, devido ao problema ocorrido anteriormente. O gesto surpreendeu e emocionou a plateia, reforçando o compromisso da banda em entregar uma apresentação completa. Com uma hora e meia de show, foram ovacionados e certamente voltarão, já que a Jai estava lotada para recebê-los.

Setlist:

Birth/Into Darkness
Stygian Depths
Repentance
Earl’s Theme
Shadow of the Templar
Tear of a Traitor
Labyrinth of Distant Echoes
Carry On
The Golden City of Semyra
Star Rider
Fading Hero
The Astral Seer
Hällas
Star Rider (Reprise)

Há uma diferença enorme entre apenas copiar uma banda antiga e recriar a atmosfera de uma época com identidade própria, sem soar como uma cópia. O Hällas é a prova disso: consegue transmitir toda a estética e a sonoridade dos anos 70 com autenticidade, entregando composições e um show dignos de uma era que nem vivenciaram. Tanto eles quanto o Espectro proporcionaram apresentações impecáveis, com excelente som e para um público que aproveitou cada minuto dessa verdadeira viagem musical. Um dos momentos mais singulares do ano.

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