Hooded Menace – “Lachrymose Monuments of Obscuration” (2025)
Season of Mist
#DeathMetal #DeathDoomMetal #GothicRock
Para fãs de: Paradise Lost, Autopsy, Mercyful Fate, Unto Others
Texto por Lucas David
Nota: 10
Com quase duas décadas de estrada, o Hooded Menace construiu um nome de respeito no cenário mundial do metal extremo. Cada álbum lançado pela banda finlandesa não apenas manteve o padrão, mas o elevou, mostrando um grupo que se recusa a permanecer estático, sempre acrescentando novos elementos ao seu Death Doom. Seguindo a linha do antecessor “The Tritonus Bell” (2021), o grupo mergulha ainda mais fundo nas influências do Heavy Metal oitentista e no gótico sombrio de nomes como Paradise Lost e Unto Others, entregando agora seu sétimo disco de estúdio, “Lachrymose Monuments of Obscuration”, lançado pela Season of Mist.
Tal qual o mestre King Diamond, referência direta na dramaticidade e no horror, o Hooded Menace transmite em suas letras e atmosferas a sensação de estar em um filme de terror clássico — entre fantasmas e casas mal-assombradas. É uma música que assusta e fascina ao mesmo tempo: riffs pesados, lentos e cheios de melodia envolvem o ouvinte em uma neblina sufocante. Harri Kuokkanen, com sua voz gutural e poderosa, conduz essa viagem macabra, alternando entre passagens fúnebres e ataques brutais de Death Metal, sempre certeiro no momento do impacto.
O álbum abre com a instrumental “Twilight Passages”, de aura sci-fi, que prepara o terreno para o peso esmagador de “Pale Masquerade”. A bateria de Pekka Koskelo martela firme enquanto o riff de Lasse Pyykkö exala a melancolia gótica de Paradise Lost. A faixa cresce em camadas: mudanças de andamento, solos inspirados, coros fantasmagóricos e teclados sombrios elevam sua grandiosidade, tornando-a um dos grandes momentos do disco.
“Portrait Without a Face” traz ecos de Unto Others e ganha dramaticidade com o violoncelo de Antti Poutanen, que adiciona desespero e solidão à atmosfera. A faixa evolui para um ataque mais agressivo, remetendo ao Autopsy, enquanto Pyykkö solta mais um solo memorável. A letra reforça o peso emocional com versos que beiram o ocultismo e a depravação, urrados por Kuokkanen no refrão:
“The depraved forced into submission
Sworn to the nightside’s odd creations
Blood the true consolation
Sucked into the realm of sweet damnation”
Mais arrastada e opressiva, “Daughters of Lingering Pain” ergue uma parede de som claustrofóbica, guiada por riffs monolíticos e baixo pulsante. Já “Lugubrious Dance” começa com um coral sombrio e logo despeja riffs colossais e diretos, garantindo sessões intensas de headbanging.
A grande surpresa do disco surge no cover de “Save a Prayer”, clássico do Duran Duran. Aqui, o Hooded Menace acelera o andamento, acrescenta peso e guturais ferozes, transformando o refrão pop em um momento épico e sombrio. O solo melódico no final fecha a faixa com perfeição, provando que a banda sabe recriar sem perder sua identidade.
O encerramento vem com “Into Haunted Oblivion”, um épico de nove minutos que reúne todas as características apresentadas no álbum: riffs fúnebres, passagens melódicas, atmosferas king-diamondescas e variações de andamento. A participação de John McNulty com vocais falados acrescenta ainda mais densidade, e os solos mais melódicos trazem um contraste memorável.
Com pouco mais de 40 minutos de duração, o disco flui com naturalidade impressionante. Mesmo com faixas longas, a audição é tão envolvente que o tempo passa despercebido. Tudo é amarrado com perfeição: os arranjos, as atmosferas, os riffs e a agressividade. A capa de Wes Benscoter coroa a experiência visual e sonora, dando ainda mais imponência ao trabalho.
“Lachrymose Monuments of Obscuration” é mais que um álbum, é uma experiência completa. Um forte candidato a Disco do Ano e, certamente, uma das melhores obras de Death Doom já lançadas. Audição obrigatória.





