Headbangers Attack Revival 2019, Círculo Operário do Cruzeiro, Brasília/DF (09/03/2019)

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Headbangers Attack Revival 2019
Local: Círculo Operario Do Cruzeiro, Brasília/DF
Data: 09/03/2019
Bandas: A PesteA Vala ComumNaughty DogUnderhateZillaPhrenesy
Produtor: Fellipe CDC

Texto, fotos e vídeos por Victor Augusto
Fotos da galeria por Jacqueline Sales

A capital federal, conhecida por tantos atributos, sejam eles bons ou ruins, pode ser considerada uma cidade privilegiada no que tange a cena de bandas de Heavy Metal e Hardcore que possui. Um lugar que só agora começou a e esboçar a entrada num circuito de shows de bandas internacionais um pouco mais famosas, fez dela um celeiro de eventos e bandas locais, que tem dado muita repercussão no Brasil e mundo afora. Não irei me aprofundar nesse assunto, pois já escrevi sobre isso aqui, mas não poderia deixar de repetir que o Headbangers Attack é um grande exemplo da mais pura celebração e respeito ao verdadeiro underground, por motivos que vocês entenderão ao decorrer da resenha.

Como de costume, o evento foi realizado no Círculo Operário do Cruzeiro, contando com uma boa estrutura de som e pontualidade. Essa versão do festival, que carrega o termo “Revival” no nome, consiste em trazer de volta bandas já tocaram nele, pois o festival em si, nunca repete bandas, visando abrir espaço para outros grupos, desde os iniciantes até os com mais tempo de estrada.

A Peste (DF)

Pontualmente às 18 horas, a banda A Peste iniciou a sua apresentação, menos de um ano após terem participado do Headbangers Attack de 2018. Mesmo sendo a primeira banda e com um sol que ainda dava uma pequena castigada na temperatura do local, o grupo não poupou energia em uma apresentação furiosa. Não poderia ser diferente, pois os músicos da banda carregam uma certa bagagem e tempo de estrada.

O som do grupo é fundamentado no Hardcore, mas tem perfeitas passagens pelo Grindcore, Death Metal e até um certo Thrash Metal dissolvido em meio a tudo isso. Contando com dois vocalistas, dois guitarristas, além do baixista e de Mateus Nygron, que é um cavalo na bateria, o som do grupo foi bem empolgante e contou com uma boa equalização e qualidade. As alternâncias de timbres de um vocal para o outro que, somado a todos os estilos que o grupo aborda, gerou um grande chamativo por não ficarmos enjoado com a música, mesmo que fosse um set longo.

O grupo brincava ao final de alguns sons dizendo “Tá quase acabando” e em meio a músicas de seus lançamentos, ainda tocaram o cover de “Alimentando o Abismo”, do Subterror, em homenagem a um dos integrantes dessa banda, o Samuel Garrido, que veio a falecer de forma trágica no ano passado. Músicas curtas, som bem abrangente e pegado. Assim foi o “aquecimento” do festival com a porradaria da A Peste.

Set list A Peste:

Assim Começa… 
Falência Múltipla do Ser 
Prisões 
Sanguessuga 
Cauterizado Pelo Sol 
O Eterno Retorno (Ou Como Deixei de Acreditar)
Afogado no Fel 
O Deus em Mim 
Ratos Alados (Os Senhores do Esgoto)
Colapso da Ordem 
A Antecipação 
A Consumação 
O Que Restar 
Alimentando o Abismo (Subterror) 
E Me Resta o Vazio 
Peregrinação

A Vala Comum (GO)

“Não vai sobrar pele no bumbo para mim”. Essa foi a frase que marcou o início do show do A Vala Comum, proferida por Josefer Ayres (baterista do Phrenesy) , que estava assistindo aos outros shows antes de tocar com a sua banda. E ele estava certo, pois, novamente, tivemos uma banda insana e um Grindcore pegado, com algumas flertadas em outros estilos do Heavy Metal extremo.

Constituída por apenas um vocalista, um guitarrista e um baterista (sem baixista), o trio da cidade de Formosa (GO) fez um show bem empolgante, com seu humor político e ácido de suas letras em português e músicas bem curtas. Alguns sons, como “Insônia Crônica” ameaça uma levada mais arrastada, porém logo retoma a destruição.

O tipo de Grindcore que eles fazem, apesar das influências de Napalm Death e Extreme Noise Terror em termos de velocidade e pegada, também apresenta um diferencial que é não se manter preso somente a esse estilo. Muitas passagens remetem a um bom e velho Punk, sempre com boas alternâncias e indo do calmo ao mais pegado muito rápido, como ouvimos na “Ritalina/Rivotril”. O humor do grupo esteve presente quando anunciaram que era hora de “tocar um sambinha” e realmente esboçaram uma curta passagem do tipo, com guitarra sem distorção e alguns blasts beats no meio ao ritmo típico do estilo.

O calor ainda castigava a área do Círculo Operário e o baterista Veto era o que estava nitidamente sofrendo, mas mesmo assim não deixou de castigar o seu kit. Por fim fizeram uma boa apresentação e com um longo set em número de músicas, atraindo bastante gente para perto do palco.

Set List A Vala Comum:

Intro/Números
Sociedade Homicida
Buraco Fundo
Insônia Crônica
A Vala Comum
Entre a Lama e a Bosta
Ritalina/Rivotril
Mentes Mórbidas
Movidos Pelo Ódio
Aborto
Reich Tropical
Sufrágio Universal
Campo de Miséria
Porrada Cotidiana
Execução Sumária
Entre no Nosso Plano
Atingindo a Inanição 
Não Há Sinais de Paz
Boi, Bala e Bíblia

Naughty Dog (GO)

Como sempre, o Headbangers Attack não fica preso a estilos na escolha de seu cast e sabe misturar bandas que representem bem cada estilo e assim foi a vez do Naughty Dog, também de Formosa (GO), representar, com classe, o Heavy Metal tradicional.

Sem muitos exageros, o grupo segue uma linha na veia do Judas Priest, com riffs cativantes, solos precisos e ritmo bem alternado entre a cadência e passagens mais rápidas. Não só o forte alcance vocal do vocalista Junior é um chamativo a banda, mas a sua presença de palco com a interpretação das letras, extrema simpatia e comunicação com a plateia, trouxe uma boa resposta e interação do público. Toda a banda foi bem atuante nesse papel. Outra influência mais sutil, que eu pude perceber em músicas mais pesadas, é a do Metal Church, mostrando a versatilidade da banda.

Nem as pequenas panes na bateria e a corda arrebentada do baixo tiraram a adrenalina do show. O baixista nem parou de tocar na verdade, mas logo recebeu um baixo emprestado do Aluísio Lima (Phrenesy) e seguiu normalmente a apresentação. Ao final do show, vários fãs foram saudar a banda no palco e sem dúvidas foi mais uma grande apresentação e um dos pontos altos do dia.

Set List Naughty Dog:

Who’s To Blame
Colares Incident
Naughty Dog
The Fallen One
Out Of Control
Keep The Flame Burn
Metal Hound

Underhate (DF)

O Underhate também retornou ao palco do Headbangers Attack, após sua apresentação na edição de 2018 do festival e dessa vez aproveitou para fazer um set list diferenciado, incluindo alguns sons novos, que estão sendo preparados para a gravação do novo álbum. De início, o show começou sem um dos guitarristas e Rodrigo Shakal segurou bem a onda das bases e solos. O som que abriu o show foi inédito e mostrou alguns elementos novos, como alguns efeitos de pedal no baixo e um pouco de blast beats. Na sequência, a já conhecida “Feel our Pain” teve como destaque o solo de Shakal.

Após duas músicas, o segundo guitarrista apareceu sorrateiramente no palco e deu uma encorpada no som da banda que é uma mistura bem legal de Thrash Metal com alguma pegada de Heavy Metal clássico. Além de passagens bem técnicas, o vocalista Milton Monteiro também mostra bastante partes de vocal agudo, porém mais moderados e que dão uma boa melodia ao som.

Escolhida sabiamente para a fechar o show, a pesada “War Control”, do álbum “Acts Of Oppression” (2017) caiu como uma luva, com sua base rápida e refrão presente e assim, mais uma banda deixou a sua marca nos palcos do Headbangers Attack. O set foi relativamente curto, mas como sempre empolgou e impressionou pela qualidade técnica de todos os integrantes

Set List Underhate:

Breaking shadows 
Feel our pain
All His Angels 
Burn
Black heart
War Control

Zilla (DF)

Às vezes acho eu acho engraçado que, mesmo acompanhando a cena local, algumas bandas acabam passando meio despercebidas para uns ou para outros. No meu caso, eu só vim conhecer o Zilla assim que foi anunciado neste evento e coincidentemente, no mesmo dia, eu vi a música “Day To Crawl in Darkness”, do álbum “Pragmatic Evolution” (2010), sendo tocada na rádio americana Metal Messiah, durante um programa de grande audiência por lá, o Metal Meltdown. Certamente passaria batido para mim que se tratava de banda brasileira se não posse pelo anúncio dela no Headbangers Attack. A banda nunca parou, mas está voltando de um certo tempo sem atividades, como anunciado pelo vocalista e parece que eles voltaram com força total.

O quinteto apresentou um Death Metal bem técnico e o set list abrangeu bastante sons novos, que está para ser gravado, além de algumas velharias. Curti muito o estilo de tocarem, pois eles mantêm um enorme peso, mas sempre buscando quebras de ritmo, boas harmonias e solos muito bem trabalhados. A presença de palco também ajudou muito a prender a atenção no show e com certeza quem não conhecia ficou espantado por saber de mais uma banda tão boa do estilo.

Mais uma vez, o bom som do local proporcionou a audição de todos os instrumentos, ainda mais quando se trata de bandas mais rápidas e pesadas, onde o som tende a ficar embolado e isso fez da apresentação do Zilla outro ponto alto da noite. Como de costume, o público foi ao palco para parabenizar os integrantes após o término do show.

Set List Zilla:

Vengeance
Misrule
Deep in Slumber
Soulless
Soul Eater
Falling into Decay
Deadly Sins
Inner Vision

Phrenesy (DF)

Nada mais justo que o Phrenesy fechar o Headbangers Attack, afinal são quase 16 anos de Thrash Metal e cerveja no DF e região. “Não tenho mais maturidade para shows do Phrenesy”. Assim brincou o vocalista Wendel Aires, após se referir a tarde de bebedeira que chegou a esgotar a cerveja do bar no final do festival. Ele realmente estava certo, pois a banda está cada vez melhor no palco e aguentar o ritmo deles, após uma tarde inteira bebendo,não foi fácil, porém valeu cada segundo.

O grupo se estabeleceu como quarteto, após a saída do guitarrista Ronny Lobato, no início do ano passado e estão bem adaptados a isso, pois o Aluísio Lima segura muito bem a base, como logo foi notado em “My hate”, que abriu o show só com uma linha de baixo dele, antes da banda colocar tudo abaixo. O guitarrista Tiago Teobaldo não para no palco e executa as complexas bases e solos do disco “The Power Comes From The Beer” (2014), como foi na música “F.U.C.K.” e também tem conversado mais com o público, agradecendo a todos que aguentaram até o final do fest para assistir a banda.

Algo interessante na sonoridade do Phrenesy é que, apesar de serem basicamente Thrash Metal, existem partes muito extremas, onde Josefer Ayres tritura a bateria no melhor estilo Death Metal. Os novos sons a serem gravados pela banda já vem tomando forma ao vivo e faixas como a “Beer Apocalypse” (título do próximo álbum) já tem o refrão conhecido pela galera.

Após encerrarem o set com um medley de “The Power Comes From The Beer”, um hino da banda, junto da “Dirty Game”, uma das melhores músicas de Thrash Metal que já ouvi na vida, eles ainda mandaram mais quatro músicas, como a antiga “The Drunk” e a pesadíssima “This is Extreme”, colocando a casa abaixo. Por fim, restou um grande número de pessoas indo ao palco agradecer a banda pela apresentação impecável e fizeram jus ao cargo de encerrar um evento tão importante como esse.

Set List Phrenesy:

F.u.c.k.
Explod In Rage
Destroyed
Beer Apocalypse
The Power Comes From The Beer/Dirty Game
Song of Truth
The Drunk
This Is Extreme
I’m Not From Here

Parabéns a todos os envolvidos na produção do Headbangers Attack e ao Fellipe CDC, idealizador e criador do festival, pelo seu respeito e exemplo de dedicação ao underground.

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