Green Carnation – “A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia” (2025)

Green Carnation
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Green Carnation – “A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia” (2025)

Season of Mist
#ProgressiveMetal #GothicMetal #DoomMetal

Para fãs de: Anathema, Pain of Salvation, Opeth

Texto por Lucas David

Nota: 9,5

Poucas bandas de metal transitam por tantos gêneros e ainda assim permanecem fiéis à sua trajetória quanto o Green Carnation. Desde o início como um projeto de Black/Death Doom, passando pelo Hard Rock e por experimentos acústicos, a banda soube se reinventar e se manter relevante até encontrar no Progressive Doom sua identidade mais sólida. Esse caminho está refletido em seu mais novo trabalho, “A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia”, lançado pela Season of Mist.

O álbum se inicia com “As Silente Took You”, marcada por um riff lento e pesado, com ecos de Sabbath, criado por Tchort. A música ganha corpo com uma marcha fúnebre conduzida pela banda, enquanto os vocais de Kjetil Nordhus surgem assombrosos, melódicos e potentes. No meio da faixa, surge um riff mais denso, enquanto o teclado de Kenneth Silden constrói uma atmosfera de tensão e medo. Já “In Your Paradise” abre novamente com peso, trazendo um refrão forte e a bateria de Jonathan Perez comandando com precisão. A música remete a clássicos da banda como “Crushed to Dust” e “The Writing on The Wall”, do álbum “A Blessing in Disguise” (2003), mas com uma abordagem mais refinada e a maturidade de uma banda experiente. Essa evolução é evidente na suavidade da interpretação vocal de Nordhus e na força do trecho final, em que Perez brilha com uma performance intensa.

“Me My Enemy” destaca o baixo de Stein Roger Sordal, conduzindo uma viagem hipnótica que transmite uma falsa sensação de tranquilidade. O vocal descreve a luta contra pensamentos suicidas antes da rendição à escuridão, criando uma narrativa angustiante. É uma faixa de grande carga emocional, que convida o ouvinte a refletir, enquanto sua atmosfera pesada traduz com maestria o desespero.

“The Slave That You Are” mergulha em uma veia mais extrema, com blast beats intensos e guitarras em tremolo picking, reforçadas pela participação especial de Grutle Kjellson (Enslaved), que adiciona ainda mais brutalidade com seus vocais. A faixa equilibra o peso do Black Metal Progressivo com passagens limpas e riffs monumentais, mostrando que o Green Carnation ainda sabe entregar metal extremo de altíssimo nível.

Com um trabalho repleto de camadas e mudanças, o Green Carnation inicia sua nova trilogia de forma inspirada, deixando expectativas elevadas para as próximas partes. “A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia” cumpre plenamente o que os fãs esperavam e tem potencial para conquistar novos admiradores, oferecendo um turbilhão de emoções intensas e acessíveis, que fazem os 43 minutos de duração passarem num instante. É o som de uma banda segura de si, executando com excelência aquilo que domina.

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