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Home » Katatonia – Cine Joia, São Paulo/SP (21/03/2026)

Katatonia – Cine Joia, São Paulo/SP (21/03/2026)

katatonia_2026
  • Por Johnny Z.
  • 31/03/2026
  • 10:59 am
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Katatonia – Cine Joia, São Paulo/SP (21/03/2026)

Produção: Powerline Music & Books
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia

Texto por Ana Clara Salles
Fotos por Alessandra Rosato

15 anos se passaram desde a primeira vez em que tive a oportunidade de cobrir um show do Katatonia por outro site. De lá para cá, tive a chance de vê-los em 2023, 2024 e, agora, em 2026, na última apresentação da turnê sul-americana do álbum Nightmares as Extensions of the Waking State. Embora a banda tenha mudado ao longo dos últimos anos — e aqui vai um disclaimer: opinião totalmente pessoal —, há algo que permanece intacto: o som deliciosamente melancólico que me fez eleger o Katatonia como a trilha sonora oficial dos dias nublados.

Mas, antes de chegarmos lá, é preciso falar sobre a ótima performance de Jéssica Falchi (ex-Crypta) e sua nova banda Falchi, responsáveis por abrir os trabalhos da noite. Com um som instrumental pesado, moderno e virtuoso na medida certa, o grupo entregou uma apresentação segura, técnica e bastante envolvente, conquistando rapidamente o público que já ocupava a pista do Cine Joia. Mesmo sem o apoio de vocais, a resposta foi imediata e calorosa, evidenciando a força da proposta e a capacidade de comunicação do projeto ao vivo.

O set trouxe o recente EP de estreia, Solace, executado na íntegra, além de um excelente e estratégico cover de “The Call of Ktulu”, do Metallica, que funcionou como um ponto de conexão direta com a audiência. As composições passearam com naturalidade entre momentos mais cadenciados, passagens de atmosfera épica e trechos de maior intensidade técnica, demonstrando não apenas virtuosismo, mas também dinâmica, ambiência e senso de construção musical.

Jéssica, por sua vez, mostrou total domínio da guitarra — algo já conhecido desde antes de sua passagem pela Crypta, bem como todas as bandas tributos na qual participou —, mas aqui evidenciando ainda mais personalidade e liberdade criativa. Seu carisma e interação com o público também foram diferenciais claros, conduzindo a apresentação com segurança e presença de palco. Ao seu lado, a banda se mostrou extremamente coesa, com uma cozinha sólida e execução precisa, reforçando o alto nível técnico do projeto.

Se houve algum ponto a se lamentar, foi a duração do set, que deixou um evidente “gostinho de quero mais”, algo compreensível, já que a banda conta apenas com um EP lançado. Além disso, apostar em uma sequência de covers certamente não seria o ideal neste início de carreira, momento em que o grupo busca justamente evidenciar sua identidade e diferencial artístico. Ainda assim, a estreia ao vivo da Falchi cumpriu seu papel com sobra, apresentando um projeto com identidade própria, consistência e claro potencial para voos ainda maiores dentro da cena.

Vale também uma menção honrosa à qualidade acústica da casa. Fazia muitos anos que eu não ia ao Cine Joia e fiquei realmente impressionada.

Entre um rock triste e outro, a expectativa pelo show do Katatonia crescia na mesma medida em que o público aumentava. Até que, pontualmente às 20h10, os primeiros acordes de “Thrice” ecoaram pelas caixas de som, dando início a uma apresentação densa, melancólica e carregada de nuances — exatamente como se espera da banda sueca.

Jonas Renkse (vocal), Nico Elgstrand e Sebastian Svalland (guitarras), Niklas Sandin (baixo) e Daniel Moilanen (bateria), conseguiram diversificar bastante o setlist, equilibrando faixas mais recentes com clássicos. Do álbum mais novo, vieram momentos como a própria “Thrice” e “The Liquid Eye”, esta com uma proposta bem arrastada e densa, além de “In the Event Of”, que fechou o set principal. Já “Austerity” e “No Beacon to Illuminate Our Fall” representaram Sky Void of Stars, enquanto City Burials, Night Is the New Day e The Great Cold Distance também marcaram presença — este último com “Soil’s Song”, que levou o público a cantar em coro.

Aliás, não sei se é apenas uma percepção minha, mas tive a impressão de que o ânimo do público mudava em momentos como “Soil’s Song”, “Leaders” ou até “Dead Letters”, quando a banda adotava uma abordagem mais direta. Ou será apenas a minha veia saudosista falando? Ainda assim, mesmo nas faixas mais intensas, o público pareceu optar mais pela contemplação do que por reações mais explosivas, como moshpits.

Uma coisa é inegável: o entrosamento entre os músicos é um espetáculo à parte. Até mesmo Jonas, que costumava ter uma postura mais contida no palco, parecia mais solto, interagindo com frequência com seus companheiros e também com o público — como ao introduzir “Nephilim”, destacando sua pegada mais doom. Aliás, já leu a entrevista que fizemos com ele? Clique aqui para conferir.

Momentos como “The Longest Year” e “Old Heart Falls” reforçaram essa conexão, com a plateia assumindo os vocais em diversos trechos, enquanto “July” manteve o envolvimento em alta, inclusive com headbanging meio que coreografado entre os músicos.

Visualmente, a apresentação também chamou atenção: diferente do habitual da banda, a iluminação esteve mais presente, valorizando a ambientação do Cine Joia e contribuindo para a experiência geral — algo que, inclusive, facilitou o trabalho dos fotógrafos. Lembrando que, o Cine Joia não tem uma iluminação muito agradável para os profissionais.

O bis ficou por conta de “Forsaker”, encerrando um show introspectivo, denso e impecável musicalmente. Ainda assim, alguns clássicos ficaram de fora, mesmo com um setlist robusto, o que só reforça o desejo de que a banda retorne em breve para saciar esse inevitável gosto de “quero mais”.

Setlist:

Thrice
Soil’s Song
The Liquid Eye
Austerity
Rein
Leaders
Dead Letters
Nephilim
Wind of No Change
The Longest Year
Old Heart Falls
July
Lethean
No Beacon to Illuminate Our Fall
In the Event Of
Forsaker

Patrocinadores Metal Na Lata
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  • Alternative Metal, Cine Joia, Death Metal, Doom Metal, Gothic Metal, katatonia, metal, Post-Metal, Powerline Music & Books, Prog Metal, rock, show
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