
Hemotoxin – “Restructure the Moldead Mind” (2020)
Unspeakable Axe Records
#ProgressiveDeathMetal, #ThrashMetal
Para fãs de: Death, Gruesome, Municipal Waste, Sadus
Nota: 9,0
Na nossa vida, por muitas vezes fazermos escolhas, olhamos e quando o nariz apontou, nós seguimos. Claro que nem sempre acertamos, mas quando se tem uma banda, antes de lançar um trabalho tudo tem que ser no melhor estilo Chapolin Colorado, friamente calculado, principalmente como o seu material vai chegar para o fã e imprensa especializada, afinal, se sua banda não está fazendo dinheiro pode ter certeza que outra está.
Em pleno 2020, as bandas insistem em apenas anexar músicas e uma capa e apertar o enviar, sem se preocupar com o restante. Bem, o editor vai até o Google e procura as informações, é “remunerado” para isso e tem todo tempo ocioso do mundo para tal. Brincar de caça ao tesouro e procurar o caminho do tesouro é um dos nossos papeis favoritos, o grupo Hemotoxin, foi um desses que apareceu do nada na minha vida, sem ao menos dizer um “prazer, sou fulano” e com seu material com uma qualidade baixa, o MP3 já tem uma perda considerável, agora coloca aquele rip tosco que seu amigo faz no pc sem se importar com as configurações, é…. tinha tudo para essa resenha chegar a nota 5, mas as vezes os deuses do metal e o Spotify conseguem salvar algo diante de tanta displicência.
Dossiê em mãos, pistas checadas com sucesso, no momento que apertei o play, o mundo desabou com tamanha massa de brutalidade e técnica. O primeiro impacto com o disco vem como uma patada de um elefante, ou seja, me deixou em frangalhos e com a mínima ação possível. Imaginem tudo que o filósofo Chuck Schuldiner fez tanto no Death, quanto no Control Denied, com aquela genialidade padrão, agora adicionem a crueza do Obituary e a violência thrasher do Havok, e terá o que é feito neste disco, numa espécie de mestria agressiva e/ou de brutalidades inteligente.
Os riffs são um show a parte, as palhetadas certeiras, mas por sorte a cozinha (baixo e bateria) não ficam atrás, sabendo conduzir muito bem sua “praça” com impecáveis notas e arranjos. As 8 faixas passam num piscar de olhos, por mais que tenhamos uma certa dose de trocas de andamentos costumeira, acelera, pisa no freio, acelera de novo e mesmo entre um pouco da quebradeira do Prog, as músicas tendem a ser curtas sempre ficando na casa dos 4 minutos no máximo.
“Corrupted Flesh”, “Automation” e “Nihilistic Principle”, são verdadeiros arrasa-quarteirões, daquelas que você solta para assombrar a vizinhança numa bela manhã fria e chuvosa de domingo. Os urros cavernosos se tornarão um belo despertador apocalíptico, principalmente se preferir começar o dia com “Legions of Alienation”, a mais cadenciada e poderosa do disco.
O começo desta história tinha tudo para ser outro, mas “Restructure the Moldead Mind”, o terceiro disco completo dos americanos, é tão bom e destruidor que é impossível torcer o nariz e dar nota baixa.
William Ribas





