
Headliner: Iron Maiden
Banda de abertura: Avatar
Local: Morumbi, São Paulo, São Paulo
Data: 04/09/2022
Produção: Move Concerts Brasil
Assessoria: Midiorama
Texto por Johnny Z.
Fotos por André Tedim (@andretedimphotography)
E lá fui eu para meu décimo sétimo show do Iron Maiden, sendo que – pelas minhas contas – deve ser o sexto que eu faço a cobertura, incluindo ai coberturas pela Roadie Crew e Metal Na Lata.
Mas, antes de falar do Iron Maiden, tenho logicamente que citar banda de abertura, a sueca Avatar. Confesso a vocês que o único Avatar que eu conheço é o filme dos “carinhas azuizinhos lá” e não são os Smurfs (risos). Nunca tinha ouvido absolutamente nada deles, talvez uma única música que me foi exposta numa playlist de amigos, mas não me surtiu nenhum efeito até o dia do show.
Iniciado sua apresentação, tive um impacto: era muito pesado! O que me chamou bastante a atenção! Não sei com exatidão as músicas que foram tocadas, mas todas me despertaram muito interesse por serem uma mistura bem interessante de Five Finger Death Punch, Rammstein e um pouco de Death Metal mais moderno. Passaram de ano com folgas dentro do meu gosto pessoal, e incentivo todos a procurarem o material deles, o que eu fiz exatamente após sua apresentação cheia de energia, teatralidade no melhor estilo Alice Cooper (guardadas as devidas proporções, logicamente). Seus músicos agitavam muito no palco, de acordo com a intensidade de suas músicas, numa ‘bateção’ de cabeça que era impossível não querer fazer a mesma coisa (caso você tenha menos de 30 anos, pois se assim como eu tiver mais de 40 a probabilidade de dar torcicolo aguda é grande). Sua música realmente pede energia, vibração e sinergia, e o melhor de tudo com um clima bem positivo. Excelente banda que ganhou muitos fãs por essas terras, e eu me incluo aqui.
Após essa apresentação curta, mas explosiva do Avatar, era hora de separarmos o joio do trigo mais uma vez.
SETLIST:
Hail The Apocalypse
Colossus
Paint Me Red
Bloody Angel
The Eagle Has Landed
Let It Burn
Smells Like A Freakshow
A famosa introdução com “Doctor, Doctor”, do UFO, é a música mais famosa do Iron Maiden que não é do Iron Maiden. O que se vê na plateia nessa hora parece que é o Iron Maiden tocando aquela faixa que você tanto sonha (não sonhe com “Alexander The Great”, pois se isso acontecer um dia – que eu duvido – muita gente terá verdadeiras síncopes e não é o caso aqui desta comparação, ok?).
Como já havia presenciado o show em São Paulo em 2019, no mesmo Estádio do Morumbi e os shows dos dois Rock In Rio (2019 e 2022), já sabia o que esperar do sexteto inglês mais amado do mundo, mas mesmo assim faço questão de estar presente como se fosse a última vez, pois devido a idade avançada de seus músicos, infelizmente, um dia será.
Então, dá-se o início da “missa” inglesa com três faixas na sequência do mais recente álbum da Donzela de Ferro, “Senjutsu” para meio que “incorporar” uma ‘pseudo’ turnê deste álbum novo nessa segunda parte da Legacy Of The Beast World Tour. Ok, dá para entender mediante os anos de pandemia terem atrapalhado o universo.
Sim meus caros, tirando essas três faixas iniciais, o restante era praticamente uma versão mais enxuta do que foi na primeira parte da turnê. Até mesmo encenações de palco, trocas de roupas de Bruce, Eddies etc. Alguns clássicos eternos foram supridos para cederem lugar as novas “Senjutsu”, “Stratego” e “The Writting On The Walls”. A primeira coisa que pensamos com isso é “heresia”, mas confesso a todos que as três funcionaram muitíssimo bem, especialmente “The Writting On The Walls”, onde vi um Morumbi lotado com 70 mil fãs quase congelando num frio de proporções bíblicas cantando cada palavra do refrão para se esquentar. Talvez, na minha modesta opinião, não deveriam iniciar o show com “Senjutsu”, mas sim trazer de volta “Aces High” – que aqui foi parar no fechamento do show – para ser aquele coice no peito logo de cara, ou até mesmo uma “Be Quick Or Be Dead” (não custa sonhar, certo?) para entrar com tudo, não é mesmo? Volto a dizer, “Senjutsu” funcionou, principalmente com a entrada de um Eddie samurai simplesmente lindo (sim! logo na primeira música!), mas essa sequência nova deveria vir lá pela terceira faixa em diante com um público já quente.
Após a trinca recente, eis que o show começou para os mais pentelhos que gostam de criticar as faixas novas, mas também gostam de descer o sarrafo nas velharias por serem “carne de vaca”. Se você é um desses interne-se, pois você precisa de tratamento urgente. Tirando esse detalhe, “Revelations” veio quebrando tudo! Nitidamente, e isso já constei na trinca inicial logo nos primeiros minutos de cada uma das faixas, a banda estava muito mais solta, melhor em todos os quesitos e com um som de palco extremamente limpo, encorpado, empolgante e vibrante, tudo que não vimos no show anterior no Rock In Rio. Tudo bem que pela televisão não temos embasamento técnico para comparar com um show ‘in loco’, mas em questão de banda, execução e entrega era um fato que a banda estava apática e com um Bruce Dickinson meio “cansado” lá no Rio. O que não se viu em São Paulo! Não é bairrismo, nem nada desse tipo de segregação idiota se você pensou nessa balburdia, mas todo mundo ali presente no Morumbi – em todos os setores pude conversar com fãs – comentavme tal fato.
Bruce não conversou tanto quanto costuma, mas em uma das vezes foi antes de “Blood Brothers” dissertando sobre o clima brasileiro não estar da forma que eles costumam gostar (um frio com vento congelante) e emendou um “fuck the weather!”, com risos gerais. Após isso, dissertou um pouco sobre o tempo longe dos palcos por conta da pandemia e agora estarmos juntos novamente como “irmãos de sangue”. Aplaudidíssimo, mas ao mesmo tempo exalando uma sensação agridoce de saber que ele fala isso em todos os shows e para todas as plateias. Ok, somos fãs, e todo fã releva e gosta dessas puxadas de saco, certo? (risos). “Blood Brothers” ficou deslumbrante, com uma execução beirando a perfeição e uma plateia fazendo sua parte que só quem estava ali, naquela momento, sabe o quanto os pelos do seus braços arrepiaram.
Seguiu-se tudo milimetricamente calculado, da mesma forma que todos os outros shows da turnê. Aí vêm minha dúvida: “Será que eles, músicos, não cansam de tocar e fazer a mesma coisa todo santo dia, todo santo show em todo santo lugar?” É de se penar até que ponto fazer tudo calculado pode ser “divertido” para quem está no palco e também assistindo nesses tempos de youtube.
“Sign Of The Cross”, linda na voz de Bruce diga-se de passagem, já que somente se você mora em Nárnia não saberia quem a gravou originalmente, trouxe toda a encenação com direito a capa (Bruce), cruz com luzes, ambientação toda avermelhada etc etc etc. Ok, foi excelente, Steve Harris, Nicko McBrain, Dave Murray e Adrian Smith foram e sempre serão uns primores nas execuções de suas partes, mas se você assistiu os outros shows aquele impacto que deveríamos ter logo de cara, foi para as cucuias. Aliás, impacto mesmo praticamente não tivemos em nenhum momento, pois como já citei anteriormente, os caras do Iron Maiden ultimamente são praticamente uns robôs coordenados no palco. Perfeitos, mas robotizados. Se é que vocês me entendem (risos).
Espere um momento, acho que esqueci de alguém, certo? Não esqueci. Sim, Janick Gers estava lá, fazendo suas peripécias, dançando, surfando em cima da guitarra, jogando-a para cima, rodando-a e fazendo o que ele mais sabe fazer. Coloque aqui o que você acha que é: _________________ (menos fazer algo que preste em se tratando de música num palco). Sujar (leia-se estragar) solos maravilhosos de Adrian não tem credibilidade nenhuma para quem tem um mínimo de decência. Nada contra os seus próprios solos, mas até esses muitas vezes são estragados no palco.
Não é nada pessoal (será?) e não gosto dele como guitarrista, mas ele tem meu apreço como compositor, não posso deixar de ser coerente. Mas, numa banda que temos um correto (meio burocrático ultimamente) Dave Murray e Sir Adrian Smith – vulgo a classe, bom gosto, pegada, timbre delicioso de se ouvir e técnica em pessoa – ninguém liga para quem fica pulando no palco com fogo no rabo. #prontofalei
“Flight Of Icarus”, com Bruce brincando com seu lança chamas como uma criança brinca com seu primeiro Nerf, um anjo Icarus gigante pendurado atrás da bateria e … opa, um momento: já vimos isso algumas vezes, então não necessita ser comentado, é lindo e pronto! O som estava numa perfeição galopante e logicamente é isso que todos querem escutar desses senhores. A bateria de Nicko e o baixo de Steve juntos deveriam ser estudados, da mesma forma que os seus respectivos técnicos de som tal qualidade ímpar despejam em nossos ouvidos. Em “Fear Of The Dark”, obviamente você sabe que o Morumbi veio abaixo, certo? Sim, e o público fazendo sua parte com os isque…. celulares, dando um show à parte. Não adianta vocês reclamarem dessa música, todos sabem que ela é tocada trilhões de vezes nas rádios e em todo santo show desde 1992, pois o tanto de vezes que vocês reclamam multipliquem por um trilhão de vezes e terá o que essa música dá em troca ao público num evento ao vivo. Pensem e parem de bobeira!
A dupla maravilhosa e onipresente “Hallowed By Thy Name” e “The Number Of The Beast”, por mais xiita que você pode ser, não dá para meter o pau. Essas músicas são verdadeiros clássicos atemporais da música, do Rock, do Metal, e levantariam até um defunto surdo, da mesma forma que a cacetada visceral “Iron Maiden”, com seu andamento que sempre vai me remeter a algo de Speed Metal (concorde você ou não). Incrível como as faixas da era Paul Di’Anno, que são também magnânimas, ficam lindas com Bruce mesmo depois de tantos anos.
A tradicional “The Trooper” sempre é festejada, por mais que seja presença garantida num set da banda! Com a sua também tradicional encenação de Bruce, seja balançando a bandeira inglesa ou lutando contra o Eddie da icônica capa do single, até esse último levar um belo tiro de escopeta adornada pela bandeira do Brasil. Aqui colocarei um comentário meio “off topic”: Tem alguns doentes por aí que estão criticando a banda dizendo que esse momento é um ato militante a favor do atual ‘excrementíssimo’ senhor presidente da república. Vão trabalhar seus vagabundos arruaceiros ou façam um favor a sociedade de interditarem-se ou ‘resetarem-se’!
A belíssima ‘The Clansman”, que também na voz original de Blaze Bayley é linda, creio que junto a “Sign Of The Cross” sejam as duas faixas que em ambas vozes são verdadeiras preciosidades dentro da carreira dos ingleses, mas com Bruce Dickinson é algo que transcende a esfera de possibilidades, pois é simplesmente perfeita. E aqui, mais uma vez, foi impecável mesmo com um pequeno deslize de Janick em seu início.
Aqui vem uma crítica desse quem vos escreve: Precisaria urgentemente de uma faixa mais forte, com impacto e apelo emocional para fechar a primeira parte do show. Um bom exemplo poderia ser “The Wicker Man”, até mesmo “Killers” ou “Wasted Years”, mas… ficamos com “The Clansman” e aquele gostinho de quero mais.
A banda agradece e sai do palco para o primeiro bis e eis que rapidamente “Run To The Hills” colocou o resto do Morumbi abaixo. Até mesmo uns pequenos deslizes de tempo de Bruce Dickinson em seu início – sentidos e notados por todos para deixar bem claro – foram relevados em prol da diversão, alegria e felicidade em estar – mais uma vez – ali presente. Não adianta, essa música eleva qualquer sentimento abissal que possamos ter com a vida cotidiana para algo totalmente oposto e em níveis elevados. Simplesmente deslumbrante cantar com se o mundo acabasse depois. Bruce aguenta nessa? Sim, mas a idade do baixinho é um sim já com um vermelho de atenção ligado.
O segundo bis é simplesmente descomunal, mas ainda insisto em dizer, ou seria melhor, perguntar quem foi o gênio que colocou “Aces High” para se fechar uma apresentação? Gente, os caras da banda tem todos quase 70 anos, uns até mais, e a probabilidade de principalmente Bruce pedir arrego nessa é grande. No Rock In Rio ele pagou o preço, simplesmente falhou do início ao fim, mas em São Paulo ocorreu o oposto: SIMPLESMENTE O GOGÓ ESTAVA EMBALSAMADO EM OURO, por sorte, creio (risos). Ela é muito alta em notas e deixa-la para o fim chega a ser desumano para Bruce ao meu ver, pois exige demais do gogó. Ah sim, o avião estava lá como das outras vezes, mas esse ‘adereço’ realmente deveria tornar-se obrigação em todas as vezes que a banda executar essa faixa, pois é lindo e impactante demais de se ver!
Resumindo: Um tremendo show, sem suspenses, surpresas zero, mas também – ainda bem – ABSOLUTAMENTE NADA DO QUE RECLAMARMOS, apenas agradecermos por ter vivido numa das épocas que esses gigantes estão ainda brindando seu público com sorrisos de orelha a orelha. Pode reclamar a vontade dos discos novos – e acredite eu também reclamo – mas não seja um débil mental para só gostar de coisas velhas, pois fazer isso não vai mostrar aos “amiguinhos” que você “manja” sua banda favorita, vai mostrar que você é um completo idiota.
SETLIST:
Senjutsu
Stratego
The Writing On The Wall
Revelations
Blood Brothers
Sign Of The Cross
Flight Of Icarus
Fear Of The Dark
Hallowed Be Thy Name
The Number Of The Beast
Iron Maiden
The Trooper
The Clansman
Run To The Hills
Aces High
Obrigado Move Concerts e Midiorama pela parceira e credenciamento.



































